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Fisio

Motoristas viram também cobradores nos coletivos de Porto Seguro


Há cerca de dois meses, a empresa de ônibus urbano Viação Porto Seguro está implementando mudanças na forma de cobrar os usuários pelo serviço. Alguns ônibus que trafegam para os bairros do Complexo Baianão já estão funcionando como “micrões”, como são chamados os ônibus que têm o caixa localizado ao lado do motorista, logo na entrada do veículo. A cobrança da passagem passou a ser feita pelos motoristas e os cobradores estão sendo dispensados.

A mudança trouxe desconforto para motoristas, cobradores e passageiros. Segundo funcionários, a empresa alegou dificuldades por causa da crise econômica no país, motivo que a estaria levando a enxugar os custos, demitir funcionários e transformar os ônibus em “micrões”. De acordo com um dos motoristas, dirigir e cobrar nunca foi algo seguro. “Nem todos têm condição de desenvolver bem o seu papel se estiver fazendo as duas coisas. E sempre acabam se atrasando”, afirmou. Ele disse ainda que acha uma situação difícil de ser revista, “pois vejo que nessa cidade pode tudo”.

Demissões de cobradores

Segundo alguns funcionários, até 14/06/17, foram demitidos 24 cobradores. Um deles lamentou: “Fico triste, pois todos nós temos família que depende da gente. E é lamentável, porque a gente não tem sindicato, senão isso não estaria acontecendo”. Para este funcionário, a empresa disse que as companhias de transportes são afetadas porque não há crescimento no número de passageiros diariamente. Para uma cobradora, o estresse do motorista tende a aumentar, já que agora ele terá que fazer a cobrança, trocar dinheiro e seguir o itinerário. “Sem falar no risco de acidentes, que triplica, pela falta de atenção ao fazer outra atividade”, opinou. As demissões estão sendo feitas sem aviso prévio e há rumores de que outros 40 cobradores serão dispensados.

Também os passageiros demonstram insatisfação com a mudança. “Agora a viagem vai demorar ainda mais”, acredita Ana Rosa, moradora do bairro Paraguai. Sem o apoio dos cobradores, os usuários com deficiência, idosos, gestantes e pessoas com crianças de colo estão com a dúvida de como eles poderão ser ajudados, em caso de necessidade.

Além dos riscos inerentes à profissão, as condições em que os ônibus trafegam causam sobressaltos aos passageiros. “Nem todos os veículos têm uma boa manutenção, pois alguns não têm mais jeito, de tão velhos”, disse outro motorista. Uma moradora da orla reclamou que pegou um ônibus com duas cadeiras soltas. “Um absurdo, falta de respeito por parte da empresa e insegurança para o usuário”, desabafou. Outro passageiro afirmou ter pegado um ônibus com o painel todo desligado, à noite, por duas vezes.

No país, a mudança parece ser uma tendência. No Rio Grande do Norte, uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) definiu que funções de motorista e cobrador são compatíveis e não se acumulam. Naquele estado, motoristas já fazem também o papel de cobradores. Deputados tentaram interferir com projetos proibindo a prática, considerando que realizar função simultânea seria infração prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e na Lei de Concessões.

Por diversas vezes, o Jornal do Sol entrou em contato com a empresa para ouvir sobre as motivações das mudanças, teve a confirmação do contato, mas houve retorno. A redação continua à disposição para mais informações ou esclarecimentos por parte da empresa.  

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