Agricultura diversificada incrementa economia

 

“Em se plantando, tudo dá” a expressão usada em 1500, por Pero Vaz de Caminha, na carta ao rei Dom Manuel relatando o que tinha visto na Terra Brasilis na viagem de descoberta, permanece atual. Graças às condições climáticas e ao solo fértil, Porto Seguro, conhecido mundialmente pelo turismo de lazer e também pela sua vertente histórica, produz grande variedade de alimentos, que vão do coco à noz-moscada.

Pouca gente sabe, mas há importantes produções de café, cacau, pimenta do reino, coco, açaí, urucum e abacaxi, além de verduras, frutas, legumes, grãos e hortaliças. Há produtos que são cultivados por pequenos produtores e também por donos de grandes plantios, com vistas ao consumo interno, regional, nacional e até à exportação. “As terras são férteis, boas. Chove demais. Temos muitos rios e mananciais”, pontuou o secretário de Agricultura, Aliomar Bittencourt.

De acordo com o secretário, o carro chefe da produção é o café, que, segundo censo feito pela própria equipe, em 2013 chegou a cerca de 214 mil sacos de 60kg (12.840.000 quilos), em 5.400 hectares. Atualmente, são cerca de 3.000 mil sacos, o que corresponde a 18 milhões de quilos de café, em aproximadamente 6.000 ha. O cultivo tem um importante papel na geração de emprego e renda, mesmo que temporário. A colheita gera de 5 mil a 10 mil empregos de abril a julho de cada ano. O produto sai para comercialização em Eunápolis, Itabela, Itamaraju e São Gabriel da Palha/ES. “Na região, acredito que perdemos apenas para Itamaraju”, disse Bittencourt.

Cacau para a Nestlé

Atualmente, segundo ele, 63 fazendas produzem, em 1.746 hectares, 70 mil arrobas de cacau por ano. Uma fazenda próxima ao distrito de Montinho é o maior produtor individual do mundo, por hectare. Produz 35 mil arrobas por ano. A tecnologia utilizada adota uma irrigação automática computadorizada, que aciona as bombas quando a planta “sente sede”. A produção segue para a Nestlé de São Paulo.

Nova no município, mas já de grande relevância, a pimenta-do-reino é produzida em 465 hectares, por 41 agricultores. Em Porto Seguro está a maior plantação de pimenta-do-reino no mundo, um investimento do grupo indiano Olam Coffee, com 1 milhão de pés plantados na Fazenda Palestina, na estrada de Caraíva. A produção começou este ano e vai para exportação. A previsão é produzir 5 mil toneladas. No município inteiro, a produção deve atingir 6 mil toneladas.

Em 2013, a produção de coco em Porto Seguro foi de 38 milhões de unidades. São 32 milhões de coco verde e 6 milhões de coco seco. Dentro e fora da área urbana. De banana da prata são produzidos cerca de 6 milhões de kg. A Fazenda Lembrance produz 4 milhões de kg, e envia para outros estados. Já a banana da terra é da agricultura familiar. São 841 toneladas do produto, cultivado em 194 hectares. Tem ainda o urucum, com uma produção anual de 90 toneladas, em Caraíva e estrada para Porto Seguro, e abacaxi, que em 2013 foram produzidas 1.759.000 unidades em 114 ha.

Cupuaçu para o Pará

Típicos do Norte do Brasil, o Açaí e o Cupuaçu encontraram nas terras do Sul baiano um espaço de produção de polpas e nas mesas passaram a ser as queridinhas. Mas, com uma produção de 200 toneladas por ano, a Fazenda Bom Sossego distribui sua produção de açaí na região, além de Minas Gerais e São Paulo. O cupuaçu, consumido na região, segue também para o Pará, estado de origem da fruta, e os estados de São Paulo, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Piauí. “A agricultura aqui na região é muito diversificada. E a grande maioria é de produção de frutas, que demanda grande mão-de-obra, em atividades como poda de plantas e colheita”, afirmou o produtor Renato Dória, proprietário da Fazenda Bom Sossego. Renato emprega 30 funcionários, todos com carteira assinada e diz que alguns deles vieram da rede hoteleira e estão trabalhando na fruticultura. Porto Seguro também relevantes produções de mamão, maracujá, abóbora e melancia.

Agricultura orgânica

Quarenta pequenos produtores do município estão se especializando em produzir alimentos orgânicos. Eles estão recebendo o selo da Agricultura Orgânica, conferido pela Secretaria Estadual de Agricultura, que permitirá a comercialização dos produtos orgânicos no mercado regional.

Mais de 2 mil agricultores

Duas mil famílias trabalham na agricultura familiar de Porto Seguro, apontou o Censo Rural realizado pela Secretaria. “A agricultura gera tanto emprego quanto o turismo”, afirma o secretário. Ao todo, são 2.100 agricultores de vários portes e pecuaristas. Muitos dos alimentos produzidos na cidade são consumidos pela prefeitura, no atendimento às entidades em geral. “O município está comprando cerca de R$ 1 milhão em produtos para as entidades (escolas, creches, CRAS, e  outras). Trezentos mil reais vão para a agricultura familiar”, informou. Em janeiro ou fevereiro de 2018, o município vai receber o selo do Ministério da Agricultura, para comercialização em todo o país.

O censo, realizado durante 10 meses em 2013, quando 12 funcionários percorreram, segundo o secretário, todo o município de Porto Seguro, com auxílio de GPS, realização de reuniões e compilação de dados. O trabalho rendeu visita de estudantes de universidades públicas e uma referência da Companhia Nacional de abastecimento (Conab). Em 2018, aguarda o resultado do Censo Agro 2017, do IBGE, para conferir as informações.

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