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Fisio

Dr. Josdanei Carneiro Silva

O médico Josdanei Carneiro Silva, 47, nasceu em Alagoinhas (BA), de onde saiu, aos 16 anos para abraçar a carreira que lhe traria grandes desafios, mas também a satisfação de fazer amigos, salvar vidas e ajudar muitas pessoas a viver melhor. Casado há 26 anos com a também médica, Ivaneide Andrade Araujo este ano ele experimentou a alegria e o orgulho de ver sua filha Bruna, de 19 anos, ingressar na faculdade de medicina da USP, uma das mais concorridas do país. Mais um capítulo na história de um profissional de sucesso, condecorado recentemente pela Câmara Municipal com o título de cidadão porto-segurense. Reconhecimento merecido ao trabalho incansável dele, que além de médico obstinado, foi um dos fundadores do Hospital Luis Eduardo Magalhães, secretário de Saúde de Cabrália e continua dedicando sua vida ao atendimento de seus pacientes, com toda a nobreza que o ofício exige e merece. Atributos que, aliados a boas doses de humildade, cabem na medida certa em seus 1.92 metros de altura.
Quando foi que você fez opção pela medicina?
Na época em que eu fiz vestibular só existiam duas faculdades de medicina no Estado, a Baiana e a federal, em Salvador. Era um período muito difícil, porque tinha poucas opções. Nunca fiz cursinho e estudei a minha vida toda em Alagoinhas, num colégio que até hoje tenho muito orgulho, chamado Dínamo. Aí eu fiz vestibular em 85, passei e ingressei na UFBA, com 16 anos e me formei em 1990. Eu não me lembro de ter pensado em seguir outra profissão.
E agora sua filha segue o mesmo caminho. É sinal de que ela teve bons exemplos?
Bruna está cursando o primeiro ano de medicina na USP. Ela é esforçada, o mais importante é a determinação. Isso faz a diferença, ela é dedicada, focada e estuda. Se a pessoa se dedicar e fizer de verdade, consegue. O vestibular da USP é bem concorrido e as pessoas que fazem são justamente as pessoas que estão se esforçando realmente. A concorrência é verdadeira. Significa que, apesar dos sacrifícios que a profissão exige, ela teve bons exemplos em casa. E isso é interessante. Talvez a gente tenha conseguido mostrar a ela que esse estilo de vida vale a pena.
E como Porto Seguro entrou na sua história?
Eu tinha feito a minha primeira residência, de anestesia. Aí eu trabalhava como anestesista em Salvador e resolvi fazer cirurgia. Fiz mais dois anos de residência em cirurgia geral e depois mais três anos de urologia, que é uma especialidade cirúrgica. Então eu estava em Salvador e minha esposa já não queria mais morar lá. Eu conhecia muita gente em Salvador e em 99 havia sido construído o Hospital Luis Eduardo Magalhães em Porto Seguro, mas não existiam seres humanos para trabalhar lá. Foi feita então a primeira terceirização de um grande hospital para ser administrado por uma empresa privada. E ganhou uma empresa chamada SM, cujo diretor médico era o Dr. Taciano Campos, que era diretor do hospital de Irmã Dulce, em Salvador. Uma pessoa que era muito minha amiga, trabalhei com ele como anestesista, cirurgião geral e urologista, então ele me convidou para ser o diretor médico do hospital Luis Eduardo. Eu teria que atender também, até porque tínhamos poucos médicos em Porto Seguro. Imagine quantos médicos moravam em Porto Seguro nessa época? Uns 20, não tinha profissionais para gerir e fazer funcionar o hospital. Então o secretário de saúde do Estado, José Maria de Magalhães, médico obstetra e irmão de Antonio Carlos Magalhães, me mostrou o hospital e disse: “meu filho, eu quero que esse hospital seja inaugurado em um mês”. A partir daí eu entrevistei diversos médicos, que hoje moram aqui e em um mês o hospital estava funcionando muito bem. Tinha uma equipe médica extremamente dedicada, porque era considerado uma joia. Eu não conhecia Porto Seguro. Eu vim para conhecer o hospital e pronto, decidimos morar na cidade. Minha filha com três anos de idade e foi minha esposa que deu o aval para virmos pra cá. Viemos abrindo um novo horizonte na medicina, um hospital de complexidade médica, num local onde não existia isso. Eu tenho um carinho enorme por esse hospital.
E como você se sente vendo a situação desse hospital, que você ajudou a fundar?
Eu fico muito triste. Não tinha motivos para o hospital, que já funcionou tão bem, decair, como os colegas dizem que decaiu. O hospital poderia continuar funcionando bem, porque está com os mesmos profissionais. Isso está muito relacionado à questão administrativa, não é uma questão dos trabalhadores do hospital. Se estamos com o mesmo grupo de profissionais e o hospital decai, tem outras coisas mal resolvidas aí.
E hoje, que atividades você desenvolve?
Nos primeiros cinco anos eu passei me dedicando exclusivamente ao HLEM. Me desliguei há pouco tempo do hospital, em função de outras prioridades. Hoje eu me dedico mais ao consultório, mas nunca deixei de trabalhar no setor público. Eu atendo ainda em Cabrália, Belmonte e também no município de Porto Seguro, como cirurgião. Eu mantenho contato com o serviço público, porque acredito que seja uma grande saída.
Qual foi o seu maior aprendizado como secretário de saúde de Cabrália?
Tem uma parte muito interessante, que é a de você poder influenciar positivamente nos processos, na mentalidade das pessoas, em como tratar o bem público. Mas a interferência política é meio danosa. O jogo político, o interesse político vem acima dos interesses da população e da sociedade. Então isso é muito pesado e deixa a gente triste. Para todo mundo que não quer se profissionalizar na política, que não deseja viver dela, o desgaste é grande. Existe uma mentalidade doente tanto do ente político como da própria sociedade, de achar que precisa receber favores e não vê muito a legalidade das coisas. Isso acontece talvez porque as carências são muitas.
Existe uma solução para esse impasse entre a Unimed e o Hospital Neuroccor?
É louvável a decisão da Unimed de parar de vender o plano aqui em Porto Seguro. Só que existe um compromisso com as pessoas que já compraram o plano e a Unimed precisa ter uma resposta para atender as necessidades das pessoas que moram aqui. Não quero entrar no mérito do hospital, mas não é função da Unimed resolver o problema do hospital e não tem outro para ser credenciado. Então a Unimed se viu numa posição difícil mesmo. O hospital, que independente da Unimed deveria funcionar 24 horas, não consegue prestar o serviço que é sua obrigação e ser viável financeiramente. A Unimed não tem esse compromisso com o hospital, mas deve satisfação a seus clientes e ela precisa procurar uma saída para isso. E quando se quer, se consegue, mesmo que se tenha mais sacrifício, por uma questão moral é precisa fazer esse sacrifício.
Como deve ser um bom médico?
Um bom médico não deve ser aquele que tem um monte de medalhas, um monte de cursos. O bom médico é aquele que é bem formado, mas se preocupa com você como paciente. Que se importa com suas fraquezas, com suas dores, se importa com você. O médico bom é aquele que está disponível quanto você precisa dele. Se ele tiver essa preocupação e tiver uma boa formação, as coisas vão se casar muito bem. Não pode ser arrogante, precisa entender que deve estar disponível para a pessoa que procura por ele.
O que é preciso para se manter uma boa saúde?
A pessoa precisa buscar uma vida saudável. O que é isso? Viver acompanhada de gente que ela gosta, isso é fundamental, evitar vícios, como o fumo, que não tem como ser defendido, porque sempre vai ser danoso. E moderação. Quer beber, beba com moderação. E não existe alimento que faça mal por si só, e sim o excesso de um determinado padrão de alimentação, porque isso vai ser prejudicial para a saúde. Além da alimentação saudável e da prática de atividade física regular e moderada, conviver com pessoas alegres, com pessoas boas, porque isso também ajuda na saúde. E fazer visitas regulares ao médico, que também tem a função de afirmar essas orientações. Não é procurar doença, mas conhecer como está esse bem estar do ponto de vista físico, através de exames regulares.
Você também vai ao médico?
Eu me cuido muito do ponto de vista clínico. Faço meus exames periodicamente e não tenho nenhum problema com isso, mas é que no trabalho a gente mesmo acaba fazendo essa parte, mas não é o melhor. O ideal é você eleger um colega que você confie e vá até ele como paciente, não como médico.
Qual é o maior desafio da sua profissão?
O desafio maior do médico é conseguir ter uma rotina que seja saudável e respeite também o nosso limite, porque a demanda é grande. Então o médico precisa se conhecer primeiro, para saber como ele vai trabalhar, porque se ultrapassar os próprios limites, ele estará estressado, mal humorado, cansado e isso poderá prejudicar o atendimento. Um professor meu dizia: “não existe doença, existe doente”. Isso significa que as doenças são conhecidas, está tudo escrito, mas não existe uma doença separada de um ser humano. A doença está inserida num contexto daquela pessoa, emocional, social, econômico, cultural. São várias nuances que influenciam num tratamento e a maior dificuldade do médico é lidar com todas essas facetas.
E quando a pessoa olha a internet e chega dizendo que já sabe o seu problema?
Eu acho ótimo. Eu levo isso em consideração, porque acho que pode ajudar. Uma grande preocupação da minha prática médica é ouvir a pessoa e eu levo em consideração tudo o que ela diz. Eu acho importantíssimo que ela fale. E eu vou avaliar. Às vezes o que ele acha pode ser importante, pode me ajudar muito. Não podemos achar que só nós temos o conhecimento e o outro não. Na verdade o paciente sabe mais do que a gente, porque quem sente é ele. O médico precisa fazer com que a pessoa revele aquilo que está oculto, porque o problema pode vir disfarçado de várias maneiras. Pelo medo, pela história pregressa dele e o paciente tem que se revelar. Medicina, antes de tudo é relação entre pessoas.
E como lidar com as situações negativas?
Felizmente temos mais situações positivas, mas numa carreira de 26 anos, temos também situações negativas. O insucesso acontece quando a doença não permite que você obtenha o sucesso que você gostaria – a gente não tem o controle absoluto da situação – e às vezes pode se dever a suas falhas humanas. E isso dói muito. Mas todo médico tem que conviver e carregar isso na vida, tem cicatrizes.
E na hora de levar uma notícia ruim para o paciente e a família?
Não é fácil não. Mas eu uso da honestidade de novo, que facilita isso. Uma coisa é ser sincero, outra coisa é não tomar o cuidado para não ser rude, não ser cruel. Eu não vou enganar aquele paciente, mas eu vou ter que ter muito cuidado para dizer isso. E é preciso saber também o momento certo para dizer isso.
Você acredita que a fé em Deus ajuda a curar as pessoas?
Eu acho que a fé do paciente ajuda. Eu respeito e acredito que a fé dele é importantíssima.
E para você, que é um profissional respeitado, qual é o segredo do sucesso?
Eu me considero de sucesso sim. Mas não considero que o sucesso é baseado na questão econômica. O sucesso que eu percebo é de ter feito amigos, te ter conquistado pessoas que me querem bem. A gente sente que é querido e isso é que me deixa mais alegre. Eu não fico envaidecido não, porque aumenta a minha responsabilidade, mas me deixa satisfeito. Para se alcançar isso, é trabalho e sinceridade no que se faz. Sinceridade é fazer de forma honesta. E honestidade é realmente estar preocupado com o outro. Às vezes você se estressa, porque não quer que nada dê errado e isso é querer controlar tudo o que está em torno daquela profissão, o que não é possível. Você tem os recursos materiais e também outros profissionais, que são os especialistas, o pessoal da enfermagem, da nutrição, o pessoal do próprio hospital. Então é bem complexo.
E qual é a maior recompensa dessa profissão, às vezes sacrificante?
Se relacionar com pessoas, não tem recompensa maior. Um médico que não gosta de se relacionar, vai ter dificuldade de exercer a medicina. Médico precisa gostar de gente.

Bate bola

Signo:
libra
Hobby: voar
Uma música: “Metamorfose Ambulante”, de Raul Seixas, sempre me tocou
Um livro: “Cem anos de solidão”, já li três vezes
Prato predileto: arroz, feijão e carne frita
Uma bebida: cerveja, bem com moderação
Um lugar especial em Porto Seguro: o Fly Club, na Praia do Mutá
Um lugar especial fora de Porto Seguro: a Flórida, nos Estados Unidos
Uma pessoa especial em sua vida: minha esposa
Uma saudade: meu pai, mais saudade que tristeza
Uma conquista: as amizades, quando tudo está difícil, elas fazem a diferença
Voar é: liberdade
Um sonho: ver a medicina de Porto Seguro, pública e privada cumprindo a função dela, de acolher e tratar as pessoas
Um motivo de orgulho: minha filha
Um defeito: eu sou indeciso
Uma qualidade: honestidade, sinceridade
Como você se define: uma pessoa que ainda tem muita coisa a aprender

“Viver acompanhado de pessoas que a gente gosta, conviver com pessoas alegres também ajuda na saúde. E evitar vícios, como o fumo, é fundamental.”

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