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Fisio

Sylvia e Juca

Homenagem: Maria Sylvia Pires Muniz de Carvalho

O casal Sylvia e Juca - ela sempre primeiro, foi por décadas um exemplo de amor, respeito, cuidado e dedicação. Em Porto Seguro, no Rio de Janeiro, em todos os locais do mundo que conheceram, foi inspiração.
Criadores do lendário restaurante Anti$Caro, pais de dois filhos e avós de sete netos, esses apaixonados por Porto Seguro trouxeram, quando se mudaram para cá, no início da década de 1980, a elegância dos nobres e a simpatia dos artistas populares.
No dia 11/01, D. Sylvia, aos 86 anos, nos deixou, para tristeza de Seu Juca, da família e de inúmeros amigos e admiradores. Em homenagem, o Jornal do Sol republica os melhores trechos da histórica e deliciosa entrevista que o casal concedeu, em janeiro de 2013, para a coluna Persona.
Maria Sylvia Pires Muniz de Carvalho nasceu no Recife/PE e foi professora poliglota de grande coração. Por 62 anos esteve casada com o calmo e bem humorado soteropolitano Joaquim Pires Muniz de Carvalho Neto, 87, “metido” a cozinheiro.

O que vocês faziam no Rio de Janeiro?
Sylvia - eu era professora de inglês, francês e alemão.
Juca - em Petrópolis, no Colégio Rio Branco, que funcionava na casa do Barão de Rio Branco. Ela fazia caridade com a escola de pobre, ou seja, tomava dinheiro dos ricos para os pobres (risos). Era uma espécie de Robin Hood.
Sylvia - A “escola de ricos”, era fantástica, porque tinha um ensino vivenciado.

Como vocês se conheceram?
Sylvia - Eu morava em frente a ele, no Rio de Janeiro, na Senador Vergueiro. A minha tia que veio da Bahia me levou pra conhecer a família dele. E, depois, eles foram nos visitar.
Juca - Lá em casa tinha uma varanda e ela ficava me mostrando o céu falando: a luz verde o que é? E ela ficava me abusando (muitos risos).

Como foi a decisão de vir morar em Porto Seguro?
Juca - a mãe de um dos alunos da Sylvia, uma chilena chamada Soledad, casada com um médico muito conceituado, tinha o hobby de comprar casas de pescadores por onde viajava. Ela tinha uma casa aqui, na travessa Assis Chateaubriand, e falava tanto na cidade, que nós resolvemos alugar esta casa. Falava-se muito que Porto Seguro era o máximo, a Paris da Bahia, um estouro! Depois compramos.
Sylvia – acabamos de comprar a casa e uma pessoa insistiu tanto em alugar para colocar uma butique e aí resolvemos alugar três meses por 1.500 dólares (preço que compramos). Ela nos pagou 750 dólares e disse que levaria o restante até o Rio. A gente não acreditou, mas já estávamos achando tão bom que não nos importaríamos se ela não tivesse ido. Ela era de Governador Valadares/MG, uma mocinha de palavra, que realmente cumpriu o que prometeu.

Como surgiu a ideia de montar o lendário restaurante Anti$caro?
Sylvia - Nós queríamos mostrar que você podia oferecer comida boa sem explorar.
Juca - Com os móveis da família ela queria fazer um antiquário. E eu sou metido a cozinheiro. Juntamos a ideia do antiquário e o ambiente foi se formado aos poucos. Aquele vinho (mostra a garrafa) foi um dos presentes deixados pelo meu avô, vinho do Porto, de 1917, no período do fim da Primeira Guerra Mundial.
Sylvia - Tínhamos uma mesa grande para 10 lugares, uma para quatro lugares e uma para dois lugares. O espaço era formado por uma sala com as mesas, sofá e outras duas mesas de dois lugares. Era considerado o melhor restaurante de Porto Seguro. Os clientes ligavam de outros estados para reservar as mesas.

Qual o segredo do sucesso do Anti$Caro?
Sylvia - Ficamos 20 anos com o restaurante. O segredo é que comida era a nossa, da terra, feita com tudo do melhor. A gente não cozinhava com azeite ruim. Naquela ocasião era uma delícia, porque vinha tanta gente, da alta sociedade, governadores de estado, e iam todos para o restaurante. Era um público completamente diferente do que tem hoje. Deixavam lindas mensagens no Livro de Ouro, que a gente guarda com muito carinho. Cartas enigmáticas, pessoas de alta relevância, deputados, senadores, prefeitos.

A Srª foi candidata a vereadora. Qual foi a grande lição dessa experiência?
Sylvia - Política é muito difícil. A minha ideia era fazer com que as pessoas vissem as coisas de uma maneira correta e não fizessem para benefício próprio, mas pelas pessoas que as elegeram. Depois eu vi que quem chegava lá mostrava apenas interesse próprio. Isso me marcou muito, eu nasci correta e acho que vou morrer correta. Eu tinha uma escola na agrovila, de nome SOS Brasil, escola de reforço (para crianças e adolescentes em situação de risco), com capoeira, música, alimentação, era uma instituição de primeiro mundo, colocada no interior de Porto Seguro, sem ajuda nenhuma da prefeitura. Apenas na época de Jânio Natal ele ajudou. A escola durou enquanto durou o restaurante.

O que falta para Porto Seguro ser uma cidade melhor de se viver?
Juca - Eu quero que a cidade cresça. Hoje em dia, o que você mostra mais em Porto Seguro? Shows na passarela, que não é mais Passarela do Álcool. O novo “apelido” não pegou mesmo e não vai pegar (referindo-se ao nome Passarela do Descobrimento). Há dois restaurantes (o da Helô e o Portinha) que são os únicos em que você encontra o popular e o fino. A saúde está péssima. A gente espera para Porto Seguro, a melhoria da clientela, de bom nível de renda.

Qual o segredo para se viver 61 anos juntos e felizes?
Juca - Eu tô o mesmo, não mudei nada (riu e mostrou uma foto de 1953, na Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Sylvia - Você tem que ter muita compreensão. Ele nunca me desrespeitou, sempre foi muito correto, pelo menos na minha frente (risos), sempre foi muito carinhoso, até hoje é, tem muita preocupação comigo, cuida da minha saúde, se preocupa com meus remédios, muito mais ele comigo do que o contrário.
Juca - Somos um casal que soube aproveitar os 80 anos que tem. Viajamos metade do mundo.
Sylvia - Fizemos cruzeiros de navios de luxo, saindo de Miami, conhecemos África do Sul, Grécia, fizemos viagens em navio cargueiro pela América do Sul e América Central, como representantes do comandante do navio, éramos os armadores. Quando o comandante queria trocar dinheiro, nós é que trocávamos, porque ele ficava lá em cima.  Íamos e nos misturávamos com o pessoal da cozinha, a gente andava por todas as classes, conversava e compartilhava com eles, nos “metíamos” lá com eles.

Jogo rápido
Maria Sylvia Pires Muniz de Carvalho
Signo: Aquário
Time do coração: Vasco da Gama
Hobby: viajar
Musica: todas as românticas da minha época
Cantor: Nat King Cole
Comida: a nossa, brasileira, feijoada, rabada
Bebida: adoro beber uísque, cerveja, vodka, qualquer bebida que tenha álcool
Tempero: tudo bem temperado
Um aroma: cheiro agreste, de terra
Restaurante em Porto Seguro: Portinha e Bitrô da Helô
Lugar em Porto Seguro: praia
Lugar especial fora de Porto: Santo André e Fazenda Mãe Teresa, em Cabrália
Pessoa especial: meu marido
Uma personalidade da cidade: Jânio (Natal)
Um arrependimento: não ter vindo para cá a mais tempo
Uma conquista: sabedoria, prestígio, conquistei muita coisa aqui, foi muito bom
Uma saudade: da minha mãe, do meu pai, da minha família lá do Rio, dos meus que já se foram
Uma alegria: viver com esse marido maravilhoso que me ama de paixão e cuida muito bem de mim. Alegria grande
Um agradecimento: a Deus por ter me feito como sou. Não queria mudar nada, ter nascido onde nasci, com todos os meus defeitos e qualidades. Tá tudo ótimo
Qualidade: sou muito inquieta, quero conhecer sempre mais
Defeito: preguiçosa
Elegância é: ser correto, leal, sincero nas suas amizades
Eu me defino como: uma pessoa que quer sempre conhecer muito mais, ir além do que  tenho ou talvez do que eu possa. Adoro cuidar, desde menina, de gente que pode menos.

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