Editorial edição 395

Está muito em evidência nos tempos modernos, a discussão sobre acessibilidade. Do ponto de vista da arquitetura, empresas, prestadores de serviço e representantes do poder público estão desenvolvendo obras e serviços de adequação do espaço urbano, das lojas, escritórios, meios de transporte e dos edifícios às necessidades de inclusão de toda a população. O propósito é de eliminar os obstáculos existentes ao acesso, incorporando essas pessoas ao convívio social, possibilitando o ir e vir. A modernidade vai além, buscando proporcionar também o acesso a todo e qualquer material produzido, em áudio ou vídeo, adaptando todos os meios que a tecnologia permite.

Enquanto em algumas cidades do mundo, e do Brasil também, os cegos, por exemplo, conseguem se locomover com total autonomia, recebendo treinamento e utilizando recursos, como trilhas construídas sobre as calçadas, em nosso município, não apenas as pessoas com dificuldade de locomoção são impedidas de circular a pé pelas ruas. Por isso mesmo, ganhou ampla repercussão a série de reportagens produzidas pelo Jornal do Sol sobre a ocupação caótica dos passeios e a Campanha de Recuperação das Calçadas, proposta pela prefeitura. Algumas iniciativas isoladas já estão sendo tomadas por proprietários de residências e pontos comerciais, mas ainda temos tudo a fazer.

Um professor universitário, muito consciente e comprometido com as causas coletivas, diga-se de passagem, revelou-nos que somente agora, depois de sofrer um pequeno acidente que o obrigou a fazer uso de uma cadeira de rodas para se movimentar, é que comprovou aquilo que já havia constatado: como é dura a vida de um cadeirante em Porto Seguro. Ausência total ou depredação das poucas rampas e pisos existentes nas ruas; portas estreitas que impossibilitam a entrada de um cadeirante, mesmo que acompanhado, em locais públicos; ausência de banheiros adaptados nos prédios, sejam eles públicos ou privados; indisponibilidade de transporte coletivo, e muito mais.

O transporte coletivo, então, representa um verdadeiro martírio na vida das pessoas idosas ou com dificuldade de se locomover. Recentemente chegou à redação do Jornal do Sol a reclamação sobre a maratona enfrentada pelos cadeirantes que necessitam embarcar em um ônibus para cumprir seus compromissos. Segundo eles, nos veículos equipados para esse fim, as rampas móveis nunca funcionam. Assim, a cada vez que precisa sair de casa a pessoa tem que avisar à empresa, que gasta o tempo que ela julga necessário, para disponibilizar o veículo. Essa operação pode demorar horas, ou até um dia inteiro, quase sempre com a intervenção da associação que defende a causa.

Embora bastante frequente no noticiário, quando o tema é acessibilidade, são poucos os motivos para se comemorar.

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