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Fisio

Dilza Reis


Dilza Reis Saigg iniciou sua carreira profissional aos 17 anos e desde muito cedo ela compreendeu a missão que o destino lhe reservava. E abraçou com todas as forças a profissão, que lhe trouxe desafios, mas também lhe apresentou o caminho do sucesso. Aos 55 anos e mais de três décadas de profissão, ela se orgulha de conhecer de perto todos os níveis da educação, desde a alfabetização até a universidade, chegando a um lugar reservado para poucos na gestão pública, como secretária de educação em dois municípios.

Com muita sensibilidade, capacidade de diálogo e esperança no futuro, ela vai desatando nós, agregando pessoas e encontrando soluções. Até mesmo em situações inesperadas, como quando se tornou mãe especial de Lara, uma menina que escreve com ela e sua família a parte mais bonita da sua história.   Casada com Mahomed Saigg e mãe de Fabiana, Fernanda e Lara, nesse mês de maio, Dilza Reis Saigg - desde sempre e para sempre professora - serve de exemplo e inspiração como mulher e mãe, que traz a missão de educadora correndo nas veias e pulsando no coração.

Que recordações você guarda da sua infância?

Eu nasci em Serra dos Aimorés, em Minas Gerais, divisa com a Bahia e aos 12 anos vim para Itamaraju. Eu tive uma infância muito boa. Sempre consegui tudo o que eu quis na vida, porque aprendi dentro da família a levar o braço só até onde eu alcançava. Sou a primeira filha de oito irmãos, família bem humilde, minha mãe costurava, até hoje costura, e meu pai sempre foi um grande trabalhador. E tudo o que eu tenho, de valores, eu agradeço a meus pais, à educação que eu recebi e que eu tento passar hoje para as minhas filhas. Os valores, o respeito, a valorização da vida e a valorização do outro foram heranças da família.

E como começou a sua história com Porto Seguro?

Como a maioria das pessoas, eu vim primeiro para passear. Depois de morar em Itamaraju por mais de 15 anos, fui para os Estados Unidos com meu marido, moramos lá quase dois anos, e quando voltamos, viemos azer um passeio e aqui nós ficamos. Ele advogado, eu professora, poderíamos optar entre Itamaraju e Porto Seguro, e decidimos que aqui seria a nossa morada. Como professora eu bati na primeira porta de uma escola, que era a Pituchinha, da professora Ondina. A gente ficou conhecendo ela, seu marido Bira, e comecei a trabalhar lá, em 1986, dando aulas de Português e Inglês.

E como foi a evolução da sua carreira profissional?

Eu me formei no Magistério, em Itamaraju, e a minha vida profissional começou dentro de uma sala de aula, aos 17 anos. Saí do ensino Médio para ser professora e até hoje eu estou no chão da escola. Alguns anos depois, nos juntamos em um grupo para fazer Pedagogia na faculdade mais próxima da Bahia, que era em Teófilo Otoni (MG) e oferecia curso semipresencial. Aí eu fiz o vestibular e conclui a graduação em Pedagogia. A partir daí, as portas foram se abrindo e sou hoje uma profissional com atuação em todos os níveis de ensino. Atuei 10 anos na alfabetização, que para mim é o maior momento de um educador, porque você recebe um aluno que não sabe pegar no lápis e o entrega lendo, com entonação. E Isso é muito bonito, é a maior realização de um educador. Quando vim para Porto Seguro atuei na Educação Infantil, Fundamental I, Fundamental II, Ensino Médio e depois na universidade, sempre nos corredores das escolas, tanto públicas como priadas. Nesses quase 30 anos de profissão, além de professora, eu fui coordenadora, diretora e assumi a Secretaria de Educação em Porto Seguro, por três mandatos e depois em Itamaraju.  Isso me trouxe muitos desafios, mas também muito conhecimento, foi onde eu mais aprendi na área de gestão.

E qual foi o maior aprendizado nessa sua atuação como gestora de educação?

A maior experiência que tive com gestão foi a de trabalhar totalmente pautada no diálogo. Aprender a ouvir foi uma habilidade que eu desenvolvi muito bem na minha vida. Eu antes não sabia que era isso que facilitava os resultados, mas a maturidade me mostrou isso. Na gestão pública os problemas são grandes, os enfrentamentos imensos, mas sem o diálogo você não chega a lugar nenhum.

O que falta para atingirmos uma educação pública de qualidade?

A gente vem trabalhando a vida inteira para conseguir a tão sonhada educação pública de qualidade. E nós entendemos que quando as famílias puderem estar bem próximas da escola, nós vamos conseguir dar um passo muito largo. Nós já conseguimos muito. Imagine que antes o Governo Federal enviava recursos para os municípios apenas para atender o Ensino Fundamental, de 7 a 14 anos. Hoje foi agregada também a Educação Infantil, as creches, criando a possibilidade das famílias irem trabalhar e deixarem seus filhos nas escolas. Mas é difícil atingir a qualidade em função da falta de compromisso de toda a sociedade. Claro que ainda temos uma parcela de professores que ainda não assume esse compromisso, mas 70% já compreendem. Existem recursos, capacitações, muito empenho por parte dos educadores. Mas precisamos do total envolvimento das famílias. Isso é até um apelo que eu faço. Queremos pais mais presentes, que procurem saber o que está acontecendo na escola, a que horas seu filho saiu, que horas ele chegou em casa. Precisamos compartilhar isso. Família e escola precisam ter muito mais parceria para que possamos atingir a qualidade no ensino.

Existe uma diferença de comportamento nas escolas públicas e particulares?

Essa é a pergunta que não quer calar, porque se você observar, muitas vezes nós temos os mesmos professores nas escolas públicas e privadas. Mas a gente percebe que os pais das escolas privadas são mais presentes. Enquanto isso, na escola pública a fila para a matrícula chega a dobrar a esquina, mas depois que eles conseguem a vaga, nas reuniões de pais a gente chega a mandar buscar o responsável em casa. 

Isso não estaria ligado também à questão da renda?

 Sim tem ligação com a baixa renda. A maioria dos pais dos alunos das escolas públicas sai de manhã para trabalhar e só chega em casa à noite. Então quem é que está com os filhos deles? Graças a Deus isso está mudando, temos muitas creches já atendendo e esse é um grande sonho; a educação integral está começando a acontecer, mas ainda temos muito a avançar. Temos a falta de compromisso e a baixa renda das famílias.

Que o conselho que você daria para um professor em início de carreira?

O professor que está iniciando a carreira tem que querer fazer aquilo. Ser professor não é bico. Eu posso dizer que a educação para mim, corre na veia. Eu não sei fazer outra coisa, tá no sangue. A gente espera que aqueles que optarem pela educação, que façam com determinação, porque o desafio é grande, são muitas diferenças, e sem amor não há como enfrentar os desafios da profissão.

Você vê solução para o crescimento da violência, que também prejudica as escolas?

Essa é uma das nossas maiores preocupações. O momento é muito difícil, mas eu sou uma pessoa que acredita 100% na escola pública e ainda acho que a educação integral - em que você recebe o aluno pela manhã e ele sai no fim do dia – ainda é um caminho para diminuir a violência nas escolas. Porque quando o aluno não está na escola, ele está nas ruas e um traficante pode “adotar” esse aluno. Então é uma responsabilidade imensa para diretores e professores, que precisam manter esses alunos pelo menos nessas horas em que a escola se propõe a recebê-los. Temos registros no Ministério Público, de menores infratores que cometeram pequenos delitos no horário de aula. Então veja a carga de responsabilidade que está nas nossas costas. É muito preocupante isso.

Você tem uma filha que teve paralisia cerebral. Como você e sua família lidam com essa realidade?

Essa é a parte mais bonita da minha vida. Quando a Lara veio, a minha segunda filha, Fernanda, tinha 15 anos. Lara não estava sendo esperada, mas foi muito desejada. E quando ela chegou, veio prematura, resultado de um choque emocional; meu pai enfartou e no choque, ela nasceu, com seis meses de gestação. Na época ela nasceu no hospital AMEP, que era o mais próximo de casa, meu médico era de Eunápolis, mas no susto, na correria, eu tive que ser atendida ali. Na hora faltou oxigênio e isso causou uma paralisia cerebral branda. Ela tem algumas dificuldades de cognição e motoras, mas a capacidade de compreensão dela é muito grande. Lara é uma menina especial, que hoje tem 17 anos, portadora de uma paralisia cerebral e eu levo muito isso para a sala de aula, para os meus professores e alunos na universidade, principalmente para os professores com dificuldades em trabalhar com alunos com necessidades especiais.

E como foi começo da vida escolar dela?

Quando eu levei a Lara para a escola Pituchinha, aos quatro anos, foi a maior expectativa da nossa vida, como ela seria recebida, como ela iria se comportar. Quando chegamos na escola, na maior alegria, a medida da porta da sala não cabia a cadeira. No dia seguinte já tiramos o portal e ela entrou. Então você vai superando os problemas. Eu não estava preparada para ser mãe especial, mas aprendi e aprendo todos os dias. É o maior desafio da minha vida. Tudo o que a família tem aprendido de bom e se tornado melhor a cada dia foi por conta da chegada da Lara. Viver com ela é sempre motivo de grandes expectativas e grandes alegrias, todos os dias.

Além da falta de mobilidade urbana, que outras dificuldades ela enfrenta?

A escola nunca teve preconceito, ela recebe e abraça com toda a força. Na verdade o preconceito e a falta de conhecimento vêm de fora. Por exemplo, a Lara estuda no Cariza e lá tem uma rampa que foi feita a partir da Lara e todos foram ganhando com isso. Tem sete anos que ela está lá e até hoje ainda tem carros que estacionam na rampa e eu preciso ficar esperando que eles saiam e eu possa pegar minha filha. Às vezes eu me pergunto: será que a pessoa precisa ter um deficiente na família para compreender essa realidade? É claro que muitos caminhos se abriram, mas falta muito. Tem o Ceame, que faz um trabalho maravilhoso, mas a gente ainda percebe que a consciência ainda é muito pequena diante das necessidades. Mas a Lara é consciente, tem posição e sempre tem muito a dizer. Sempre brinco dizendo que uma palestra dela vai ser cara. Ela própria ainda vai contribuir muito para que as pessoas compreendam essa situação.

Como conciliar tudo isso com o papel de esposa, casada há 30 anos?

Assim como me realizei como mãe, eu estou realizada também como esposa, como mulher, por conta de ter um grande parceiro em minha vida, meu marido. Temos problemas, como todo mundo, mas para nós eles se resolvem pela vontade de ajudar nossos filhos a encontrar seus caminhos na vida. E todos estão bem encaminhados. Não posso deixar de dizer que durante esses quase 30 anos de profissão - e eu me considero uma pessoa de sucesso, por estar fazendo o que eu gosto - eu contei com o incentivo e o apoio incondicional do meu marido. Desde que as crianças eram pequenas eu sempre trabalhei de manhã, à tarde e à noite, e não posso me esquecer dos muitos dias em que eu saí para trabalhar e quem ficava com as crianças era ele. Ele sempre foi o meu maior parceiro, sempre tivemos vontade de acertar e eu tenho a certeza de que acertamos.

O que é ser mãe?

Ser mãe é o prazer da sensação de ter alguém dentro de você. Na gestação, são dois corações batendo – ou às vezes 3, 4, 5 (risos) – e essa é uma sensação muito prazerosa, uma vontade grande de dizer ao mundo: eu vou ser mãe! Fui mãe por três vezes, quando a minha primeira filha nasceu eu ia fazer 18 anos e posso dizer que ser mãe em uma idade mais madura é muito importante, pois o poder da maturidade e compreensão ajudam muito. Não tenho palavras para expressar o grande valor dessa missão de ser mãe, tanto biológica, como no meu caso, quanto ser mãe do coração.


Jogo Rápido

Signo – Libra

Um hobby – estar com a família

Uma música – “Imagine”, de John Lenon

Um compositor – CaetanoVeloso

Um autor – é Paulo Freire

Um livro – “Pedagogia do Oprimido”

Um prato predileto – Risoto, aceita muitas combinações

Uma bebida – vinho

Um lugar especial em Porto Seguro – Trancoso

Um lugar especial fora de Porto Seguro – Rio de Janeiro

Uma pessoa especial – minha filha Lara

Uma personalidade da cidade – D. Ida Rosatelli

Uma inspiração – a certeza de que amanhã seremos melhores do que hoje

Uma decisão acertada – a escolha da profissão de ser professora

Uma saudade – meu pai

Um medo – do Brasil não conseguir acabar com a desigualdade

Uma conquista – Estar na educação há 30 anos, contribuindo para a vida das pessoas

Um sonho – que a gente consiga ter de fato um mundo mais justo

Educar é – um processo que se prolonga para o resto da vida

Uma qualidade sua – saber ouvir, sem sombra de dúvida

Um defeito – sou muito ansiosa, eu quero as respostas muito rapidamente

Como você se define – sou uma pessoa tranquila, que na hora do problema, sempre se coloca no lugar do outro para entender.

Felicidade é – estar bem com a família e todos aqueles que a gente ama

 

“Sempre consegui tudo o que eu quis na vida, porque aprendi dentro da família a levar o braço só até onde eu alcançava.”

“A alfabetização é a maior realização de um educador, porque você recebe um aluno que não sabe pegar no lápis e o entrega lendo. E Isso é muito bonito.”

“Na gestão pública os problemas são grandes, os enfrentamentos imensos, mas sem o diálogo você não chega a lugar nenhum.”

“Nós entendemos que quando as famílias puderem estar bem próximas da escola, nós vamos conseguir dar um passo muito largo.”

“Eu não sei fazer outra coisa, tá no sangue. A gente espera que aqueles que optarem pela educação, que o façam com determinação, porque o desafio é grande.”

“Eu não estava preparada para ser mãe especial, mas aprendi e aprendo todos os dias. É o maior desafio da minha vida.”

 

 

 

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