Brasil Chama África mostra Identidade Negra em arte ecologicamente correta

 

 

 

Com peças e fantasias feitas com material reciclável, comprado na mão do catador e montadas sob a supervisão do artista e carnavalesco Poncyano, o bloco Brasil Chama África levou, na terça-feira de Carnaval, 13/02/18, para as ruas do Pacatá, em Porto Seguro, o tema “Identidade Negra”.

Segundo Poncyano, o carnavalesco que criou o figurino, o bloco procurou levar para o circuito a importância da história da população negra retratada nas peças traduzidas em criatividade, brilho e força, mostrando o verdadeiro teatro de rua que é o Carnaval, com toda a sua liberdade e muito do legado cultural em cada ala do bloco. Ele, que tem experiência de carnavais no Rio de Janeiro, onde teve Joaõzinho Trinta como mestre, quis mostrar um conceito original da festa: “No ano passado nós tivemos o início de uma proposta diferenciada de blocos afro. Eles vêm dentro do tradicionalismo, da indumentária africana e puxando da origem do próprio candomblé. Com minha formação de carnavalesco, venho acompanhado a possibilidade de ter o respeito à origem e à cultura, mas com um impacto visual diferenciado”.

Fundado em 2006, o bloco é um projeto da ONG Instituto Sociocultural Brasil Chama África, que a convite da Secretaria de Turismo de Porto Seguro, se integrou aos blocos culturais da cidade. A ideia dos diretores é a promoção da igualdade racial e a não violência. Segundo Miriam Silva, fundadora do bloco, o trabalho é feito em parceria com várias instituições, como a UFSB, Movimento Cultura Afro, Grupo da Melhor Idade Alegria de Viver, grupos de capoeira e os jovens do desfile Beleza Negra, projeto da entidade. Foi a seu convite, que o carnavalesco Poncyano atuou dos Carnavais de 2017 e 2018.

Em 2017, a proposta foi falar da luta da mulher pelo emprego, pelo respeito. “Tudo foi feito de material comum (papelão, arame, cola), mas quando as fantasias começaram a ser montadas e o trabalho desenvolvido, você não acreditava que aquilo era um material tão simples, e além da proposta de Carnaval, a gente vem com o conceito de sustentabilidade ambiental”, disse Poncyano. “O trabalho é visto com muita seriedade, não só como um momento de alegria, mas de inteligência, beleza e design”.

A confecção das fantasias seguiu rigorosamente um cronograma. No primeiro ato, entrou a presidente, a paraninfa da apresentação. Atrás dela veio a logomarca do bloco. Em seguida, toda a parte tradicional com as baianas e as figuras religiosas. Por fim, vem outro abre-ala, com identidade que remete ao homem negro e a mulher negra.

Para os participantes do bloco, a filosofia de Carnaval de coletividade está na comunidade, mas há uma necessidade de melhor estrutura para a apresentação dos desfiles. Pavimentação das ruas, iluminação e maior apoio financeiro são necessidades apontadas pela direção.

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Fotos: João Cordeiro

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