Comerciantes usam tribuna da Câmara e pedem revogação da lei de Zona Azul

Mais uma vez os comerciantes de Porto Seguro lotaram o plenário da Câmara de Vereadores para se manifestar contra o Zona Azul, sistema de estacionamento rotativo adotado pelo município. O protesto tomou a maior parte do tempo da sessão desta quinta-feira, 07/11/19, e teve participação de comerciantes munidos de cartazes e placas com os dizeres “Fora Zona Azul”.

Usando a tribuna previamente agendada para a categoria, os comerciantes foram representados pela corretora de imóveis Elma Alves. Em seu discurso, a corretora enumerou motivos pelos quais a classe não concorda com a implantação do estacionamento rotativo. “90% nossos recursos – do valor arrecadado com a cobrança do serviço - são destinados a terceiros”. Defendeu a ideia de que se esses recursos fossem investidos no município, poderiam evitar problemas como filas enfrentadas debaixo do sol pelas mães que pretendem garantir vaga na creche para seus filhos. “O Zona Azul vai na contramão de tudo isso”.

A corretora citou o juramento dos vereadores de defenderem os interesses do povo, no ato da posse, e também a invocação do nome de Deus, quando citado em suas falas e no início das sessões realizadas na Casa, na oração do Pai Nosso. E disse ainda: “Aqui estão pais de família, homens e mulheres que não arredarão pé enquanto não for solucionada essa situação”. Em relação à diferença de cobrança da taxa para morador (R$ 2,00) e a cobrada ao turista (R$ 4,00), a corretora disse: “explore o turismo, mas o turista não”.

Fora Zona Azul?

Os protestos dos comerciantes com relação ao serviço estão gerando resultados favoráveis. A prefeitura baixou os preços de cobrança ao morador e reduziu locais e horários de funcionamento. Mas os comerciantes reclamam de que houve grande queda nas vendas após a implantação do estacionamento rotativo porque os clientes sumiram. Por isso, revogar a lei que instituiu o serviço seria a solução para o comércio voltar a se movimentar como antes.

O vereador Kempes Neville (PPS) afirmou que está “do lado da comunidade” se ela não quiser o Zona Azul. “Quando votei – favorável ao serviço -, a intenção era melhorar o Centro da cidade”. Aparecido Viana (PSD) pediu que uma nova proposta fosse levantada pelos comerciantes e levada à discussão. Já o líder do Governo na Câmara, Dilmo Santiago (PROS), defendeu a permanência do serviço e, para isso, mostrou o vídeo de uma moradora do Arraial d’Ajuda compartilhando sobre a facilidade para estacionar o veículo quando precisou ir a um banco com o filho deficiente, na avenida Getúlio Vargas. Antes que a reunião acabasse, a grande parte dos manifestantes se ausentou do plenário.

 

Ao tomar a palavra, presidente da Casa, Ariana Fehlberg (PR) afirmou ser favorável ao Zona Azul: “sou a favor mas não compactuo com os valores da cobrança. Os critérios tomados em nossa cidade estão totalmente errados. É tirar do bolso da nossa população o que não tem”. A vereadora garantiu que vai ao Ministério Público para tentar baixar o valor da tarifa: “É fazer um só, para moradores e turistas”. Mas defendeu a permanência do serviço: “Porto Seguro precisa do Zona Azul”.

Lambada é patrimônio

Dentre outros projetos de lei que foram votados no dia 07/11 na Câmara, o que mais chamou atenção foi o que considera a lambada, gênero musical de grande sucesso na década de 80, patrimônio cultural e imaterial de Porto Seguro. Aprovado em segunda votação, o projeto é de autoria do vereador Robinson Vinhas (PCdoB), que considerou: “hoje, a lambada tem mais valor no exterior do que o samba”.

Ele citou nomes de dançarinos portossegurenses integrantes do famoso grupo Kaoma, e os locais onde o ritmo reunia muita gente, como o espaço Cheiro Mole, próximo à balsa. O vereador aproveitou para anunciar a agenda de programação na Praça do Relógio, a partir do dia 20/11, com apresentação de lambada, capoeira e maculelê. Élio Brasil (PT), defendeu a iniciativa do projeto: “além das praias de Porto Seguro, precisamos vender outros produtos, e cultura é muito importante”, disse, comparando o município à capital Salvador, “que investe muito no turismo cultural”.

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