Editorial edição 400

O Brasil está prestes a atravessar um importante momento da sua história política, com a escolha dos comandantes e coadjuvantes de mais uma viagem rumo ao futuro. Uma bela chance para se debater ideias e propostas que melhorem a vida das pessoas e ajudem a extirpar da vida pública os oportunistas de plantão, que insistem em crescer e aparecer nesses momentos. O brasileiro não agüenta mais ouvir falar em corrupção e desvio de dinheiro público, por isso mesmo, em vez de aproveitar mais uma oportunidade para se informar e ajudar a escrever uma nova história, fica, muitas vezes dividido entre a indiferença e a agressão.

O fortalecimento dos meios digitais de comunicação acelera sentimentos, emoções e também a proliferação de notícias. Entretanto, um instrumento que poderia ser utilizado a favor de um processo eleitoral mais limpo e democrático acaba sendo campo fértil para a disseminação de informações falsas, as famosas fake news - um fenômeno que não é novo, nem exclusivo do Brasil - que ao se espalharem como pólvora, funcionam como um verdadeiro desserviço à justiça e à democracia.

Não se pode desejar – e nem se espera isso – que todos os leitores, internautas, tenham capacidade analítica e teórica para a compreensão de tudo que é publicado. No entanto, espera-se e, mais que isso, valoriza-se aquele cidadão que, no âmbito da democracia, cumpre fundamental papel de desconfiar, questionar, debater e de não disseminar notícias falsas. As vidas das pessoas hoje estão, em maior ou menor grau, expostas nas redes sociais, à espera de “likes”, seguidores, curtidas e compartilhamentos.

Por desinformação, interesse pessoal, preconceito ou má fé mesmo, muita gente repassa imediatamente uma informação, mesmo não tendo a certeza da sua veracidade. Sim, porque, utilizando os mesmos recursos tecnológicos que permitem a sua propagação, é perfeitamente possível, em poucos minutos, checar se um conteúdo é fidedigno. Primeiro porque se fundamentado na realidade, em pouco tempo, estará disponível em vários veículos da mídia. Depois, existem os mecanismos de busca que permitem conferir rapidamente diversos tipos de conteúdos e fontes que dão lastro à matéria.

O fake news é a forma mais desleal e antiética de fazer política. Além de refletir, muitas vezes a conduta e o caráter de eleitores que alegam estar em busca de representantes verdadeiramente honestos. Nesse momento, quando os ânimos estão exaltados, convém manter a calma e aprender a escutar. Cultivar o diálogo, não se fechar para o outro (não excluir e nem bloquear os que pensam diferente) e procurar se cercar de informações de qualidade faz diferença não só no período eleitoral, mas, essencialmente, para uma melhor qualidade de nossa democracia e de nossas relações sociais cotidianas.

E esse é um dos princípios que norteiam a conduta do Jornal do Sol, que chega esse mês à edição nº 400, renovando os princípios que conduzem à prática do bom jornalismo com credibilidade e responsabilidade.

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