Líderes Avancini e Fumic fazem marcação cerrada a Ferreira e Becking na quinta etapa da Brasil Ride

As duas duplas chegaram juntas na prova mais longa da competição, com 140 km entre Guaratinga e Arraial d'Ajuda, em Porto Seguro, nesta quinta-feira (25). Entre as mulheres, as espanholas Sandra Santaynes e Anna Ramirez mantiveram a liderança

A quinta etapa da Brasil Ride, com 140 km entre Guaratinga e Arraial d'Ajuda, em Porto Seguro, foi de intensidade entre os principais postulantes ao título da nona edição da principal ultramaratona de mountain bike das Américas. O português Tiago Ferreira e o holandês Hans Becking, da DMT Racing Team, venceram nesta quinta-feira (25), mas chegaram colados e no mesmo tempo dos líderes, o brasileiro Henrique Fumic e o alemão Manuel Fumic, da Cannondale Factory Racing, na arena da Brasil Ride, após pedalarem por 5h21min27seg. O pódio do dia teve ainda o russo Alexey Medvedev e o italiano Francesco Failli, da Specialized Itália, completando o percurso em 5h23min46seg.

O dia começou ruim para Tiago Ferreira e Hans Becking, com um furo do pneu dianteiro do português, que saiu à caça do pelotão depois do conserto. No ponto de hidratação do km 78, a estratégia de Ferreira e Becking foi de não parar e seguir em frente, para tentar se distanciar dos concorrentes. No entanto, a fuga foi rapidamente neutralizada pelos perseguidores aos líderes e a decisão ficou para os metros finais, no sprint de chegada.

"Para nós esta era a melhor etapa para tentarmos recuperar o tempo perdido. Estávamos todos fortes e os líderes não demonstraram nenhuma fraqueza. Assim, continuamos com um minuto de desvantagem, embora sabemos que fizemos o nosso melhor. Nós até jogamos sujo e atacamos na área de apoio. Tivemos um pneu furado no início e eles também não nos esperaram. Isso é corrida, não estamos aqui para fazer amigos e sim lutar pelas vitórias", disse Hans Becking.

"Tentamos ser tranquilos até o km 70, porém próximo do km 60 furou meu pneu dianteiro e o grupo da frente acelerou para tentar nos deixar para trás. Resolvido o problema, respondemos na mesma moeda na terceira área de apoio, porque estávamos bem e não era necessário água para nós. Abrimos distância e obrigamos os rivais a fazerem força para chegar em nós. Nos 40 km finais, o Hans forçou e ficamos apenas nossas duas duplas juntas até o fim", contou Ferreira.

Com a liderança mantida, Henrique Avancini e Manuel Fumic seguem com pouco mais de um minuto na liderança, com a vantagem de terem nesta sexta-feira sua etapa favorita, a do cross country olímpico (XCO). "Foi o dia mais longo da Brasil Ride. No início parecia que choveria o dia todo. De repente veio o calor, de forma brutal. Ficou realmente quente e no final tentamos apenas controlar o Tiago e o Hans, porque eles estavam em segundo e tentaram fortemente recuperar a camisa de líder. Nos atacaram e conseguimos neutralizar. Chegamos à praia e temos pela frente o XCO, que nos cai bem", avaliou o alemão Fumic.

"Objetivo era controlar o Tiago e o Hans. Eles tentaram o que podiam, até me surpreendi no km 78 quando atacaram em uma área de apoio e usaram o José Dias, de outra equipe, para auxiliarem ele. Passaram direto, o que mostra um certo desespero. Conseguimos tirar a diferença e controlar a prova. O objetivo era cruzar juntos, de modo seguro. Não tinha sentido e seguimos com a meta de terminar com a camisa amarela daqui dois dias", comentou Avancini.

Elite feminina

Na luta pela camisa laranja, a disputa foi equilibrada entre as atuais líderes, as espanholas Sandra Santaynes e Anna Ramirez, da Olympia / Estevez Team, e a equipe que ocupa a segunda posição e lidera a competição das Américas, formada pelas brasileiras Viviane Favery e Marcela Toldi, da Cannondale Brasil Women. Após iniciarem em um ritmo controlado, Viviane e Marcela alcançaram a dupla europeia e venceram nos metros finais.


"Fico bem felizes nas etapas de estradões. Viemos com uma dupla mista, Janildes Fernandes e Eriberto Medeiros, e seguramos o ritmo para administrar o gás. No fim chegamos nas espanholas e foi muito legal, porque elas são ótimas companhias", afirmou Marcella Toldi. "Objetivo era manter a camisa azul clara e não gastar energia a toa. A Mati economizou no início, para me puxar nas estradas de terra. Deu certo. Até o km 40 mantive o ritmo e depois ela forçou. Fomos juntas com as líderes e trabalhamos junto, em ritmo forte. A energia era incrível, um pelotão poderosíssimo de quatro mulheres", contou Vivi Favery.

Assim como na elite masculina, entre as mulheres a diferença foi mantida entre líder e vice, na casa dos 27 minutos. "O objetivo era segurar neste dia, porque era muito longo. Quisemos administrar a diferença e no fim terminamos juntas, porque elas estavam fortes. Estou feliz pelo dia", destacou Anna Ramirez. "Era uma etapa longa, a que eu mais temia. Era importante estarmos juntas e outra vez sofri muito. No fim, todas nós quatro fomos vencedoras", ressaltou Sandra Santaynes.

Estreia da dupla do Zimbabue e da Noruega - Em sua primeira vez no País, a dupla de número 202, formada pela zimbabuana Stacey Hylsop e a norueguesa Marianne Bergli, está fora do top 5, mas não esconde a felicidade de disputar a principal ultramaratona de MTB das Américas. Stacey e Marianne se conheceram no início deste ano, na etapa de Stellenbosch (RSA) da Copa do Mundo UCI de Mountain Bike, e daí surgiu a ideia de competir na Brasil Ride.

"Primeira vez que trago minha bike para o Brasil e pedalo aqui. Ouvi tantas coisas boas sobre a corrida. Alguns amigos nas redes sociais disputaram nos anos anteriores e vi fotos e pessoas falando a respeito da prova. Percebi que era algo que eu precisava fazer um dia", disse Mariane. "Estava com medo no início, porque sou ciclista de cross country, acostumada a provas de 1h30. Procuramos na internet e achamos informações de que é realmente bem divertida. O prólogo foi difícil, porque não temos lama no Zimbábue. Tive muita diversão quando tivemos duas etapas secas, com muito single track (trilhas estreias)", contou Stacey.

"Um lindo País e estou feliz de conhecê-lo", completou Stacey, atual campeã africana de XCO na categoria sub-23. "O que gosto daqui é que tenho a possibilidade de pedalar em locais que eu jamais conheceria, com visuais lindíssimos. Estamos gostando muito daqui", finalizou Mariane, especialista em maratonas, que recentemente trocou seu estilo para o cross country.

Red Bull Zera o Pico - Os atletas da Brasil Ride tiveram uma motivação extra na etapa desta quarta-feira (24) da prova, com 101 km de distância e 2.600 m de altimetria acumulada. O desafio Red Bull Zera o Pico foi um prêmio de montanha na subida das Sete Voltas, considerada a mais difícil de toda competição. Por quase dois quilômetros, os ciclistas precisavam “zerar” a ladeira, ou seja, sem colocar o pé no chão, valendo os títulos para competidores das categorias profissional e amadores, masculino e feminino. No entanto, a subida foi tão difícil que nenhuma mulher conseguiu zerar a subida. Os primeiros homens foram Henrique Avancini e Lucas Gomes, que foram premiados com uma jersey especial e receberão no sábado um troféu especial.

Top 5 após cinco etapas

Masculino:

1-Henrique Avancini (BRA) / Manuel Fumic (GER) - 18h01min06seg

2-Tiago Ferreira (POR) / Hans Becking (NED) - 18h02min09seg

3-Alexey Medvedev (RUS) / Francesco Failli (ITA) - 18h11min10seg

4-Hugo Prado Neto (BRA) / Roel Paulissen (BEL) - 18h19min38seg

5-Sebastian Fini (DIN) / Martins Blums (LAT) - 18h23min00seg

Feminino:

1-Sandra Santanyes (ESP) / Anna Ramirez (ESP) - 24h34min18seg

2-Viviane Favery (BRA) / Marcella Toldi (BRA) - 25h01min33seg

3-Paula Gallan (BRA) / Franciele Almeida (BRA) - 25h28min20seg

4-Ilda Pereira (POR) / Mayalen Noriega (ESP) - 26h01min20seg

5-Ivonne Kraft (GER) / Agnes Naumann (GER) - 27h04min47seg

Sexta etapa

A sexta etapa é a de cross country, com atletas divididos em duas baterias: a primeira reúne os atletas de elite, com as 60 melhores duplas classificadas, depois a segunda bateria com os demais competidores, às 10h e 13h, respectivamente. Em cada bateria o percurso tem 8,1 km, mas as duplas tem que dar quatro voltas, em um total de 32,4 km. Uma regra desta etapa é que apenas neste dia não precisam correr em duplas, podem se separar. Cada um por si e no final tem o tempo médio dos atletas. É um percurso de 90% de single track e trechos travados, com poucas ultrapassagens, além de raízes com muita mata atlântica. Descidas e subidas não longas, mas bem difíceis de serem zeradas. Larga e chega no Uiki Parracho, onde o atleta passa sempre dentro da estrutura de praia, ponto que é o recomendável para o público assistir. Não se recomenda assistir em outros locais.

A ultramaratona

Considerada a Giro d'Itália do MTB mundial, a prova marcada para os dias 21 a 27 de outubro, no Extremo Sul da Bahia, oferece um desafio e tanto para os 540 atletas do mundo inteiro. Durante sete dias, os participantes têm pela frente cerca de 600 km e quase 11.000 m de altimetria acumulada, entre trilhas e estradas de terra que ligam Arraial d'Ajuda, em Porto Seguro, a Vila Brasil Ride, construída em Guaratinga.

No sétimo e último dia da competição, o sábado (27), mais de 1.200 ciclistas de todo o País juntam-se às estrelas do mountain bike internacional, para a disputa da Maratona dos Descobrimentos. Uma oportunidade única de pedalar e ver de perto os melhores mountain bikers do mundo.

As etapas restantes da Brasil Ride 2018

Etapa 6 - Arraial d'Ajuda - 32,4 km e 664 m de altimetria

Etapa 7 - Arraial d'Ajuda - 43,8 km e 497 m de altimetria

Programação ao vivo

A nona edição da Brasil Ride seguirá o padrão das duas últimas edições, com programação ao vivo durante oito dias, na fan page oficial: www.facebook.com/BRASILRIDE e no canal da Brasil Ride no youtube: https://www.youtube.com/channel/UChs8s1lM7eI4NsacdyxTx9Q?view_as=subscriber

Confira os dias e horários

Sexta-feira - 26/10 - Largada, às 9h40; Chegada, às 11h25; e Premiação, às 18h45.

Sábado - 27/10 - Largada, às 8h40; Chegada, às 12h00; e Premiação, às 20h45.


Fonte: Ascom Brasil Ride

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