Alimentação da criança: obesidade e falta de apetite são os problemas mais frequentes

Publicado na ed. 413 do Jornal do Sol  

Nos tempos atuais, a alimentação, de uma forma geral, tem se tornado um dos assuntos mais comentados. E a qualidade dos alimentos que são oferecidos às crianças são preocupação constante de pais, profissionais da área de saúde e autoridades responsáveis por políticas públicas relacionadas à saúde. Por este motivo, neste mês dedicado às crianças, quero abordar dois temas que são frequentes em consultas em meu consultório: obesidade infantil e falta de apetite.

Obesidade infantil

Estudos recentes constatam que o número de crianças obesas ou com sobrepeso tem aumentado cada vez mais e um dos grandes fatores que contribuem para o aumento de peso durante a infância é a maior oferta e variedade de guloseimas calóricas, sem falar no cotidiano sedentário que levam ao aumento do peso entre crianças e adolescentes. Estes fatores podem evoluir para as temidas doenças cardiovasculares, colesterol elevado, diabetes tipo 2 e hipertensão arterial.

No entanto, sem a ajuda e incentivo dos pais fica complicado para a criança avaliar o que deve ou não ser consumido. Como as crianças dessa idade seguem o exemplo dos adultos, cabe aos pais adotarem uma alimentação mais saudável. Algumas atitudes são fundamentais:

 - Preparar a comida com a ajuda das crianças e mudar hábitos alimentares em família;

 - Estimular a atividade física desde cedo e combater o sedentarismo, incentivando mais brincadeiras ao ar livre e jogos em grupo;

- Fazer com que comam a cada três horas para evitar que cheguem com muita fome nas principais refeições;

- No lugar de doces, incentivar o consumo de frutas da estação ou até frutas secas;

- No lugar do refrigerante para matar a sede, incentivar o consumo de água ou suco natural sem açúcar;

- Trocar os produtos industrializados por comida caseira feita com alimentos frescos e pouco calóricos;

- Desde cedo estimular o consumo de fibras;

- Trocar o pão branco pelo integral;

- Doces e bolachas recheadas devem ser consumidos com moderação, em pequenas quantidades.

Falta de apetite

A partir dos nove meses, a criança cria uma certa autonomia e a recusa alimentar pode aparecer. Por volta de um ano de idade, ocorre uma desaceleração do crescimento normal da criança e, por isso, a demanda por alimentos diminui, o que acaba preocupando muitos pais. Mas é preciso entender que esse é um processo fisiológico e que as crianças não comem as mesmas quantidades que os adultos. Normalmente, as mães se cobram muito e cobram muito a criança a respeito da alimentação, e muitas vezes as causas podem estar nas próprias atitudes dos pais. As principais causas da falta de apetite nas crianças são:

- Preocupação e ansiedade em excesso por parte das mães podem prejudicar este momento tão importante que é alimentar a criança;

- Cobranças internas, de avós, sogras ou outras pessoas próximas prejudicam e devem ser cortadas pelas mães;

- Usar alimentação como prêmio para compensar falta de tempo para dar atenção e carinho;

- Os pais não devem ceder os caprichos da criança. Uma alimentação saudável e balanceada não contempla apenas salgadinhos de pacote, bolachas e frituras. É importante que a criança tenha um prato completo e variado e que alimentos saudáveis sejam oferecidos diariamente dentro de uma rotina estipulada;

- Não ter rotina na hora das refeições, é um erro. Crianças que almoçam 12h um dia e 16h outro dia, não criam hábitos, e isso é ruim. Limites e rotina são importantes para as crianças;

- Se a criança rejeitar um alimento, os pais não devem desistir, ofereça sempre que possível.

Por volta dos cinco anos de idade, a criança tende a aumentar seu apetite e passa a comer melhor. Não deixe de oferecer alimentos saudáveis e não estimule os industrializados, fast food e doces. É importante ressaltar que também não se deve criar um ambiente crítico e totalmente adverso aos alimentos, mesmo que sejam gordurosos e ricos em açúcar.

A alimentação deve ser um processo natural, equilibrado, sem restrições e sem excessos, que valorize a saúde e desenvolvimento normal da criança.

Feliz mês das crianças e saúde a todos!


Maria Luiza dos S. Cardoso é nutricionista especialista em obesidade e emagrecimento

Desperdício de alimentos e a fome

Publicado na ed. 412 do Jornal do Sol

Este tema sempre faz parte dos debates de diversos setores da sociedade e em especial para as pessoas que, de uma maneira ou de outra, têm como profissão o alimento como matéria-prima. A questão do desperdício de alimentos é um problema antigo e aumenta consideravelmente a cada ano. Devido à falta de conscientização para este problema a tendência é sempre piorar.

Atualmente, dois bilhões de toneladas são desperdiçadas, ou seja, metade de toda a comida produzida no mundo tem o lixo como o destino.  Ao mesmo tempo em que tantos alimentos são desperdiçados, temos também o desperdício de água, terras cultiváveis, insumos agrícolas, tempo de trabalho e qualquer outra coisa usada na produção dos mesmos. A partir do momento em que tantos recursos estão sendo desperdiçados, o produtor também estará perdendo muito dinheiro.

Após analisar essa situação atual do desperdício de alimentos, nos deparamos com um problema gravíssimo: a questão da fome do mundo. Enquanto se jogam fora dois bilhões de toneladas de alimentos no lixo, um bilhão de pessoas passam fome. Temos, ao mesmo tempo, muita comida indo para o lixo e muitas pessoas famintas, comprovando que além de absolutamente tudo estar errado, é preciso fazer algo urgentemente. A cada um minuto, cinco crianças morrem de desnutrição, e esses dados servem para refletirmos.

Existe uma série de maneiras em que se desperdiçam alimentos, e isso é desde o trabalho no campo, até o destino final, que são os consumidores. A maior parte do desperdício é durante o transporte e manuseio inadequados. Condições erradas de armazenamento e adoção de prazos de validade rigorosos também fazem parte disso. O consumidor também possui a sua parcela de culpa, principalmente pela preferência de produtos com formatos e cores especificas, e no desperdício no dia-a-dia em casa.

A situação do desperdício está completamente descontrolada, tendo em vista que países ricos desprezam quase a mesma quantidade de comida produzida em toda a África subsaariana. É normal, em nossas vidas corridas e cheias de compromissos, esquecermo-nos desse detalhe, mas é mais do que preciso virar os olhos pra isso e começar a fazer algo.

Seja no transporte, no manuseio, no abastecimento, no armazenamento inadequado, ou no simples desperdício das pessoas, precisamos mudar em nome de tantas outras que passam fome diariamente e morrem por causa da desnutrição.

Os dados são da ONU e da BBC.

Saúde a todos!


Maria Luiza dos S. Cardoso é nutricionista especialista em obesidade e emagrecimento

Coma certo no self service

Publicado na ed. 410 do Jornal do Sol

A maioria das pessoas que trabalham não tem o privilégio de almoçar em casa e acabam optando por redes fast-food ou restaurantes por quilo. Aliás, os restaurantes por quilo são a preferência de 9 entre 10 trabalhadores que precisam de uma refeição rápida, prática e com um preço acessível. O problema surge na hora de montar o prato, porque tanta opção gostosa e calórica leva ao exagero. Pesquisadores constataram que mais oferta de comida significa comermos 30% além da conta. Portanto, para evitar que seu almoço diário, no restaurante predileto, torne-se uma armadilha para a sua saúde e comprometa o peso ideal, algumas recomendações devem ser seguidas:

- Conhecer o buffet todo sem o prato na mão. Isto ajuda a planejar o que vai se comer.

- Opte por alimentos com alto teor de água, como por exemplo, o pepino, o tomate e os caldos de legumes. Estes alimentos ajudam a saciar.

- Coma uma noz ou duas castanhas-do-pará alguns minutos antes das refeições. São considerados petiscos saudáveis e possuem gorduras boas. Dessa forma, consegue se controlar mais na hora de montar o prato.

- Alimentos verdes, vermelhos, roxos e alaranjados estão liberados crus ou cozidos. Folhas verde-escuras (agrião e couve) são ricas em folato, um tipo de vitamina B que protege o organismo contra o câncer. Os alaranjados (cenoura) fortalecem o sistema imunológico. Os vermelhos e roxos (tomate e beterraba) têm alto poder antioxidante e melhoram a circulação. Encha seu prato dessas cores!

- Mastigue bem, ao menos 30 vezes a cada garfada. Quanto mais se demorar, mais tempo o cérebro terá para receber estímulos e enviar a mensagem de saciedade. Uma dica prática para se forçar a comer devagar: descanse os talheres enquanto mastiga. Com isso, não se fica condicionado a dar uma nova garfada com a boca ainda cheia. E, aos poucos, cria-se o novo hábito de comer devagar sempre.

- Escolha os pratos quentes de forma equilibrada. Evite consumir, por exemplo, arroz, batata e massa na mesma refeição, porque são do mesmo grupo alimentar e fornecem carboidratos.

- Para o prato principal, dê preferência às carnes brancas e grelhadas, porque os queijos e embutidos - que também são deste grupo alimentar- elevam o teor de gordura, mas sem saciar. As proteínas dão mais trabalho para serem digeridas, assim, a sensação de fome não virá tão cedo.

- Um bom truque é redesenhar mentalmente o prato. Lembrando que, nos self-services, eles são sempre enormes, para a pessoa enchê-lo inteiramente sem perceber. Você deve dividir o prato em quatro partes iguais; 1/4 é para a salada crua, 1/4 para a refogada, 1/4 para a proteína principal e 1/4 para o carboidrato (seja arroz, batata ou massa).

- Tempere com um fio de azeite extra virgem que ajuda a saciar a fome e confere um sabor especial a comida. A medida certa é de uma colher de sopa por dia. Não exagere.

- Caso goste acrescente uma pimenta de sua preferência. A pimenta tem efeito termogênico e ativa as papilas gustativas, aumenta a salivação e estimula os hormônios da saciedade.

- Escolha sucos sem açúcar e não ultrapasse 200 ml.

- Para a sobremesa escolha uma salada de frutas e determine apenas um dia da semana para comer um doce.

- Um chá de frutas com adoçante é ótimo para adoçar a boca no final da refeição. Prefira de hortelã ou erva-doce. O café na medida certa, 50 ml, também é uma boa opção.

Saúde a todos!


Maria Luiza dos S. Cardoso é nutricionista especialista em obesidade e emagrecimento

Dietas da moda

PUBLICADO NA EDIÇÃO 411 DO JORNAL DO SOL

 

Todos os dias novas dietas relacionadas ao emagrecimento aparecem no noticiário. São dietas que prometem fazer verdadeiros milagres em pouco espaço de tempo. Mas é importante entender bem cada uma delas e conhecer as consequências e problemas de saúde que a sobrecarga de certos nutrientes traz ao organismo.

As mais famosas são:

Dieta do Dr. Atkins (dieta das proteínas)

Propõe redução radical do consumo de carboidratos (massas, pães, doces, açúcares); libera o consumo de carnes (principalmente vermelha), ovos, maionese, manteiga, gorduras em geral. Esse tipo de dieta causa vários desequilíbrios ao organismo além de não ensinar o paciente a comer. O excesso de proteína aumenta a excreção de cálcio, sobrecarrega os rins, além de acidificar o sangue e diminuir a quantidade de serotonina no organismo. Muitos acreditam que comer só proteína vai aumentar a massa muscular, porém, isso é bioquimicamente impossível, pois as células necessitam de glicose para formar energia e novos tecidos. Essa dieta também é péssima para o intestino e ainda diminui o metabolismo basal em função da perda da massa magra.

Dieta de South Beach

Estimula o consumo de gorduras monoinsaturadas (azeite de oliva, amendoim e nozes, por exemplo). Permite comer carnes, queijos, frango sem pele, bacon com moderação. E a partir da terceira semana, introduz frutas, leite desnatado e carboidratos integrais. Mas os princípios são os mesmo da dieta da proteína e os malefícios também!

Dieta da USP

Apesar do nome, essa dieta não tem nenhuma relação com a Universidade de São Paulo. Seus criadores apenas se aproveitaram do nome para dar uma falsa credibilidade à dieta. Ela possui um cardápio padrão de uma semana, sendo repetida uma vez. Deve ser seguida rigorosamente em seus alimentos e horários. Utiliza principalmente carnes e ovos, frutas e vegetais. Dietas muitos restritas sempre levarão a deficiências nutricionais. A USP desmentiu essa dieta.

Dieta dos sucos

Consiste em beber exclusivamente sucos de frutas e hortaliças, podendo também acrescentar as frutas e hortaliças in natura. Impossível de ser seguida e totalmente desequilibrada em todos os nutrientes, assim como dietas de sopas e apenas líquidos.

Low carb

Também reduz o máximo possível o carboidrato, porém este nutriente não é retirado totalmente. O consumo de abacate e castanhas são permitidos. Pessoas que estejam com problemas renais ou hepáticos não devem fazer, nem as que têm diabetes tipo 1, pois elas precisam de mais carboidrato que o permitido.

Concluindo, todas as dietas que possuem restrição de algum nutriente levará a deficiências nutricionais sérias. Por isso, o plano alimentar deve ser equilibrado e contemplar todos os grupos de alimentos necessários ao nosso organismo. Reeducação alimentar e mudanças de estilo de vida ainda são a melhor solução para a boa forma com saúde.

Saúde a todos!


Maria Luiza dos S. Cardoso é nutricionista especialista em obesidade e emagrecimento

As festas juninas e suas calorias

Publicado na ed. 409 do Jornal do Sol

Uma das épocas mais esperadas do ano está chegando: a das festas juninas. E como todas as festas, estas também são regadas a muitas comidas e bebidas: quentão, licor, canjica, pamonha, munguzá, arroz doce, milho verde, amendoim cozido etc. As opções são inúmeras e, na maioria das vezes, bastantes calóricas.

Estes pratos só são encontrados nesta época e fugir destas tentações é missão quase impossível. A boa notícia é que dá para aproveitar a festa sem descuidar da dieta e da saúde. O segredo é não exagerar na quantidade. Com equilíbrio e moderação é possível aproveitar a festa e todas as suas delícias, sem sair da linha e sem ganhar peso.

Alimentos como milho, abóbora, arroz, amendoim, sozinhos não oferecem riscos a sua dieta, o problema é que, na maioria das vezes, eles estão acompanhados de açúcar, creme de leite, manteiga, leite de coco, coco e leite condensado.

Como a maioria das festas acontece à noite, o ideal é que substitua o seu jantar por uma das preparações salgadas. Um caldo ou um churrasquinho são ótimas opções. Para a sobremesa, escolha somente uma das opções, de preferência a menos calórica, e modere na quantidade.

Procure não consumir mais do que uma porção das receitas, para não sentir as “sequelas na balança”. E não belisque, faça da festa uma refeição completa. Comemore esse período de festas com seus amigos e familiares, consumindo um pouquinho de cada alimento que aprecia, sem sair da linha! E o mais importante: dance bastante, não pare. A dança faz bem para o corpo, para a mente e queima calorias.

Viva Santo Antônio, São João e São Pedro!

Saúde a todos!


Maria Luiza dos S. Cardoso é nutricionista especialista em obesidade e emagrecimento

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