Ommaré traz nova cara para a música regional, com foco na pluralidade de ideias e conteúdo autoral


Depois de lançar um livro de poesias, Gabriel Sabiá (cantor e compositor), formado em artes cênicas, resolveu dar melodia a elas. Chamou o amigo Isaac Moreira (cantor, compositor e tocador de violão), para o desafio que se transformou no primeiro show, com as músicas de sua autoria. “Reuni 16 músicas e a gente ficou nessa experimentação”, conta Gabriel. Assim nasceu o grupo Ommaré, que tem foco na pluralidade de ideias e nas atitudes.

Aos poucos os outros componentes foram chegando e trazendo importantes colaborações. Com sua harmônica de boca – uma espécie de gaita, Antônio Rizzo, conhecido pelas suas obras como artista plástico em todo o Brasil, foi o terceiro. “Chegou e já fizemos um acorde”, completa o vocalista Gabriel. Da mesma forma, chegaram os percussionistas Santiago, com mais de 1.000 shows realizados, e Marcelo Bottini. “Uma criação coletiva, todo mundo construindo”, define o vocalista.

Atualmente o grupo Ommaré se apresenta em palcos criativos, com a colaboração das artistas plásticas Lúcia e Camila Rizzo, dos documentaristas Tadeu Cardoso e Paula Pimenta e do iluminador Klauss Zagnoli. O nome, sonhado por um dos integrantes, une o termo Om - que em hindu significa substância essencial, o termo criador – com a palavra maré, onda. E se traduz em algo do tipo “na maré do amor”, “união de todas as ondas”, movimento, junção e ação primordial de amar.

Mistura de ritmos

Eles misturam ritmos brasileiros e estrangeiros, música, cenários vibrantes que se movimentam durante toda a apresentação, mas sempre com a originalidade de um trabalho autoral, feito com a participação de todos. Unem samba, rock, reggae e temas que remetem ao desapego, à desconstrução, ao pensamento, ao sagrado, à reverência, à gratidão, com uma pegada ribeirinha. Além de produzir o próprio som, eles criam imagens que dançam projetadas nas paredes de forma artesanal, com retroprojetor.

“Tentamos expressar o que estamos sentindo como artistas, para reproduzir a situação atual política, por exemplo. Somos robôs produzindo ou somos artistas vivos dialogando com o mundo?”, reflete Gabriel. A proposta, segundo Antônio Rizzo, vem num momento em que a arte mostra um vazio enorme de criação, de esperança, de amor. “A arte é o reflexo do que está acontecendo e ela gera uma perspectiva para o futuro”, filosofa.

Para o grupo, o grande desafio é viver a construção coletiva, sem perder a proposta de originalidade, reflexão e contemporaneidade. O trabalho atual chama-se “Pra quê Temer?”, que fala de política, de pessoas se acovardando, mas também mostra a necessidade de reação, de trazer à tona, de ter coragem e se reinventar, de entender o papel de cada um como cidadão.

O trabalho propõe uma expressão de forma criativa, buscando um diálogo orgânico de autenticidade. Segundo os integrantes do grupo Ommaré, a receptividade do público tem sido positiva: “eles estão respeitando o movimento criativo. É essa a sensação que estamos recebendo.”

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