Se hay gobierno soy contra

Publicado na ed. 404 do Jornal do Sol

Esta frase anarquista, que muitos gostam de atribuir também aos argentinos, com o costumeiro sentido irônico, neste momento histórico da nossa situação político-social, deve ser banida. Me desculpem os eternos críticos do governo, os que gostam transformar em gozação todas as leis que pintam por ai, varadas sobretudo por exponentes de partidos diferentes do “nosso”. Agora, a prudência sugere: ou todos juntos para a recuperação da cidadania, ou todos separados para a destruição da democracia.  
O mais simples será a mudança de dicionário e a mídia deverá ser a primeira a parar de dividir os candidatos entre “vencedores” e “derrotados”. Deve-se parar de dizer que alguém “se elegeu”. Faz pensar muito na ideia de compra de voto. Precisa dizer que foi eleito, teve mais votos, enquanto quem chegou em segundo ou terceiro lugar, tem o mesmo direito e dever de representar os próprios eleitores, aprovando ou rejeitando o que estiver contrário à ideologia do próprio partido.

Assim sendo, nenhum parlamentar deverá dizer que estará sempre na oposição. Isto é ridículo e contraproducente.  É dever explicar o motivo da não aprovação e oferecer a contraproposta que se acredita oportuna para a população e não apenas para o sucesso ou fracasso do governo.

Soy contra... as armas

Como exemplo, analisemos a proposta de “facilitar a posse de armas na casa para se defender dos roubos”. A favor da proposta está a esperança de “intimidar os bandidos, ter mais segurança e possibilidade de inibir os assaltos e arrombamentos”. Quem acha melhor estar contra a ideia, pode alegar a que arma não oferece segurança, pois para competir com outra arma seria preciso ter a mesma capacidade de uso, a mesma força e sobretudo estar sempre alerta, com a arma “debaixo do travesseiro, ou no pijama”.

Também é comprovado que nem polícia nem exército liberam a população do perigo da guerrilha entre facções, balas perdidas, assaltos. Segurança se tem quando não existem fome, miséria desempregos. Quando se tem escolas, salários justos, trabalhos, menos diferenças sociais.

Como contraproposta, poderia ser apresentado o projeto de desarmar a população, proibir de forma absoluta e total a posse ilegal de arma. Não seria difícil. Em primeiro lugar precisa anunciar que todas as armas “ilegais” devem ser regularizadas ou entregues à justiça. Seriam pagas com preço justo, e não teria punição; mas aqueles que permanecerem na posse ilegal, seriam punidos severamente.

Após isto, com a devida organização, desta vez com as maiores forças de exército, polícia e judiciário, realizar verdadeiras varreduras minuciosas.  Os lugares seriam hermeticamente fechados por tropas e meios apropriados para uma busca total de armas e munições, usando detectores, cães, e uso, aqui sim, de delações premiadas para civis, militares, membros da justiça, em todos os setores.

Nesta operação não teria mais o problema de encontrar as provas, fazer processo às intenções, não teria mais julgamento político, vinganças partidárias: encontrou a arma ilegal, punição. Ouviu barulho de tiro, direito de intervenção imediata da polícia.  Um cara anda armado, até “exibindo” a arma para amedrontar, denúncia, delação, logo corrida das forças da ordem para prender e punir. Arma é infeção, epidemia, peste. Quando está nas mãos de muitos, é guerra; quando está na mão “da lei”, é segurança. Àqueles que disseram que é utopia pensar que seja possível desarmar a população, pode-se lembrar o exemplo de quem, sem aram alguma, é ainda o maior líder, mestre, exemplo, guia dos povos: Jesus Cristo.


Antonio Tamarri é professor de História e Teologia

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