Editorial edição 405

Vem se arrastando há quase uma década a discussão sobre a legalização do transporte alternativo, ou as famosas lotações, tão conhecidas da população. Quem falou em legalização? Ninguém, ou nenhuma autoridade de qualquer esfera de poder confirmou a expectativa das centenas de motoristas que estão sobrevivendo dessa atividade hoje em Porto Seguro, a possibilidade de legalizar ou regulamentar esse tipo de transporte de passageiros, que tanta polêmica, brigas e desentendimentos vem gerando na cidade.

Como declarou uma das lideranças da categoria - que já perdeu as contas das vezes em que foi até a Câmara Municipal protestar e cobrar dos edis um posicionamento sobre o assunto – há três campanhas eleitorais que a atual prefeita e seus assessores vêm alimentando nesses profissionais a esperança de permitir oficialmente que eles possam sobreviver do leva e traz de moradores para seus afazeres e na volta para casa. Eles garantem que o foco são os moradores e não os turistas, cujo transporte seria exclusividade dos taxistas, com quem, asseguram, não querem brigas.

Na outra ponta, a população parece apoiar a causa, se beneficiando da comodidade de utilizar um meio de transporte que preenche uma grande lacuna deixada pelos coletivos urbanos. Ou seja, pelo mesmo valor, o usuário tem mais veículos à sua disposição, mais agilidade, maior flexibilidade de horários e muitas vezes até a facilidade de parar exatamente no seu destino. E sem o desconforto de ter que mofar mais tempo em pontos de ônibus, expostos ao sol e à chuva, esperar nos degraus até o motorista fazer a cobrança e depois viajar espremido e sacolejando em ônibus velhos, caindo aos pedaços e conduzidos muitas vezes por profissionais despreparados.

A maioria da população prefere utilizar as lotações, mesmo reconhecendo que o serviço prestado também não é lá nenhum primor. Ou seja, o transporte coletivo perde na preferência do usuário, mesmo que o alternativo também deixe muito a desejar. A começar pela frota, com seus veículos velhos, mal conservados, e nem sempre com sua documentação em dia. Muitos profissionais inaptos também se aproveitam da balbúrdia no setor para levantar uma grana extra, desrespeitando as mais básicas regras de trânsito, como as paradas em locais proibidos.

A nova presidente da Câmara chega dando mais fôlego para uma atividade que começou tímida, ganhou e perdeu adeptos, enfrentou brigas e desentendimentos pelas ruas, teve veículos apreendidos, arrefeceu e reaqueceu os ânimos e continua dando o que falar. Até que algo de concreto seja feito. Pelo bem da classe e da população.

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