Editorial edição 397

Moradores do Arraial deram um show de cidadania durante o processo que culminou com a criação do Parque Central, no local onde funcionava o antigo Campo de Aviação. Brevemente a história desse riquíssimo patrimônio estará nas páginas do livro “Memórias sobre o Campo de Aviação do Arraial d’Ajuda”, que conta a importância do campo, desde sua inauguração, em 1939, até os dias atuais, e sua influência na formação populacional, econômica e social de Porto Seguro. Um verdadeiro resgate histórico, fruto do empenho de um grupo de obstinados e estudiosos moradores.

Durante muito tempo, o campo permitiu a ligação do Arraial d´Ajuda e Porto Seguro com o restante do Brasil, até a sua desativação, em 1980, com a inauguração do aeroporto de Porto Seguro. De lá para cá, uma verdadeira batalha foi travada pela comunidade - estimulada por lideranças, entre nativos e turistas, incluindo alguns estrangeiros apaixonados pelo lugar – para impedir que o campo servisse a interesses imobiliários e eleitoreiros.

Após muito empenho, mobilização, abaixo assinados e conexões com autoridades locais e nacionais, como a Aeronáutica, numa época em que a comunicação ainda não contava com os inúmeros recursos da era digital, finalmente, em 1994 a área foi transformada no Parque Central. Ou seja, não fosse o senso de cidadania e o espírito coletivo que moveram aqueles bravos lutadores da época, sabe-se lá qual seria a destinação de uma área tão cobiçada, pelo seu valor imobiliário, localizado no coração do Arraial d´Ajuda.

O fato é que o espírito comunitário venceu os interesses mais escusos e hoje o local só pode ser utilizado para a construção de equipamentos públicos, como o posto de saúde, escolas, creche, quadras e cemitério que hoje o campo abriga. Até lá, invasões estimuladas por candidatos a cargos políticos foram debeladas e muito tempo foi dedicado na defesa dessa preciosidade. Uma luta vitoriosa, embasada principalmente na união de pessoas conscientes e comprometidas com uma causa comum.

Pois é justamente essa consciência que falta em Porto Seguro para instigar o poder público a tomar decisões efetivas em torno de questões que afetam diretamente a vida  de moradores e turistas. Como o controle do trânsito de veículos pesados no centro da cidade, a má conservação e a ocupação irregular das calçadas, o funcionamento precário do transporte coletivo, a falta de acessibilidade nas ruas e prédios públicos da cidade, as invasões e a degradação do meio ambiente.

E tantas outras questões, que na maioria das vezes, mais que recursos financeiros, exige visão e compromisso com os verdadeiros interesses e necessidades de um povo.

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