Museu das Minas e do Metal abre edital para projetos em Arte, Ciência e Tecnologia

Artistas, pesquisadores, engenheiros, matemáticos e diferentes profissionais de toda a América Latina interessados em fomentar a discussão entre arte, ciência e tecnologia estão convidados, por meio do Edital CoMciência - Ocupação em Arte, Ciência e Tecnologia, a proporem ocupações criativas e expositivas dentro do MM Gerdau - Museu das Minas e do Metal.

O edital irá selecionar obras e trabalhos artísticos, científicos e intelectuais de pessoas, grupos e coletivos de trabalhos, que podem receber até 15 mil reais, de acordo com o projeto. Os projetos aprovados ficarão expostos no Prédio Rosa - sede do Museu, de 12 de dezembro de 2019 a 15 de março de 2020. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas até o dia 22 de agosto pelo site: http://programacomciencia.org.br , neste mesmo endereço é possível conferir o edital na íntegra. Este projeto faz parte do programa CoMciência de divulgação científica do Museu.

A temática escolhida para a primeira edição do Edital CoMciência propõe novos espaços e narrativas ao uso das tecnologias, aliadas à arte. Desta forma, o objetivo é deslocar o olhar para uma dimensão mais social e humana da ciência e de suas produções técnicas. Além disto, a proposta visa democratizar e ampliar o acesso à produção de conhecimento, refletir sobre a produção tecnocientífica por meio das artes e colaborar com a consolidação do conhecimento científico e artístico.

“O edital é uma ação ímpar de divulgação científica. Queremos abrir o espaço do Museu para que a população o ocupe e faça dele um lugar de circulação de conhecimento, de interdisciplinaridade, de desmistificação da ciência. Queremos aproximar esses conceitos da sociedade e fazer com que todos entendam que arte, ciência e tecnologia são linguagens que se integram”, explica Márcia Guimarães, gestora do MM Gerdau - Museu das Minas e dos Metais.

Os trabalhos e propostas a serem inscritos neste edital, segundo recorte curatorial, podem seguir os seguintes subtemas e modelos:

- Biologia: microbiologia, genética, o corpo, processos cerebrais- corporais, medicina, entre outros;

- Ciências físicas: física das partículas, energia atômica, geologia, física, química, astronomia, ciências espaciais, nanotecnologias, entre outros;

- Matemática e algoritmos: arte genética, fractrais, inteligência artificial, vida artificial;

- Cinética: eletrônica conceitual, instalações sonoras e robóticas;

- Telecomunicações: telefonia, rádio, telepresença, webarte, etc;

- Sistemas digitais: mídias interativas, realidade virtual, realidade aumentada, sensores alternativas, entre outros.

 Os cachês para os selecionados varia de R$ 1.000,00 a R$ 15.000,00, dependendo da complexidade do projeto e da trajetória do proponente. Além disso, os selecionados ainda terão direito a uma verba destinada para execução dos projetos que pode variar entre R$ 1.000,00 e R$ 15.000,00.  No ato da inscrição, os artistas ainda terão a oportunidade de selecionar/indicar qual(is) áreas do museu que pretendem ocupar com a(s) obra(s).

Iniciativas como esta são de extrema importância para a conceituação e entendimento de fenômenos contemporâneos que surgem através da união destas três esferas, “vivemos em uma sociedade altamente envolvida nos processos técnicos com forte influência em nossa cultura. Diante disso, arte, ciência e tecnologia comportam diálogos interdisciplinares e complementares na tentativa de explicar o nosso mundo e desenvolvermos nossas habilidades perante os desafios que vão surgindo. É somente por meio de um pensamento conjunto que podemos superar diferenças conceituais e práticas da vida,” destaca Tadeus Mucelli, realizador da Bienal de Arte Digital e também um dos curadores do edital.

Alexandre Milagres, que também assina a curadoria da seleção, complementa: “por meio deste edital o Museu demonstra seu protagonismo na divulgação científica e se alinha internacionalmente aos principais centros e instituições de pesquisa, que trabalham há algum tempo com esta convivência produtiva e criativa entre as áreas”.

O Edital e seus curadores

O edital conta com a curadoria de Alexandre Milagres e Tadeus Mucelli. Milagres é professor e artista digital, coordenador educacional do FAD - Festival de Arte Digital, membro do conselho curatorial da Bienal de Arte Digital, Mestre em Comunicação, pesquisador dos produtos e relações mediadas pelo digital, das relações de aproximação entre cinema e vídeo, das potencialidades artísticas e mercadológicas com a ampliação do acesso às tecnologias móveis e interativas. Foi também Presidente do Observatório da Diversidade Cultural, coordenou a UNA TV e o Núcleo de Convergência da UNA e coordenou os cursos de Publicidade e Jornalismo no UNIPAM.

Mucelli é artista, curador, pesquisador e gestor de projetos em arte tecnológica e cultura digital. Possui graduação em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela Universidade do Estado de Minas Gerais por meio da Faculdade de Políticas Públicas (UEMG/FAPP). Mestre em Artes pelo programa de pós-graduação stricto sensu da Universidade do Estado de Minas Gerais com temática sobre a memória, preservação e patrimônio digitais. É Doutorando em Ciências da Informação pela ECI/UFMG.

Programa CoMciência

O CoMciência é o programa de divulgação científica do MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal que, desde 2013, busca trazer temas atuais para debates, por meio de palestras e rodas de conversas, além de oferecer cursos ligados a temáticas científicas, mostras e feiras em parceria com instituições de ensino.

Como museu de ciência e tecnologia, a ideia é desmistificar a ciência como lugar intocável, de difícil compreensão ou distante do universo da maioria das pessoas. O programa busca aproximar o público do conhecimento científico, tornando-o mais palatável, com temas da atualidade e uma linguagem acessível.

Em 2019, o coMciência ganha força com a primeira edição do “Edital CoMciência – Ocupação em Arte, Ciência e Tecnologia”, uma iniciativa de fomento do MM Gerdau à divulgação científica com a ocupação criativa, artística e propositiva do Museu como espaço de diálogo com a cidade e seus públicos, e a intenção de criar uma cultura da informação de arte, ciência e tecnologia.

Os resultados serão divulgados no dia 20 de setembro no site do programa. Mais informações pelo fone (31) 3516-7200 ou no site www.programacomciencia.org.br .


Fonte: Museu MM-Gerdau - Foto: Francisco Fancischelli

Trancoso recebe em setembro 2ª edição do Organic Festival

Buscando não só difundir a importância dos produtos orgânicos, mas sobretudo propor uma ampla reflexão sobre os meios de produção e alimentação consciente, chega à segunda edição o Organic Festival. Entre os dias 12 e 15 de setembro, em Trancoso, nomes referenciais do setor vão debater com a população possibilidades e caminhos para um mundo mais viável, desde o cultivo, passando por quem cultiva até o que chega à mesa.

Idealizado e organizado pelo hotel UXUA com apoio do Capim Santo e da Conservação Internacional, o Organic Festival propõe uma série de atividades multidisciplinares que privilegiam diferentes vivências e momentos com o universo orgânico. Mais do que isso: que desmistifica e explica conceitos, trazendo as pessoas para o centro das discussões.

Para além do uso ou não dos agrotóxicos, entender sob quais outras premissas se produz o alimento: se são saudáveis as relações sociais e de gênero; se o uso do espaço e dos recursos é feito de forma eficiente (e consciente); ou como se dá a conservação da água e a reciclagem de nutrientes.

Craques da gastronomia orgânica

Mas, acima de tudo, de forma dinâmica e divertida. A programação inclui almoços e jantares com algumas das maiores autoridades da 'gastronomia orgânica brasileira', como Roberta Sudbrack, Bela Gil, Morena Leite (Capim Santo), Ju Pedrosa (UXUA), Poly Depret (Praia das Tartarugas), Neka Mena Barreto e Patricia Helu, além de inúmeros fornecedores orgânicos do sul da Bahia e de todo o Brasil.

E não para por aí! No dia 14, este time de craques unirá forças para um piquenique no Quadrado Histórico, onde farão pratos orgânicos a R$ 10 para toda a comunidade. Apresentações musicais e palestras completam a programação do sábado.

No dia 15, um luau no UXUA Praia Bar e um pocket show da cantora Céu - gratuitos para a comunidade, assim como todas as aulas e o piquenique - encerrarão o Organic Festival 2019.

Voluntários de toda a região ajudarão na coordenação evento, incluindo o grupo de ativismo e educação ambiental jovem de Trancoso, que já se apresentou na ONU e foi indicado ao Prêmio Visão Sustentável; e o Mama Trancoso (Movimento Ambientalista Mukaú Aponem) que, com o apoio do Organic Festival, está trabalhando com biólogos e engenheiros ambientais para inaugurar uma horta orgânica comunitária permanente na Associação Despertar, na rua principal do vilarejo.

Ao promover em Trancoso a integração entre a população local, os turistas e profissionais relevantes do mercado, o Organic Festival democratiza e integra a fundamental discussão sobre como produzimos e o que comemos. Uma verdadeira troca de saberes de natureza didática, divertida e real, da qual todos façam parte. Afinal, conecta toda a sociedade em torno de um bem comum, num diálogo que envolve saúde pública, sustentabilidade e, acima de tudo, a construção de um futuro possível.

O UXUA pratica jardinagem orgânica há dez anos no centro histórico de Trancoso, alimentando funcionários e clientes, além de investir em educação comunitária. O Organic Festival 2019 coincidirá com uma novidade importante: o lançamento da iniciativa de bem-estar tropical UXUA Vida, comandada pelo diretor médico Dr. Julian Hamomoto.

O criador do UXUA, Wilbert Das, diz: “Não há lugar mais autêntico para um Festival Orgânico que Trancoso, onde a vida, até recentemente, foi construída em torno da pesca e da agricultura tradicionais, e os primeiros forasteiros hippies que se instalaram aqui procuravam uma utopia. O primeiro restaurante aberto em 1981 foi um café macrobiótico, que hoje é o Capim Santo. Valores e princípios orgânicos sempre estiveram presentes aqui, e hoje vale celebrar”.

Programação

Quinta - 12/09/19

Coquetel de boas-vindas

Restaurante Capim Santo

Jantar de abertura

Sandra Marques e Morena Leite recebem Neka Mena Barreto no restaurante Capim Santo

Sexta - 13/09/19

Abertura Casa Organic Festival no Quadrado

Aulas Gratuitas ao longo do dia

Almoço por Poly Depret com vinhos naturais da Vinha Unna na Praia das Tartarugas

Jantar natural por Bela Gil no UXUA Quadrado

Sábado - 14/09/19

Piquenique no Quadrado com pratos das Chefs

Aulas gratuitas e música acústica

Jantar por Roberta Sudbrack

Vinhos naturais Unna por Marina Santos no restaurante UXUA Quadrado

Domingo - 15/09/19

Inauguração de Horta Comunitária na Associação Despertar

Brunch por Danielle Dahoui no Santo Café

Luau no UXUA Praia Bar

Pocket-show da Ceú


Fonte: Tâmara Siqueira - Foto: Bela Cozinha (Cora Food Concept)

Filha da terra, Yasmim brilha na direção teatral em Salvador

Atualmente, uma jovem cineasta, com iniciação no palco do Centro de Cultura de Porto Seguro, está se destacando na capital como diretora de peças de teatro. Yasmin Müller, de 27 anos, é diretora teatral, atua na área do audiovisual como atriz, diretora de arte, coordenadora do Curso Livre de Cinema (CLIC) e ainda leciona aulas de teatro em Salvador e Região Metropolitana.

Ela nasceu no Rio de Janeiro, mas mudou-se com a família para Porto Seguro aos oito anos de idade, onde passou a adolescência, concluiu o Ensino Médio, estudou canto coral na orquestra sinfônica e iniciou as atividades do grupo teatral “Prosopopeia” do qual fez parte entre 2010 e 2013.

Em Salvador, ela segue em cartaz em 2019 na direção dos espetáculos: “Yerma”, do trabalho de conclusão da graduação em Direção Teatral, em fevereiro deste ano, e “Violeta”. Mas deseja trazer para a Costa do Descobrimento um pouco do seu talento. “Pretendo realizar uma temporada com essas obras em Porto Seguro, afinal foi onde pisei nos palcos pela primeira vez como atriz e diretora”.

Em 2010, apresentou-se pela primeira vez, no Centro de Cultura de Porto e com o espetáculo infantil “Brincando de Brincar”. “A montagem resgatava brincadeiras e cantigas guardadas no baú da memória e utilizava uma linguagem divertida, didática e criativa”, conta a jovem. Nesse mesmo ano, Yasmin adaptou e dirigiu a obra “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, apresentado no Seminário de Literatura do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães. A montagem foi convidada para ser apresentada no Centro de Cultura de Porto Seguro, durante o Projeto Kizomba, promovido pelo Instituto Sociocultural Brasil Chama África – ISBA, na V Semana da Consciência Negra.

Divisor de águas

Em 2012 um curso profissionalizante de teatro em Porto Seguro tornou-se o divisor de águas na sua carreira. O Retrate – Requalificação dos Trabalhadores de Teatro, em parceira com o Sated - Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões. Concluindo o curso, foi selecionada para audição do espetáculo “Mar Morto”, dirigido por George Vladimir e produzido pela Sitorne – Estúdio de Artes Cênicas. E assim, foi para Salvador. Sendo aprovada na seleção, mudou-se para capital baiana com vinte anos de idade, em busca de capacitação e aperfeiçoamento.

O espetáculo “Mar Morto” foi o primeiro espetáculo profissional que integrou como atriz, em importantes palcos soteropolitanos - iniciando a temporada no teatro Molière, e passando pelos teatros Jorge Amado, Vila Velha e Sesc - Senac Pelourinho. A montagem ficou em cartaz durante um ano e foi vencedora do prêmio Braskem de teatro na categoria revelação em 2012.

Yasmin Müller, concluiu sua primeira graduação no Bacharelado em Artes em 2015 e logo, em seguida entrou no curso de Artes Cênicas com habilitação em Direção Teatral na Escola de Teatro da UFBA. Como estudante de direção, realizou importantes trabalhos, dentre eles, uma adaptação de três obras do autor Bertolt Brecht -“Tríptico de Brecht”.


Fotos: Uri Menezes

Legenda: “Yasmin Müller estreou nos palcos de Porto Seguro e continua brilhando cenário artístico da  capital”

Memorial da Ancestralidade reconta a evolução tecnológica da humanidade

Quando adquiriu uma velha roca no Rio Grande do Sul, o empresário Cícero Senna não imaginava que aquela seria a primeira peça de um museu de verdade, que foi ganhando corpo e conquistando seu espaço próprio, com a nobre missão de resgatar artefatos que recontam a saga humana em busca da evolução e da sobrevivência em nosso planeta. Essa mais uma das “invenções” do empreendedor, que possui negócios em Porto Seguro e Salvador, na área de hotelaria e incorporação imobiliária.

Apaixonado pela História, em suas andanças pelo mundo, Cícero foi adquirindo peças em Londres, Buenos Aires, Panamá, Alemanha, África do Sul, Male, Congo, Suíça, Porto Seguro e também pela internet. Cinco meses depois da primeira, essas preciosidades estão reunidas em um andar inteiro do Hotel Portobello Ondina Praia em Salvador, batizado de Memorial da Ancestralidade dos Objetos, “procurando preservar parte dessa rica história e como tributo aos intrépidos ancestrais do passado”.

São peças de 50 milhões de anos e outras mais modernas, que tentam responder à inquietação do empresário, com seu espírito visionário: “você sabe o tamanho do caminho percorrido para chegarmos até aqui?” Instrumentos utilizados nas aventuras ultramarinas, nos escritórios e também nos afazeres domésticos. Mapas, fósseis, astrolábios, bússolas, sextantes – instrumento de navegação elaborado para medir a distância entre um astro e a linha do horizonte, bilros, ferro de passar, máquinas de costura, máquinas registradoras, rádios, relógios, lampiões, lamparinas, telefones, balanças. Tudo oferecido pelo Instituto Portobello. O museu, aberto a hóspedes e visitantes do Portobello Ondina Praia e do Portobello Centro de Eventos, está sendo organizado com o apoio de uma museóloga.

Uma curiosidade à parte fica por conta dos tataravós, avós, pais, precursores da comunicação moderna, como brinca o idealizador da façanha. É o telégrafo, máquina de datilografia, telex, mimeógrafo, fax, peças que lançaram as sementes para a verdadeira revolução provocada pela internet no mundo moderno. “É curioso notar como a humanidade passou por uma evolução tão acelerada. Em apenas uma geração, há filhos que não têm a menor ideia do que seja um fax, telégrafo, mimeógrafo e máquina de datilografar, objetos amplamente usados pelos nossos pais em passado recente. Não podemos deletar esse passado”, ensina. Não mesmo.

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