Mapa turístico 2017
Fisio

Projeto Sementinha muda a vida de mais de 2 mil pessoas


Criado em setembro de 1998 em Porto Seguro, o Projeto Sementinha atua na educação de crianças com idade entre três e cinco anos, com atividades de pré-alfabetização que promovem o desenvolvimento motor, intelectual e corporal. Também chamado de “A escola debaixo do pé de manga”, ele foi idealizado pelo antropólogo e educador mineiro Tião Rocha, que encontrou em Paulo Freire inspiração para uma nova proposta de aprendizagem. Em Porto Seguro, com vagas para 100 alunos, o projeto atende 86 crianças do Baianão, Paraguai, Areial, Mercado do Povo, Gravatá e Casas Novas.


Dez pessoas iniciaram o Projeto Sementinha em Porto Seguro. Eram voluntárias que depois receberam formação de educadoras, pelo CPCD, um centro referência em fundação e implantação de projetos sociais de Belo Horizonte/MG, em parceria com ONGs. Alguns não sabiam ler nem escrever. Todos fizeram a capacitação e os que não estudavam mais voltaram para a sala de aula. Atualmente, a equipe é formada por pedagogas, professoras e voluntários. Inicialmente, o trabalho e a equipe eram vistos com certa desconfiança sobre os resultados da nova escola, que hoje é aceita por toda a comunidade.

O objetivo é formar cidadãos críticos, conscientes e envolvidos com a comunidade, por meio da construção do conhecimento. As crianças aprendem através das brincadeiras.

As famílias são grandes parceiras nas atividades, feitas de acordo com cada necessidade. “Quando a gente percebe algum problema com a criança, vamos direto à fonte, que é a família. Acreditamos que para conhecer os pequenos, precisamos trabalhar com a família. Esta é a base de tudo”, explica a diretora e fundadora do projeto em Porto Seguro, Edilene Pereira Santos.
Nessas oportunidades, são desenvolvidas oficinas como as de reciclagem e abordados vários temas como violência doméstica, planejamento familiar e alimentação, que é um assunto recorrente. A educadora vai para a sala, trabalha o tema com atividades e depois as crianças merendam o lanche preparado pelas mães, na creche ou em casa. O atendimento às crianças é pela manhã e à tarde são realizadas oficinas e reuniões.
Desafios permanentes
O material didático e os objetos usados no projeto são resultado de doações ou recursos arrecadados com eventos. Das seis sedes, dois são espaços cedidos por Centros Espíritas, um é cedido por uma empresária e os outros três foram construídos com arrecadação de fundos junto à comunidade. A merenda escolar e remuneração dos educadores - concursados - são fornecidos pela prefeitura, que embora seja parceira, traz consigo a iminência de encerramento do contrato sempre que uma nova gestão toma posse. A iniciativa do projeto em criar a Associação de Mães Educadoras (AME) trouxe mais firmeza na hora de manter contratos e abrir novas portas.
O baixo salário das educadoras se constitui um fator a melhorar, segundo a diretora. “Muita coisa elas fazem por amor”, afirmou Edilene. Também há voluntários como educadores físicos e nutricionista, a Fundação Orsa - a primeira a financiar o projeto, empresários, o Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) e escolas que recebem as crianças quando elas completam cinco anos.

Hoje, as pessoas procuram o projeto porque veem as mudanças: a criança melhorou o comportamento, a mãe que aprendeu uma atividade, outra melhorou o relacionamento com o filho. Segundo a direção, mais de 2.000 pessoas já passaram pelo projeto e tiveram suas vidas influenciadas positivamente. A educadora Marilene do Nascimento conta que não podia colocar o filho na escola porque ele era muito novo. “Cheguei do trabalho e ele falou: ‘mãe ali tem uma escolinha’. Fui conhecer o projeto, elas me acolheram bem e me disseram o que fazer para meu filho ficar lá. Fui participando como podia e quando surgiu oportunidade, passei a trabalhar.” O filho de Marilene tem 22 anos e a filhinha dele já está no projeto. “Teve criança que, por morar em lugar violento, tinha instinto para coisas negativas e o projeto acolheu e fez uma transformação na vida da família”, testemunhou. 

Elenildes Silva Santos Costa é outra educadora fundadora. Escolhida num grupo de 40 pessoas, tinha muitos desafios: “Meu filho tinha acabado de nascer; eu já tinha filhos, mas não sabia lidar muito com eles. A capacitação ensinou a lidar com as crianças. Fiquei apaixonada pelo projeto”, declarou. Os filhos dela, que também participaram do projeto, estão atualmente com 21 e 18 anos de idade. Ela conta que ficou dois meses como voluntária, junto com outras colegas. A família perguntava se iam trabalhar de graça. Para elas e a diretora Edilene, era fácil responder: “Quem faz o bem tem sempre o bem de volta”.

Porto Seguro é uma referência para outros lugares. “Já recebemos pessoas de Moçambique que implantaram o projeto lá”, comemora Edilene. Perto de chegar aos 20 anos de fundação, o Projeto Sementinha continua precisando do apoio. Toda ajuda é bem-vinda. O projeto fica na rua Novos Cabral, 162 - Baianão. As matrículas e todo o atendimento é gratuito.

Visit the new site http://lbetting.co.uk/ for a ladbrokes review.

Site desenvolvido em Software Livre
Jornal do Sol | Todos os Direitos Reservados