Cai a intenção dos micro e pequenos empresários de tomar crédito

Com o cenário de queda da atividade econômica e de juros cada vez mais elevados, a disposição dos micro e pequenos empresários (MPEs) em tomar crédito tem diminuído. Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que a intenção dos empresários de procurar crédito pelos próximos três meses registrou apenas 11,11 pontos em setembro, abaixo dos 13,85 pontos verificados em agosto. Com isso, apenas 7,7% dos entrevistados manifestaram a intenção de tomar crédito nos próximos 90 dias.

Quanto mais próximo de 100, maior é a probabilidade de os empresários procurarem crédito para seus negócios, e quanto mais próximo de zero, menos propensos eles estão.

Para o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, o indicador reflete o contexto de desaceleração econômica, com redução do crédito no mercado e queda da confiança dos empresários. "Sem perspectivas positivas com os rumos da economia brasileira, os MPEs estão reticentes em assumir compromissos financeiros de longo prazo", explica o presidente. "O risco de contrair crédito em um momento como esse é de, ao invés de ajudar em seus negócios, aumentar ainda mais as dívidas."

De acordo com os dados, para a maioria relativa dos micro e pequenos empresários (35,0%), tomar crédito é algo difícil ou muito difícil. Entre esses, o excesso de burocracia e as altas taxas de juros (para 16,1 e 10,8%, respectivamente) são as principais razões da dificuldade. Já entre os que consideram fácil tomar crédito (27,8%), as principais razões são estar com a documentação regularizada (22,1%) e ter faturamento alto o suficiente para contratar o empréstimo (11,3%).

 Cai intenção dos MPEs de investir em seus negócios

O indicador de investimentos dos MPEs, também calculado pelo SPC Brasil e pela CNDL, registrou uma queda em relação ao mês anterior, com 26,61 pontos em setembro, ante os 29,60 pontos em agosto - quanto mais próximo de 100, maior é a propensão ao investimento.

Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o consumo das famílias, também afetado diretamente pela crise econômica, pela inflação alta e elevadas taxas de juros, reflete no faturamento das empresas. "Com um menor volume de vendas e perspectiva de piora no final do ano em comparação com o ano passado, os planos de expansão dos negócios devem esperar um pouco para sair do papel", indica Kawauti.

Entre os empresários que pretendem investir, 69,9% utilizarão recursos próprios. Com o contexto de altas taxas de juros, cerca de 15,3% afirmaram que utilização algum empréstimo bancário ou de financeiras, e 2,6% empréstimos com amigos ou familiares.

Os investimentos mais citados são em mídia e propaganda (36,2%), em alocação de recursos para reformar a empresa (33,2%), e na compra de equipamentos, maquinários e computadores (30,1%).

 Metodologia

Os Indicadores de Demanda por Crédito e de Propensão para investimentos do Micro e Pequeno Empresário (IDCI-MPE) calculados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) levam em consideração 800 empreendimentos com até 49 funcionários, nas 27 unidades da federação, incluindo capitais e interior. As micro e pequenas empresas representam 39% e 35% do universo de empresas brasileiras nos segmentos de comércio e serviços, respectivamente.

 

 

 

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