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Fisio

Superação projeta blogueira porto-segurense no mundo virtual


A blogueira Deyse Neres, 28, é cabeleireira desde os 15. Há cerca de um ano, descobriu que tem lúpus, uma doença considerada incurável. E fez dessa realidade uma porta para novos desafios profissionais e sociais. Com seus posts sobre moda, beleza e lúpus no blog “Requinte de Mulher”, nas redes sociais e em sua página, ela consegue atingir 96 mil pessoas diariamente. “Esse mundo virtual sempre me chamou atenção, mas de repente me encontrei com uma doença que não tem cura, mas tem tratamento. Estava em casa o dia todo e surgiu a ideia de escrever, ocupando a minha mente, falando um pouco da minha experiência com o lúpus e também da minha profissão”, revelou. Assim, através do blog, que seria voltado só para beleza, ela viu a oportunidade de ajudar outras pessoas.

Aos 18 anos Deyse ganhou do pai um salão de beleza e não parou mais de trabalhar. Tem vários certificados na área e é contratada pelo Senac para ministrar cursos. Mas teve que parar tudo devido à doença. Ela conta que sempre tinha um analgésico na bolsa porque eram frequentes as dores de cabeça, dores musculares e nas articulações. “Todo mundo falava que é porque eu sou cabeleireira, ficava em pé muito tempo e fazia movimentos repetitivos. Com o passar do tempo, as dores aumentaram. Comecei a fazer atividade física, e isso foi camuflando. Consegui certa resistência, mas, depois que eu tive meu filho, saí da academia e comecei a sentir dores mais fortes ainda. Procurei o ortopedista e o diagnóstico era o mesmo: é porque você é cabeleireira.”

Com o passar do tempo a doença foi se manifestando de outras maneiras, sem um diagnóstico preciso. Deyse conta que teve crise renal, acordou um dia sem enxergar de um olho, mais tarde teve um inchaço no joelho, que a impedia de andar. Foi, então, a um ortopedista que, finalmente, passou novos exames e detectou o lúpus. “Ele disse que só um reumatologista poderia resolver o problema, tudo particular. O reumatologista passou então uma bateria de exames caríssimos. E eu, que era autônoma, estava havia uns seis meses sem trabalhar”, disse a blogueira. “Tenho muita fé em Deus, sou evangélica e quando o médico confirmou que era lúpus, eu já estava preparada espiritualmente. Orei muito, pedia a Deus para me dar condição de lidar com aquilo. Deus é muito bom e me preparou”.

A luz que faltava

Deyse continua o tratamento. No início, eram cerca de seis comprimidos por dia, tinha distúrbios do sono e muita enxaqueca, o que interferiu em tudo na vida dela. Mas depois de quatro meses, vieram as melhoras. “Tive que fechar o salão e pensei: vou ter que me reinventar”. O blog já estava feito. Foi o escape e a oportunidade para buscar conteúdo, sobre moda e beleza. “Não falei do lúpus inicialmente. E só contei para a família sobre o problema de saúde depois que estava tudo sob controle. Eu não queria preocupá-los.” Depois, decidiu falar no blog sobre a doença, que tem nas mulheres maior acometimento (70% dos casos). “Mulher com lúpus, que fala de beleza e moda, acho que isso formou um conjunto que deu certo, ironicamente”.

A cabeleireira está bem otimista em relação ao trabalho e vive do blog, onde conta ainda com a participação de uma nutricionista. Todos os looks que posta, são pesquisados e acompanhados de informação sobre as tendências. Deyse usa sempre as próprias fotos e se define como uma mulher que tem estilo, conteúdo, entende de beleza e ensina as pessoas. Ela observa que na maioria dos casos, as mulheres com lúpus estão depressivas. “Muitas dizem que não têm animo para levantar e se arrumar, ou passar uma maquiagem. Não é todo mundo que tem esse start de levantar e seguir com os desafios. Se Deus te colocou nessa situação é porque ele quer te usar. Foi a isso que eu me apeguei.”
Deyse Neres passa muito tempo em frente ao computador, produzindo conteúdo. Tem ensaios e faz visitas aos parceiros uma vez ao mês. Nesta oportunidade produz os lives (vídeos gravados ao vivo) para as postagens nas redes sociais. Palestras também fazem parte da agenda, o que colabora para o crescimento no número de seguidores nas redes sociais. Em todas as oportunidades ela fala do lúpus. A blogueira diz que os posts com mais curtidas são aqueles em que ela aparece; “Percebo que, quando estou com o produto na mão, tem mais visibilidade do que só com o produto”. Para melhorar sua marca diariamente, Deyse tem grupos no Whatsapp, Facebook e o Instagram funciona como janela, onde ela ganha 100 novos seguidores todos os dias, o que é visto como referência para quem contrata.

As cinco cidades de maior acesso ao blog Requinte de Mulher são São Paulo, Porto Seguro, Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte. “Digo às pessoas que estão com problema que meu blog só existe porque eu perdi muito o que tinha construído, inclusive minha profissão, em que eu investi muito. Tive que fazer de um limão uma limonada. Se não fosse o lúpus, talvez eu não tivesse essa visibilidade toda. Seria mais uma blogueira de moda ou beleza”. A fama afetou positivamente a autoestima de Deyse, que se sente no dever de andar bem arrumada. “Se eu vou fazer exames, me maquio, se vou ao médico, faço meu cabelo. Não fico com cara pálida”, diz, entre risos. Para ela, que recebe incentivo do esposo, familiares, amigos e seguidores, inspirar outras pessoas é o grande retorno do seu trabalho.


Foto: Ellem Cardoso

 

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