Lembranças de São João


O tempo esfriou, a chuva chegou e uma coisa vem na cabeça: vamos armar a fogueira porque já é São João! Pra ser sincero, lá na minha terra, a Festa Junina é bem mais modesta do que a comemorada aqui no Nordeste, mas como vocês sabem, eu tenho sangue Sergipano. Meu pai sempre fez questão de ir para São Cristovão (terra de mainha) nessa época do ano. Dois mil quilômetros separavam Santos até o destino final, ou seja, dois dias de carro para chegar e nos hospedar na casa de minha bisavó para passar quinze dias de festa. E que festa! 

Apesar da simplicidade do interior de Sergipe, a mesa estava sempre farta e a alegria estampada no rosto do povo. Isso me marcou! Outra lembrança que foi marcante e fica até hoje na minha cabeça, foi quando eu tinha meus 6, 7 anos de idade, em uma dessas quadrilhas de escola. Fugi e larguei meu par dançando sozinha, que vergonha!

Agora por último e não menos importante, a comida que mais me marcou em todos esses tempos vem lá do interior também. Minha Bisavó sempre fazia umas bolachas de goma que eram divinas. Sempre quando voltava pra casa, eu levava pelo menos um cento para ir comendo no caminho, afinal, eram dois dias de viagem para chegar a Santos, e elas eram realmente viciantes. Na verdade, até hoje sou apaixonado por esses biscoitos, tanto é que minha vó veio me visitar recentemente aqui na Bahia e me trouxe um cento que foi devorado em uma semana, tempo recorde para mim. Aproveitei e pedi a receita e agora compartilho com vocês.

Feliz São João!

Bolacha de Goma da Dona Erivalda (rende 100 unidades)

Ingredientes:

600 g de goma, 250 g de margarina, 01 gema de ovo, 300 g de açúcar, 01 coco ralado.

Modo de Preparo:

Em um pano limpo e seco coloque o coco ralado e esprema até tirar todo o sumo do coco que deve dar em média 1/2 xícara de leite. Coloque na batedeira a gema, 200 g da margarina, o açúcar e o leite, bata bem. Aos poucos despeje a farinha de goma e continue batendo. Quando a massa for ficando homogênea, desligue a batedeira e termine de amassar na mão, se preciso for, adicione mais farinha de goma até que a massa dê o ponto de fazer bolinhas. Unte as assadeiras com margarina, faça as bolinhas e ponha para assar em forno médio, lembrando que deve se dar um espaço entre os biscoitos. Quando os fundos dos biscoitinhos estiverem dourando, vire o lado e leve ao forno novamente por alguns minutos, muito cuidado para não deixar assar muito. Depois retire do forno deixe esfriar e estará pronto para saborear.

Bom Apetite!


Caio Silva é chef, um paulista apaixonado por comida

Alimentação consciente

Em recente visita a São Paulo, tive a oportunidade de visitar alguns mercados locais e pude ver a fartura de variedade e quantidade de alimentos que possuímos em nosso país. Ao mesmo tempo, percebi também o grande desperdício desses alimentos no entorno desses locais.

É incompreensível que, num país onde pessoas ainda morrem de fome, se jogue tanta comida no lixo, e tudo isso por causa do lucro acima de qualquer coisa. Não podemos mais tolerar esse tipo de comportamento em pleno século XXI. Temos que tomar atitudes para que se tenha uma agricultura familiar mais organizada, melhorando a qualidade e o custo do alimento em menor escala, distribuindo o produto igualmente para quem necessite, evitando o desperdício e amenizando o problema da fome.

As soluções já existem e todos nós sabemos; o que falta é a ação da população, conscientização dos produtores e a efetiva cobrança da fiscalização por parte do poder público, punindo o desperdício com aplicação de multas. Para ilustrar como podemos colocar isso em prática e fazermos nossa parte, vejam abaixo uma receita de alimentos reaproveitados que qualquer um pode fazer em casa. Seja consciente e bom apetite!

Fricassê de sobras de frango assado com arroz branco, purê de batata e crisp de casca de batata

Ingredientes

01 xícara de sobras de frango assado sem pele, 01 cebola, 01 colher de sopa de manteiga, 02 colheres de sopa de óleo de soja, 1\2 lata de milho verde, salsinha a gosto, 01 lata de creme de leite, 01 pitada de sal, 01 pitada de pimenta do reino, 01 dente de alho, 01 xícara de arroz branco, 02 xícaras de água, 02 batatas, 01 xícara de leite.

Modo de Preparo:

Em uma panela com água colocar as batatas descascadas para fazer o purê. Colocar as cascas em uma assadeira, temperar com sal e um fio de óleo de soja e assar por 30 minutos a 180ºC em forno pré-aquecido.

Dourar o alho com uma colher de óleo de soja em uma caçarola, adicionar o arroz, água e sal a gosto até que fique cozido.

Desfiar as sobras de frango e em outra panela refogar a cebola e o milho verde com manteiga, depois que dourar, adicionar o frango, o creme de leite e finalizar com salsinha, sal e pimenta do reino.

Depois de cozida, amassar as batatas e finalizar o purê com leite, manteiga e sal.

Servir o fricassê acompanhado do arroz, purê de batata e o crisp de casca de batata.

 


Caio Silva é paulista , apaixonado por comida. Atualmente, chef de cozinha no Hotel Campo Bahia

Mulheres da Minha Vida

Publicado na edição 406 do Jornal do Sol

 

Enfim, 2019! Depois do Verão e do Carnaval, podemos dizer que o ano realmente começou. E como pontapé inicial, nada melhor que celebrarmos Março, mês em que comemoramos o Dia da Mulher. Como todos os homens, também sou fruto de uma grande mulher e totalmente dependente de algumas delas. Minha mãe, que infelizmente já faleceu, foi quem me guiou e é exemplo até hoje de como agir e se comportar diante dos problemas mais diversos.

Retirante da cidade de São Cristóvão (SE), foi, juntamente com minha avó - outra mulher de garra que criou seis filhos sozinha - para a cidade de São Vicente, no Estado de São Paulo em busca de uma vida mais próspera. Passou por muitos perrengues e dificuldades para me criar e me dar todas as oportunidades que não teve. Além de minha mãe e minha avó, não posso esquecer da minha madrinha Leca, que me aturava por longas temporadas de férias em sua casa e me ensinou a ser uma pessoa de fé. Impossível também deixar de falar da minha Tia Cristina, de quem sempre fui muito próximo e até hoje é a primeira pessoa pra quem eu ligo para desabafar e pedir conselhos. 

Poderia passar o dia enumerando aqui todas as maravilhosas mulheres da minha família – das tias às primas - pois com absoluta certeza são parte importante do homem que me tornei.  Por fim, não posso esquecer de falar da mulher que eu mais amo: minha noiva Mariana, sempre me dando suporte e apoio nas horas mais difíceis e me incentivando em tudo que almejo. É ela inclusive, quem faz questão de revisar meus textos para que eu não cometa nenhum erro crasso nessa coluna mensal.

Sendo assim, só posso dizer duas coisas para todas essas mulheres maravilhosas que fazem parte da minha vida: Obrigado e Parabéns! Continuem a ser essa força motriz que faz da nossa sociedade um lugar mais justo e melhor de se viver. Agora, nada melhor do que uma sobremesa que minha mãe sempre fazia para adoçar a vida e homenagear a todas as mulheres. Feliz mês da Mulher! 

Pudim de Leite da Celinha

Ingredientes:

1 xicara de leite condensado, 1 xícara de creme de leite, 1 xícara de leite, 3 ovos, 1 xícara de açúcar, 1\2 xícara de água.

Modo de Preparo:

Calda: Em uma panela de fundo largo derreta o açúcar até ficar dourado, junte 1/2 xícara (chá) de água quente, mexa com uma colher e deixe ferver até dissolver os torrões de açúcar e a calda engrossar. Forre com a calda uma forma com furo central (19 cm de diâmetro) e reserve.

Pudim: Bata todos os ingredientes do pudim no liquidificador e despeje na forma reservada. Asse em banho-maria, em forno médio (180º C), por cerca de 1 hora e 30 minutos. Depois de frio, leve para gelar por cerca de 6 horas. Desenforme e sirva a seguir. Bom Apetite!


Caio Silva é um paulista apaixonado por comida. Atualmente chef de cozinha no Hotel Campo Bahia

Tempo de refletir e celebrar

Publicado na edição 407 do Jornal do Sol

No mês de abril celebramos a Páscoa, que é a ressurreição de Cristo. Renovamos a fé de que dias melhores virão após a tempestade. Todo esse período de Quaresma que antecedeu a Páscoa, serviu para reflexão interior, afim de nos tornarmos seres humanos cada vez mais espiritualizados e sempre em busca de um mundo melhor.

Principalmente nos dias atuais, em que estamos correndo pra lá e pra cá, às voltas muitas vezes com tragédias e tristezas. Devido a tudo isso, torna-se absolutamente necessário tomarmos um tempo para nós mesmos refletirmos sobre nossas ações. Ajudar ao próximo e praticar a empatia são ações essenciais para nossa evolução pessoal e do planeta. Dias mais felizes estão por vir e só depende de nós! Basta acreditar e colocar em prática.

Para a receita desta edição, vai um clássico que deve ser o favorito de 99% das famílias brasileiras nessa data: o famoso bacalhau! Essa é uma receita que aprendi nesses anos de carreira e fui adaptando ao meu gosto. Bom apetite!

Bacalhau à Moda do Chef (serve 6 Pessoas)

Ingredientes

1,5 kg de bacalhau salgado, 800 g de batatas descascadas e em fatias entre 0,5 e 1 cm, 2 cebolas grandes fatiadas, 2 dentes de alho picadinhos, 2 tomates maduros sem pele e sem semente cortados em pedaços grandes, salsa picada, 100 g de azeitonas pretas sem caroço, 1 pitada de pimenta-do-reino (se gostar), 3 ovos cozidos, azeite para regar, sal a gosto.

Modo de Preparo:

Deixe o bacalhau de molho de um dia para o outro, trocando a água pelo menos 3 vezes. Desfie e reserve.

Em uma panela grande, coloque as batatas, cubra com água e cozinhe por cerca de 20 minutos, com a panela tampada. Escorra, corte as batatas em rodelas finas e reserve.

Em um refratário retangular untado com azeite, faça camadas, começando com os tomates, depois a cebola, as batatas, o bacalhau, as azeitonas e o cheiro-verde.

Tempere com 1 colher (chá) de sal e regue com o azeite. Repita o processo e finalize com os ingredientes que restarem. Finalmente, distribua sobre a superfície as rodelas de ovo cozido, regue novamente com o azeite de oliva e leve ao forno baixo (150°), pré-aquecido, por cerca de 1 hora ou até que os ingredientes estejam "al dente".

 Sirva em seguida com arroz branco, salada verde e o vinho da sua preferência. Se sobrar, sirva frio no dia seguinte. É uma delícia também!


Caio Silva é um paulista apaixonado por comida. Atualmente chef de cozinha no Hotel Campo Bahia

Homenagem à Rainha do Mar

Publicado na edição 402 do Jornal do Sol

Pelo 3º ano consecutivo, celebrou-se na cidade de Santa Cruz Cabrália e arredores o Festival da Lagosta. Entre 15 e 25 de novembro os restaurantes da região prepararam surpresas especiais elaboradas com a rainha do mar. Abundante por aqui e extremamente versátil, a lagosta aparece em pratos variados como moquecas, ceviche, massas, risotos, podendo também ser flambada ou grelhada.

Para este ano, o festival ganhou um novo atrativo: uma banca de júri irá selecionar os melhores pratos numa maravilhosa e saudável competição onde quem ganha, com absoluta certeza, são os visitantes que podem saborear os mais variados pratos. Como chef participante estou realmente ansioso com mais essa edição, já que a última teve uma grande repercussão e movimentou todos os restaurantes envolvidos, além do comércio local.

O prato que executei neste festival foi o Arroz Suculento de Lagosta e Abóbora com Redução de Melaço e Tamarindo, e claro, compartilho a receita aqui. Afinal, comida boa deve ser dividida e multiplicada!

Arroz Suculento de Lagosta e Abóbora

Ingredientes (para duas porções):

1 lagosta inteira, 150 g de abobora jacaré em cubos médios, 25 ml de azeite extra virgem, 150 g de arroz arbóreo, 50 g de cebola branca em cubos pequenos, 15 g de alho picadinho, 50 ml de vinho branco, sal a gosto, pimenta do reino branco a gosto, páprica doce e picante a gosto, salsinha picadinha a gosto, 1 unidade de limão siciliano, 50 ml de melaço de cana, 25 ml de tamarindo em pasta, 5g de sementes de cardamomo, 100 ml de água, 30 g de queijo parmesão, 25g de manteiga.

Modo de Preparo:

Primeiro limpe a lagosta. Depois corte em cubos e tempere com sal, pimenta, páprica e limão siciliano. Coloque a casca da lagosta em água fervente e faça um caldo.
Em outra panela, misture o melaço, água, tamarindo e o cardamomo e deixe cozinhar em fogo baixo até que reduza e tenha uma consistência de molho grosso.
Numa caçarola, coloque o azeite e a lagosta temperada. Após selar rapidamente, remova a lagosta e reserve. Depois acrescente a cebola e o alho. Quando murcharem, coloque a abobora em cubos e adicione um pouco do caldo preparado anteriormente. Espere que a abóbora fique al dente. Acrescente o arroz arbóreo, o vinho branco e o resto do caldo de lagosta para que cozinhe o arroz. Quando o arroz estiver quase pronto, devolva a lagosta em cubos para a caçarola.  Ajuste os temperos do arroz e finalize fora do fogo com o parmesão ralado, salsinha e a manteiga - mexendo bem rápido. Sirva no prato com a redução de melaço de cana e tamarindo.  Bom apetite!


Caio Silva é um paulista apaixonado por gastronomia. Atualmente, é chef de cozinha no Hotel Campo Bahia

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