Em Santo André, negócios locais driblam a pandemia

Na vila de Santo André, município de Santa Cruz Cabrália, a iniciativa de formar um grupo de negócios pelo WhatsApp vem revelando talentos e novas relações de economia e consumo. Com as restrições impostas pela pandemia, como o fechamento de comércio e as limitações de horários, os moradores sentiram necessidade de se ajudarem, divulgando e consumindo os produtos oferecidos pelos próprios vizinhos. Foi aí que se formou o grupo Facilita Santo André.

“Foi se formando um rede. Algumas pessoas começaram a fazer pão, bolo, comida, e entregar; tem muito serviço de delivery. O grupo foi crescendo e dando super certo, porque as pessoas começaram a seguir cada vez mais esse rumo de se ajudar, divulgar o trabalho um do outro, comercializar”, afirma Marília Viegas, uma das administradoras do grupo. Ela acredita que a iniciativa veio para ficar. São cerca de 30 pessoas e sempre tem gente querendo entrar, assegura.

Geração de renda

O grupo tem outras duas administradoras: mais uma Marília e a Tatiana Silva, de Minas Gerais. Tatiana e o marido se mudaram para Santo André há um ano e meio em busca de qualidade de vida. Recém-chegados, encontraram na formação do grupo uma forma de entrosamento com os moradores. “Sugeri fazer uma lista de comerciantes locais e a comunidade viu aí uma possibilidade de geração de renda. O grupo mostrou o que cada um podia fazer na comunidade e ajudou na questão de conhecermos as possibilidades de comércio aqui mesmo”, afirma Tatiana.

 

A mineira, que já trabalhava com a fabricação de sabonetes e xampus veganos onde morava, comemora e diz que seus produtos começaram a ser conhecidos após a formação do grupo. “Antes disso, eu ainda não tinha conseguido divulgar meu trabalho”. É grande a variedade de ofertas no Facilita Santo André. Em geral, a maior parte é serviços de alimentação. Quentinhas, bolos, doces, tortas, mariscos, pescados, temperos, sanduíches, compotas e outras delícias.

A comerciante Silvia Santana Tagariello nasceu em Santo André. E, junto com o marido Micheli Tagariello e os filhos, deu um up grade nos talentos. Eles têm restaurante há mais de 20 anos, loja de conveniência, vendem confecções e Silvia ainda faz acarajé, bolos e cuscuz de tapioca por encomenda. Mas com o fechamento provisório do comércio na pandemia, começou a vender hortaliças, massas caseiras e sushi por delivery. “Nunca havia feito sushi. Foi desafiador. Para mim foi uma surpresa, porque todos que comem me perguntam há quanto tempo faço e eles ficam surpreendidos quando digo que só tem quatro meses”, diz Silvia.

Mas nem só de pão vive o grupo. Tem também muita troca de informação para indicações de prestadores de serviços domésticos, de taxi, Uber, jardinagem, cursos e até serviços de publicidade. As pessoas estão mesmo se virando para driblar as restrições impostas pela pandemia. Uma prova de que, mesmo de longe, unir forças é sempre a melhor alternativa.

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