Suvaco do Cabral desfila com maestria e agita avenidas no pós-Carnaval

 

Quem achou que o fôlego dos foliões de Porto Seguro acabou com a quarta-feira de cinzas, se enganou. Até 04/03 tem bloco se apresentando nos bairros. No dia 17/02/18 foi a vez do tão esperado bloco Suvaco do Cabral. Ele encerrou os desfiles no Centro partindo do Trevo do Cabral, às 16h00, com a lavagem marcada pela participação das baianas e suas jarras de água de cheiro. Aos três anos de formado, o bloco tem um incrível carisma e vem aumentando a participação de pessoas anualmente na semana posterior ao Carnaval Oficial.

Com muita gente animada e bonita, o Suvaco do Cabral passou pela avenida 22 de Abril, pça do Relógio, Passarela do Álcool, pça da Bandeira, rua São Pedro, Getúlio Vargas, Dois de Julho, encerrando no Gallo.

 

Com o tema: “O Suvaco do Cabral celebra o Carnaval Cultural”, o bloco homenageou este ano personagens que fizeram a história do Carnaval Cultural da Terra Mater. O samba-enredo, elaborado pelos compositores Sérgio Fab, Robinho, Felipe Limão, Reis e Walter, reverenciou blocos e cordões, contando como era a folia porto-segurense desde a década de 60. Pela letra, desfilaram os cordões que existiam na época, o nome das pessoas que iniciaram o Carnaval, as charangas e os blocos que estão na ativa até hoje.

Para treinar o pessoal, o Suvaco disponibilizou no Facebook um videokê e desafiou os integrantes a gravar um trecho da música e publicar, como forma de atrair participações. “A alusão ao Carnaval Cultural é uma maneira de mostrar essa riqueza não só às pessoas que moram na cidade, mas também aos turistas e ao poder público, para que ele tenha um olhar mais generoso com os blocos, que são quem realmente faz o Carnaval, e movimenta Porto Seguro, Trancoso, Arraial, Caraíva e Vale Verde. Já há alguns anos essa é a tendência pelo Brasil afora”, afirmou Renata Tardin, fundadora do bloco.

Esquentando as baterias

O esquenta do Suvaco do Cabral aconteceu com rodas samba desde o início de dezembro, todas as tardes de domingo, com concentrações no Restaurante Recanto do Gallo, na Tarifa, com a participação das baterias no ensaio aberto. O bloco costuma ser convidado para se apresentar em outras oportunidades, como no Carnaval Indoor do La Torre, no Club Med Trancoso, Ilha dos Aquários, além de convenções, no Réveillon de Santo André, no aniversário do Gallo e no TerraVista.

Segundo Renata, o Suvaco, como é carinhosamente chamado, atua o ano inteiro. “A gente trabalha também o social. Temos uma oficina ritmista, onde qualquer pessoa que quiser aprender a tocar um instrumento pode chegar. Os ensaios são abertos, no Centro de Cultura, todas as terças-feiras. Este ano o bloco sai com quatro menores acompanhados dos pais, tocando na bateria, além de uma passista”.

Ela ressalta ainda, as ações de sustentabilidade. Nos eventos que o Suvaco faz, como o desfile de Carnaval e Festival do Chopp, em agosto, no aniversário do bloco, tudo o que é produzido de latinha é recolhido pelos catadores nomeados pelo bloco de “cabralatas” e doado à Ong Voz dos Bichos. “Temos também a promoção à acessibilidade. Desde o ano passado, criamos uma plataforma para cadeirantes, que permite que eles sigam com os outros foliões em todo o percurso.”

Como surgiu o Suvaco

Renata Tardin é carioca e na adolescência teve um bloco de samba na Região dos Lagos (RJ). “Aqui eu sempre saia tocando tamborim nas charangas, mas não é o mesmo ritmo. Então tive a ideia e a gente chamou de Suvaco do Cabral, alusivo ao Suvaco do Cristo, que existe há 32 anos no Rio de Janeiro. O Suvaco do Cabral é uma brincadeira com um personagem da história do Brasil. E você ajuda também a fazer o resgate da história, misturando com a cultura e levando para o samba”.

O bloco se formou em Porto Seguro em 2015 com a ideia de resgatar a cultura do samba na Bahia. Começando com 350 foliões, atualmente tem 500 participantes, que se dividem entre componentes da bateria, da harmonia (com violão, cavaquinho, banjo e vozes), ala das passistas e ala das baianas, em parceria com o pessoal da terceira idade, do Clube da Amizade.
Segundo Renata, muita gente questionava o dia de desfile do bloco (todo sábado depois do Carnaval oficial), achando que a participação seria pequena porque todos estariam cansados de pular durante os dias normais de festa. Mas, a ideia era fazer uma festa para que todos, inclusive moradores que passaram o Carnaval trabalhando, pudessem participar. As participações só aumentam a cada ano.

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