Comércio teme fuga de clientes com a cobrança da Zona Azul

O decreto que cria o estacionamento rotativo pago nas vias públicas do Centro de Porto Seguro – a “Zona Azul”, está causando polêmica. Alguns concordam com a cobrança, embora todas as pessoas ouvidas considerem abusivos os valores definidos. Outros temem o sumiço dos clientes, fugindo da obrigação de pagar para estacionar seu veículo na rua enquanto fazem as compras.

O Jornal do Sol conversou com comerciantes, funcionários e consumidores. A maioria parece se sentir desconfortável com a cobrança. Uns chegam ao local de trabalho pela manhã e só voltam para casa no fim da tarde. Outros não querem pagar para estacionar por apenas meia hora.

Quando não vai de moto, o técnico em informática Jeiel Rodrigues usa o carro para transportar algum equipamento. De moto, ele não gastará menos de R$ 220,00 por mês se for pagar pelo Zona Azul todos os dias de trabalho. “Fica muito pesado. Hoje o trabalhador não está conseguindo nem abastecer direito o veículo por causa da gasolina cara. Se é cobrado um valor acessível e a gente ver o resultado dessa cobrança, ainda vai, mas o preço proposto é muito agressivo.” Ele afirma que estaria disposto a pagar R$ 3,00 por dia, mas gostaria de ver o valor sendo revertido em segurança e melhorias nas vias públicas.

Já o comerciário Flávio Bomfim, afirma que não acha interessante a cobrança. “Não tenho dificuldade em estacionar.” Ele acredita que pagar pela vaga dificulta a vida de quem precisa ir de carro ao Centro da cidade. Para William Guerra, que também trabalha durante o dia, o Zona Azul organiza o hábito de estacionar, já que o volume de veículos durante o horário comercial é muito grande; “acho bom porque tem gente que ocupa o lugar do outro; mas deveria custar R$ 2,00”.

Contra a cobrança

A opção do cliente em não ir às ruas onde há Zona Azul preocupa alguns comerciantes. Para o dono de uma loja de confecções na avenida Getúlio Vargas, o movimento poderá cair, já que os clientes tendem a estacionar em ruas distantes do Centro para fugir da cobrança. A dona de casa Jane de Souza não concorda com a cobrança. Ela não trabalha fora, mas afirma que tem uma rotina que exige muitas idas ao Centro da cidade, para levar e buscar os filhos na escola, pagar contas, fazer compras de supermercado e outras demandas. “É muito ruim não ter vaga para estacionar mas é pior ainda ter que pagar R$ 3,00 por apenas 60 minutos de uso da vaga. Tem estacionamentos particulares que cobram muito menos, se a pessoa ficar o dia inteiro, mas também acaba ficando oneroso”, disse.

Assinado em 26 de dezembro de 2018, o Decreto 9873/18 estabelece cobrança para quem estacionar nas ruas do Centro de Porto Seguro e vias paralelas, e servem para veículos de passageiros e de carga. Tem previsão de funcionar de segundas às sextas-feiras, de 8h às 20h; e aos sábados, domingos, feriados e na alta temporada, de 8h às 24h. De acordo com o decreto, os valores cobrados serão: R$ 4,00 por hora, no caso de vaga em Zona Azul (quando a cobrança é por hora) e R$ 3,00 por 4 horas, quando para a utilização em Zona Verde. Para as motos, que devem estacionar em locais próprios, o valor cai pela metade. Por enquanto, o serviço ainda não saiu do papel. Até lá, o assunto promete gerar muito pano pra manga.

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