Aves de canto feridas em cativeiro são as vítimas mais frequentes no Cetas


Os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) são unidades do Ibama que recebem e tratam animais silvestres recebidos de ação fiscalizatória, resgate ou entrega voluntária de particulares ou resgatados em situação de risco. Em Porto Seguro, no Cetas, localizado no km 37 da BR 367, no interior da Estação Ecológica do Pau Brasil, os animais que chegam com maior frequência são as aves de canto, apreendidas em poder de particulares.

Segundo Lígia Ilg, coordenadora da unidade, é muito comum que esses pequenos animais cheguem com ferimentos na face, devido ao choque contra as grades das gaiolas, além de deformações nas patas, devido ao uso de poleiros inadequados.Ao receber um animal, o Cetas identifica, marca, tria, avalia, recupera, reabilita e destina esses animais silvestres, além de realizar e subsidiar pesquisas científicas, ensino e extensão. São bichos de origem da fauna nativa ou exótica.

Para atender à demanda regional, a estrutura inclui escritórios, biblioteca, biotério (um tipo de viveiro em que ficam animais em condições adequadas à experiências científicas ou produção de vacinas e soros), depósito de rações, ambulatório médico-veterinário, sala de cirurgia e equipamentos de cuidados intensivos para animais debilitados. A unidade tem, ainda,25 viveiros preparados para a reabilitação de animais que serão devolvidos à natureza.

No tratamento, os animais recebem cuidados iniciais, alimentação balanceada, acompanhamento diário, formação de grupos de indivíduos e avaliação de sua condição de retorno à natureza. Dentro do processo de reabilitação, o animal é tratado de parasitas e lesões. O Cetas faz um levantamento do histórico do animal, dieta a que teve acesso até sua chegada à unidade, comportamento demonstrado em relação a seres humanos e outros animais da mesma espécie, verificação de sua capacidade de localizar e utilizar alimento e abrigos adequadamente, entre outros.

Segundo relato da coordenadora, durante algumas ações de fiscalização apoiadas pelo Cetas, a unidade recebeu até tigres e ursos apreendidos em circos operando sem a devida licença. 

 

Parcerias fundamentais

Para desenvolver seu trabalho, o Cetas conta com importantes parceiros. A Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (CIPPA-PM/BA) e a CEPLAC são os principais apoiadores, além de empresas privadas como a Veracel Celulose, a Conservix Madeiras Tratadas e a ONG Projeto Chauá.

“A população também ajuda bastante o trabalho do Cetas, encaminhando animais encontrados em situação de risco, feridos ou atropelados, além de doar alimentos, frutas e rações que são utilizados em projetos de soltura”, disse Lígia. E a comunidade pode continuar colaborando. A melhor forma é não comprar animais silvestres capturados na natureza. “Há poucos remanescentes de Mata Atlântica em nossa região, e quando as pessoas compram animais silvestres, estão estimulando comerciantes a continuarem a retirá-los da natureza, prejudicando a sua sobrevivência”, explicou a coordenadora da unidade em Porto Seguro.

Segundo os registros da unidade, o número de animais recebidos pelo Cetas tem crescido.

 

A equipe acredita que o fato está relacionado à maior divulgação do trabalho, o que é marcado pela chegada de animais de outras cidades da região extremo sul da Bahia. “Com isso, observamos um incremento no número de animais recebidos por ano, que entre 2015 e 2016 atingiu a marca de 8.431 indivíduos”.

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