Calor e mar azul aumentam interesse pelo mergulho na região

 

Diante de tanto calor, cresce o número de pessoas que procuram o mergulho como forma de entretenimento. “O pessoal vai mais pelo clima do que pelas condições de água, que também melhoram nessa época do ano. Céu, mar azul e sol são um convite a sair de barco e mergulhar”, afirma Luís André Lobo, um dos proprietários da Aquaplanet, empresa especializada em mergulhos em Porto Seguro e há mais de 20 anos no mercado.

Segundo Lobo, a maioria dos clientes não tem experiência com a atividade e nunca teve contato com os equipamentos utilizados. Os passeios e cursos atendem a leigos e alunos em diferentes estágios, para o mergulho autônomo - que utiliza equipamentos de respiração subaquática. O equipamento é formado por itens como um cilindro com ar comprimido e purificado, um colete equilibrador e um regulador (que regula a pressão do cilindro). Fora da água, chega a pesar mais de 25 quilos. Mas dentro não há peso, devido à densidade da água.

Mergulhar para preservar

“O mergulho é muito seguro, desde que a pessoa esteja preparada como deve”, explica Lobo. Ele realiza a maioria dos passeios dentro do Parque Marinho do Recife de Fora, para onde e leva no barco turistas de vários lugares do mundo, em busca do mergulho recreativo.

Para o primeiro mergulho, chamado de batismo, os instrutores vão levando dois por vez. Um em cada mão. A aula não dá autonomia para fazer outros tipos de mergulho. Mas, de acordo com Lobo, é mais do que o suficiente para realizar esse passeio. “A gente controla a profundidade, o tempo que a pessoa vai ficar, o consumo de ar, a distância dos corais. Com uma aula básica de 15 a 20 minutos no próprio barco, a pessoa aprende o necessário para fazer um passeio debaixo d’água”.

No entanto, diversas regras devem ser respeitadas. A pessoa deve estar bem de saúde, alimentada normalmente e seguir as instruções. O passeio custa R$ 150, com saída pela manhã, 30 minutos de mergulho, tempo para flutuação e curtir bastante o momento, retornando à terra firme no início tarde.

Conforme o instrutor, a única obrigação de quem quer conhecer o mergulho é curtir o passeio. E se pintar medo? “Ninguém está ali para fazer algo que não queira. Se não quiser começar o mergulho, não começa. A gente dá um tempo depois que a pessoa entra na água, fica se acostumando com a temperatura e a densidade, treina a respiração, já coloca o rosto na água para ver onde são feitos os mergulhos. É tudo muito gradual e acompanhado,” explica calmamente o instrutor.

Em uma semana forma-se um mergulhador, com treinamentos em piscina e no mar, prova teórica com acerto necessário de no mínimo 75% das perguntas. “É uma didática norte-americana e muito prática, muito repetitiva”. É uma certificação para primeiro nível de mergulho em águas abertas (em mar e rios, por exemplo), até 18 metros de profundidade.

Os cursos podem custar de R$ 1.600 (básico de uma semana) a R$ 5.000 (divemaster) que prepara para iniciar uma carreira, com maior aprofundamento das teorias e práticas. E já permite acompanhar um grupo, não como instrutor, e auxiliar instrutores durante os cursos e na prova de mar.

Qualquer pessoa pode mergulhar, desde que esteja em boas condições físicas, inclusive crianças a partir de sete anos de idade. “Levar uma criança para mergulhar é uma sementinha que você está plantando. Ela nunca mais vai esquecer do que viu: os peixinhos, os corais, as algas, as esponjas. Já levamos gente com pânico de água. E ela, uma mulher norte-americana, conseguiu mergulhar. Voltou chorando, agradecida”.

Maré quase sempre tá pra peixe

Há pouco mais de um ano, o estudante de Direito, Arthur Abreu conheceu o mergulho através de um amigo. “Já praticávamos o surf e um dia ele me disse: ‘vou te levar num mergulho, você vai gostar’. Gostei muito desde a primeira vez, e comecei pouco a pouco a comprar os equipamentos. Hoje, sempre que posso, estou no mar ou rio.”

Mas Arthur mergulha para pescar. Ele explica que no mar, dependendo das condições, dá pra fazer uma boa pesca, não muito distante da praia. Em locais como Arraial d’Ajuda, é possível praticar a pesca submarina sem embarcações, devido à boa condição de visibilidade da água e por ter muita pedra, que é morada dos peixes. Também no mar, há a pesca embarcada, que é mais complexa, por necessitar de uma embarcação e um pouco mais de técnica, já que leva a lugares mais profundos.

Para Arthur, a região de Porto Seguro é ótima para a prática do mergulho de pesca, pela riqueza e variedade de peixes, mas ele alerta para a necessidade de preservar essas características: “É sempre bom lembrar que ficamos de olho nas limitações do Parque Marinho do Recife de Fora, onde é proibido qualquer tipo de pescaria, além de ancorar”.

Já, no rio, é possível fazer a pesca subaquática, mas as condições dos rios da região não são muitos estáveis e nem sempre a água apresenta as condições ideais de visibilidade. É comum ver mergulhadores nos piers próximos à balsa, tanto de Porto Seguro quanto de Arraial. Arthur garante que a pesca submarina com mergulho livre (sem equipamentos) não é predatória, e ao contrário do que se ouve falar, não traz desequilíbrio ao meio ambiente. Ela se limita basicamente à pesca para consumo próprio.

Como um bom aluno, ele cita algumas normas básicas de segurança para a prática da pesca sub. “O ideal é fazer um curso, para uma melhor noção das técnicas, como de respiração, de batidas de perna, de como armar a arbalete  - arma para a pesca, de imersão, de espera - momento de observação no fundo à espera da captura dos peixes, entre outras. Além de ter que aprender o que fazer, há muito o que aprender do que não se deve fazer, para evitar acidentes que podem ser fatais ou deixar sequelas”.

Para quem tem interesse no assunto, a principal dica é que um planejamento adequado é a maior garantia de um mergulho agradável, de acordo com a PADI (Professional Association of Diving Instructors), uma das principais certificadoras de mergulho do mundo.

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