Editorial edição 414

A chegada de resíduos do malfadado óleo às praias da Costa do Descobrimento acende discussões sobre o comportamento das pessoas diante de questões que envolvem a coletividade. Primeiro, a histeria que atingiu alguns setores, sobretudo aqueles ligados diretamente à atividade turística. Para muitas dessas pessoas, a ruína da próxima temporada era dada como certa, o que poderia também decretar a derrocada de Porto Seguro como destino turístico. Era muita tragédia para um lugar só.

É inegável que o derramamento de óleo nas praias do Nordeste é um dos piores desastres ambientais dos últimos tempos, que coloca em risco a conservação de ecossistemas e, consequentemente, a estabilidade de regiões litorâneas que dependem disso para a sobrevivência. Entretanto, é preciso serenidade para separar a realidade de delírios catastróficos. Esses momentos de crise exigem união, equilíbrio, comunicação eficiente e a criação de estratégias, com ações rápidas e eficazes para enfrentar a ameaça, proteger a natureza da contaminação, restabelecer o bom senso e minimizar os riscos de prejuízos para quem sobrevive do turismo.

Essa exacerbação favorece a propagação das fake news, que mais uma vez se propagaram pela internet, criando um efeito contrário ao esperado. É a velha história do “eu vi primeiro”, a oportunidade de aproveitar seus momentos de fama, mesmo que as consequências não sejam as melhores para o destino e as pessoas envolvidas. Não se pode camuflar a realidade, muito menos transmitir informações sensacionalistas em um momento tão delicado.

Felizmente, o susto parece ter passado, deixando boas lições de união e senso de coletividade diante de um problema que envolveu a todos. É fato também que, com exceções, a união foi muito mais em torno de um interesse financeiro, no sentido de proteger a galinha dos ovos de ouro, do que propriamente uma ação de solidariedade com as pessoas ou a natureza. Mas merece aplausos o envolvimento de muitas pessoas, entidades, empresas e poder público, que se moveram para trabalhar como voluntários e oferecer conhecimentos, EPIs, água, alimentos e outros bens materiais e equipamentos, fundamentais para livrar nossas praias dessa ameaça.

Outra reflexão pertinente nesses momentos é o tratamento que estamos dedicando ao nosso meio ambiente.  Nessas horas, em seu silêncio cortante, a natureza traduz a dialética da sua fragilidade diante dos desastres provocados pelo homem e da sua magnitude como fonte de riquezas e garantia de sobrevivência para milhões de pobres mortais.

 

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