Quando a justiça não é igual para todos

Publicado da edição 425 do Jornal do Sol

Nos momentos de crise, as dificuldades aparecem mais. Neste período de pandemia, se tornaram evidentes as diferenças de comportamento entre ricos e pobres, políticos e eleitores, brancos e pretos.

Diversidade de tratamento médico hospitalar

Quando um “rico” pega o vírus, pode contar com os melhores hospitais, médicos e curas, enquanto o “pobre”, às vezes, nem tampão, nem lugar, nem leito, nem respirador consegue. Milhares de pessoas morreram por causa disso. Vergonhoso o esbanjamento de médicos que apareciam para comunicar as condições de saúde de Trump, uma verdadeira turma, enquanto para a maioria, nem enfermeira tinha para comunicar a morte do paciente. Patético ouvir políticos, saindo das clinicas mais famosas dizendo “quanto eu sofri”, após dois ou três dias de internação, enquanto teve gente que ficou imobilizado e com tratamento precário durante meses, saindo para o cemitério.

Diversidade de salário

O espetáculo mais triste é ver as filas na frente dos bancos. A maioria das pessoas perdeu o emprego, não tem como se sustentar e é obrigada a ficar horas e, às vezes, dias na frente de uma agência bancária para receber a esmola de R$ 300,00. Foram descobertos vereadores e funcionários publicos, empregados e bem pagos, buscar indevidamente este dinheirinho, descaso absurdo, verdadeiro roubo mesquinho e covarde que envergonha a sociedade, sobretudo porque a pena consiste apenas em devolver aquela ninharia.

Diversidade de comportamento

Justamente por contar com atendimento médico apropriado, assistimos quase diariamente a políticos graúdos e até governantes, burlarem a lei: se apresentam sem máscara, promovem eventos com muitas pessoas sem as devidas precauções, propagandeiam remédios sem comprovada eficácia, espalham mentiras e inverdades sobre o numero dos infectados. A pouca vergonha chegou ao ponto de falsificar os dados sobre os incêndios, invasões de terras, catástrofes ambientais, chegando ao absurdo de culpar os índios pelos desastres que assolam o nosso País.

Que governantes são estes que burlam as leis, criam mentiras deslavadas, governam de forma parcial e desonestas sem que sejam punidos. Também, que “justiça” é essa que gasta meses e anos para achar e punir “culpados dos anos passados” e absolve ladrões e corruptos atuais. A gente ouve autoridades declararem que a “ajuda emergencial” (sic?) custa muito para o estado enquanto os salários estratosféricos, as mordomias e os privilégios deles, sequer são minimamente questionados.

E o voto? Os novos “servidores”, será que vão mudar?

Esta crise, esta pandemia, esta recessão, vieram para ficar... Até o povo não assumir o papel de dono da administração pública, vivenciando a verdadeira democracia (governo do povo); e parar de se considerar uma “aristocracia” (organização social e política em que o governo é monopolizado por uma classe privilegiada - Dicionário Aurélio). Só mudando esta classe de governantes, podemos esperar mudar a nossa sociedade. As eleições são para isto, ao perder a oportunidade, perdermos o direito de reclamar.


Antônio Tamarri é professor de História e Teologia

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