Brasileira vence Olimpíada Mundial de Engenharia Nuclear

Dia de festa para a engenharia nuclear brasileira. A estudante Alice Cunha da Silva acaba de vencer a Olimpíada Mundial de universitários, promovida pela World Nuclear University, após a disputa com outros quatro finalistas nesta quinta-feira (17), em apresentação na sede da Agência Internacional de Energia Atômica, na Áustria. Depois de uma longa jornada para chegar à última fase, Alice, que está se formando em engenharia nuclear pela UFRJ, levou o troféu, com uma dissertação sobre a produção de radioisótopos.

A estudante passou por várias etapas antes de chegar à Áustria, incluindo a produção de um vídeo com o tema “Técnicas Nucleares para o Desenvolvimento Global”, a seleção do júri internacional, a busca para estar entre os cinco vídeos mais curtidos – que ela liderou, com cerca de 15 mil curtidas no Youtube – e o envio da dissertação.
Para conquistar apoio na internet, ela buscou ajuda em todas as partes que conseguiu, incluindo a ABDAN, os professores e os amigos que puderam se envolver na divulgação do vídeo. Quando o prazo foi encerrado, ela tinha mais do que o triplo de curtidas do que o segundo colocado. O trabalho foi voltado às aplicações médicas da engenharia nuclear, abordando os radioisótopos e ressaltando que a ciência nuclear também salva vidas.
A estudante atualmente trabalha na unidade brasileira da Westinghouse, onde atua na área de core engineering, também dando apoio às operações da empresa no Brasil. Enquanto isso, acompanha as discussões sobre o futuro do Programa Nuclear Brasileiro, na expectativa de que o País tome as decisões necessárias logo, permitindo a ampliação deste setor e o desenvolvimento da indústria nacional. A efetivação das novas usinas nucleares, por exemplo, pode ser um fator importante para as perspectivas de futuro no segmento brasileiro.
A vitória pode servir também como um incentivo ao governo para dar continuidade ao investimento em formação acadêmica e em capacitação voltada à indústria nuclear, que hoje ainda pode ser muito ampliada no Brasil, e dependerá muito também do avanço do programa nuclear, que poderá abrir novas oportunidades para as gerações que começam a se preparar para a atuação na área.
O exemplo da trajetória de Alice, que teve uma presença atuante desde o início dos estudos, em 2011, pode gerar um estímulo importante para novos cursos de graduação e novos olhares do Estado para essa carreira. Atualmente, há uma grande preocupação na área com a formação de novos quadros de mão de obra qualificada, já que a maior parte dos profissionais ativos na indústria vem de outras décadas e muitos devem se aposentar nos próximos anos.
A estudante mostrou desde o início da faculdade que podia contribuir com o segmento. Com apenas dois anos de ingresso na UFRJ, em 2013, ela teve um trabalho selecionado para uma conferência de estudantes da área nuclear realizada no Massachusetts Institute of Technology (MIT), promovida pela American Nuclear Society (ANS). Além disso, foi uma das fundadoras da seção estudantil de engenharia nuclear latino-americana da ANS, estudou um ano no Departamento de Engenharia Nuclear da Pennsylvania State University, em 2014, por meio do programa Ciência sem Fronteiras, e ainda fez um estágio de verão na sede da Westinghouse, em Pittsburgh, nos EUA.

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