Os Irrelevantes

Tornou-se (mal) costume generalizado criticar o governo. São ministros ou secretários que cometeram umas gafes e a mídia cai em cima deles. Quando porém estas gafes ou inverdades ou afirmações esquisitas se tornam muito comuns, é dever do cidadão averiguar o grau de preparação, cultura e formação dos campeões destas proezas.

É o que Vitor Vogas, colunista da Gazeta, cotidiano de Vitória/ES, fez no dia 18 de fevereiro, na pág. 19, com o título “Celebração da ignorância”. Antes da lista das gafes, ele se pergunta: Um povo sem memória e que ignora o seu passado pode construir um futuro melhor? Ao leitor a tarefa de pensar, refletir, se precaver e responder, condenando tamanha ignorância.

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, disse: “Saber quem foi Chico Mendes é irrelevante”.

Paulo Guedes, ministro da Economia, disse: “Roberto Campos é irrelevante para o pensamento econômico brasileiro”.

- Sérgio Moro, ministro da Justiça, disse que Ruy Barbosa é irrelevante para a justiça deste País.

- Osmar Terra, ministro da Cidadania e Ação Social, disse o mesmo sobre Zilda Arns e Betinho.

- O chefe do Itamaraty desdenhou o Barão do Rio Branco.

- O ministro do Desenvolvimento Regional e das Cidades desdenhou Oscar Niemeyer.

- O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, faz pouco do legado de Oswaldo Cruz para a medicina brasileira.

- O ministro da Educação, Vélez Rodriguez, (agora demitido) colombiano, tem a visão de que os índios são “selvagens”, que os brasileiros no exterior “comportam-se feito canibais” e que as universidades devem ser “reservadas para uma elite intelectual”.

Mais grave ainda, o ministro da Saúde prometeu um “choque de gestão” permitindo que no SUS se comprem “equipamentos de eletrochoque”, o que representa a contramão da luta do movimento antimanicomial. Para onde vai o Brasil com servidores que têm estas ideias?

Horrorizados com tamanha ignorância e arrogância, vale a pena interpretar porque o ex-juiz Sérgio Moro, não dá importância a Ruy Barbosa. Talvez não possa comungar com a frase, histórica e famosa do grande jurista: “De tanto ver triunfar a maldades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto”.

O paladino da luta contra a corrupção, agora (como sempre foi) “politico”, não considera mais “o caixa dois” como crime grave. Ao ser perguntado, dias antes da edição do decreto que facilita a posse de armas, se tinha-se encontrado com hierarcas da Taurus, apelou pelo direito de não “ter informações pessoais expostas ao público”. (Gazeta 1-02-19).  Não respondeu se encontrou ou não, os fabricantes de armas, mesmo estilo dos mafiosos. Mesmo estilo de quem não tendo cultura, desconhecendo o passado, não poderá fornecer ajuda nenhuma pra o futuro.


Antonio Tamarri é professor de História e Teologia

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