Tarifas do transporte coletivo estão mais caras em 2018


Ano novo começa com tarifa nova para a passagem de ônibus coletivos em Porto Seguro, que era de R$ 3,10 e passou a custar R$ 3,25. O reajuste de 4,8% passou a valer a partir de 1º de janeiro.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura municipal, “o contrato de concessão das empresas com o município prevê a necessidade de reajustes anuais para a recomposição inflacionária, baseados nos custos administrativos, pessoal, combustíveis e IGPM (Índice Geral de Preços ao Consumidor)”.

Aumento de tarifas e serviços ineficientes

O aumento vem no momento em que a única empresa que presta o serviço na cidade, e, portanto, que detém o monopólio do transporte coletivo, quer manter o atendimento sem a presença dos cobradores. Já foram demitidos mais de 50 deles. Esta iniciativa de tirá-los dos coletivos vem acarretando uma série de problemas, como atrasos dos ônibus devido ao acúmulo de funções que o motorista é obrigado a desempenhar, tendo que receber as passagens, passar troco e controlar a roleta.
Usuários que se sentem prejudicados reclamam das péssimas condições dos veículos, dos atrasos da e incompatibilidade entre as tarefas de dirigir e cobrar que além de tudo, ainda tornam a viagem mais perigosa, já que alguns motoristas foram flagrados acelerando o veículo e passando o troco ao mesmo tempo. “É uma loucura! Já vi várias vezes o motorista contando dinheiro com o carro em movimento”, disse uma passageira que usa o ônibus todos os dias do Baianão até a orla.

Projeto de lei obriga presença de cobradores em ônibus coletivos

Em novembro de 2017, vereadores aprovaram, já em segunda votação, o Projeto de Lei 037/2017, que determina a presença de cobradores no sistema de transporte coletivo urbano.
Quase ninguém viu, e o projeto, que pode devolver um pouco de segurança ao usuário do transporte coletivo, foi votado de forma unânime. Mas como isso aconteceu na primeira sessão após o afastamento da prefeita Cláudia Oliveira, passou despercebido. Nesse dia, manifestantes ocuparam o plenário da Câmara e o barulho fez com que, apesar de a Casa ser chamada à ordem por diversos momentos, a votação fosse sufocada pelas conversas paralelas. O PL nº 037/2017 seguiu para o executivo para sanção ou veto.

Empresa se explica

No setor de Recursos Humanos da empresa Viação Porto Seguro, a gerente de RH, Flávia Passos, afirma que acha estranho que a comunidade não tenha absorvido a nova configuração: “Na nossa unidade em Minas Gerais trabalhamos assim. Tudo o que é novo incomoda. Hoje nas capitais as pessoas absorvem de outra forma”. Flávia argumenta que as mudanças foram aprovadas pelo sindicato dos rodoviários, com sede em Eunápolis. E afirma que as mudanças são reflexos da queda no faturamento: “Desde que a lotação entrou na cidade, o lucro da empresa vem diminuindo. O custo para a empresa se manter é muito alto. É uma empresa que paga seus impostos e seus funcionários em dia. Se não fossem as lotações, quem sabe os cobradores não estariam trabalhando?” Até outubro, de acordo com a gerente de RH, de 100 cobradores, foram demitidos 50. “E funcionários do administrativo também foram demitidos. Estamos batalhando, levando projetos à prefeitura, mas não temos respostas. E os pontos de ônibus? E as ruas? Não existem fiscais para tirar os caminhões das ruas, que atrapalham a movimentação dos ônibus. A gente não consegue se movimentar da forma que a gente quer. Talvez para a administração municipal seja cômodo manter as lotações. Mas elas são ilegais, trabalham sem documento. E porque as pessoas usam? Porque somos brasileiros, imediatistas. É uma questão cultural”. Flávia Passos garantiu que a empresa procura sempre trabalhar com a prevenção e manutenção dos transportes, para prestar um serviço de qualidade.

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