O grito dos jovens: salvemos o nosso planeta

PUBLICADO NA EDIÇÃO 411 DO JORNAL DO SOL

Enquanto no Brasil as tempestades ceifam vidas, no hemisfério Norte o calor extremo prejudica a saúde de todo mundo. As mudanças climáticas geradas pelo aquecimento global ameaçam a vida e fica cada vez mais urgente mudar os hábitos irresponsáveis de poluir a nossa “Mãe Terra”.

Greta Thumberg, jovem sueca de 16 anos, passa mais tempo na frente do parlamento sueco do que na escola. Se faz presente nas praças de muitas cidades, participando das manifestações dos jovens em defesa do meio ambiente. Muitos parlamentares a criticam, mas o Papa Francisco, que a recebeu na praça São Pedro em Roma, a exortou a seguir em frente.

“Nossa casa está queimando” gritam os jovens conscientes. Não haverá futuro para eles se continuarmos a produzir bióxido de carbono, que faz esquentar o clima global, favorecer incêndios, derreter as geleiras, subir o nível dos oceanos...

Salvemos Porto Seguro. Se ouve este grito?

Deve ser também o grito de quem mora numa das cidades mais frequentadas por turistas do Brasil e de muitas outras nações. Corre nas mídias a estória que uma geleira do tamanho da Califórnia está se desprendendo do Polo Ártico. Quando acontecer, o nível dos oceanos pode subir até seis metros. Aí, adeus às nossas praias.

Esperar esta catástrofe sem tomar as providências que melhoram as condições de vida é suicídio. Pois temos aqui muitas outras ameaças graves acontecendo agora.

“Estamos afogando na merda”. Este é outro grito que Greta Thumberg lança nas praças das capitais onde participa de manifestações. Por causa desta irreverência, os políticos a criticam; não pela irreverência, acredito, mas pela verdade que ela denuncia.

De fato, são muitos os governantes que se preocupam em embelezar ruas e praças, mas não cuidam dos esgotos lançados nos mares e córregos sem tratamento; não cuidam do lixo jogado nas matas e nas praias; pintam o meio-fio das estradas, mas não reparam os bueiros estragados; não completam as redes de saneamento básico. Tudo isto não é apenas aumento do mau cheiro, mas cultivo das infeções, ameaças à saúde; e antecipa a catástrofe que ameaça a humanidade.

Precisamos de um novo Noé

Todo mundo conhece a história do dilúvio universal (Gêneses 6). Muitos, sobretudo religiosos, gostam de citar versículos que anunciam o fim de um mundo corrupto, mas evitam interpretar esta narrativa bíblica no sentido atual de uma corrupção ecológica. De desrespeito à vida, à natureza, ao equilíbrio e à preservação do meio ambiente. Têm jovens sentindo este problema, sobretudo cientes que serão eles quem deverão procurar outro planeta e... podem faltar foguetes para todos!


Antônio Tamarri é professor de História e Teologia

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