Covid 19:  porque agora, porque tão mortal?

Publicado da edição 421 do Jornal do Sol

Não é fácil responder a estas perguntas. Entre as muitas tentativas, sobressai esta frase do escritor romano Plauto, reaproveitada mais tarde pelo filosofo inglês Thomas Hobbes: “Homo homini   lúpus”, que traduzido significa “o homem se tornou lobo do próprio homem”.

O corona vírus tornou-se pandêmico, pois encontrou na terra e na sociedade as condições propícias para se alastrar, e que podem ser resumidas na constatação de que terminaram as condições essenciais para a convivência humana, a falta de solidariedade entre as pessoas e o costume nefasto de explorar os recursos naturais. Vejamos alguns aspectos:

A competição - Está enraizada entre os povos a vontade de competir e não de colaborar. Exemplo eclatante as brigas que se travam entre USA e China que, agora não se restringem apenas ao comércio, à procura de recursos e descobertas naturais, chegando também na busca da vacina contra o Covid-19. Não seria mais produtiva a colaboração?

A economia - Derivada do grego, esta palavra significa “ordem na casa”. Pois bem, chegamos a confundir a palavra viver com a palavra negociar. Tudo deve responder a pergunta “quanto ganho com isto” e se não estiver satisfeito, cancelo tudo, com a vergonhosa realidade que os abastados se “divertem” em acumular riquezas e os pobres em caçar o que comer, e aqui a competição brutal, gerando os conflitos que conhecemos: corrupção, roubos, injustiças exploração do outros. Esquecendo que estes conflitos fragilizam todos e o vírus deita e rola sobre as pessoas fracas não só nos recursos econômicos, mas também nas condições psicológicas que as “malas” de dinheiro não curam.

A religião - Diga-se de antemão: não existe mais religião segundo o significado etimológico da palavra que significa “ligado duas vezes”. Cada um pode se sentir ligado a Deus e às pessoas, à natureza e à ciência, ao esporte e à meditação. O religioso é pessoas comprometido, não importa com o que ou a quem.

O que vemos por aí é que as pessoas são “desligadas”. Na religião, muitas crenças ou congregações, grupos, roubaram de Deus o poder de fazer milagres. Não estão mais ligadas a Deus, só o nomeiam, gritam seus atributos, escrevem o nome d’Ele em todo e qualquer lugar, mas não praticam o Seu ensinamento. Pregam a salvação no céu, pouco se ligando se o que Deus criou na terra está se perdendo. Nunca se viram tantas e tantas crenças, igrejas, capelinhas ou catedrais tão desligadas dos problemas sociais, humanos, políticos e sobretudo ambientais. Cultuam os deuses do céu e não cuidam da terra e é aqui que o vírus deita e rola.

As atitudes - Apesar da extensão e gravidade da doença que vai ceifar muitas vidas, tem ainda quem se atreva a aproveitar da aquisição dos aparelhos de saúde para desviar dinheiro. Verdadeiros vampiros! Tem gente “inventando” e ou sustentando brigas políticas, raciais, econômicas sem se preocupar de salvar vidas. A história vai dizer o número dos mortos; infelizmente não sabemos se poderá fazer o mesmo na identificação dos culpados.

Existe porém uma certeza: quem nesta pandemia consegue se salvar com o pouquíssimo que tem, saberá sobreviver; quem pensa que tudo voltará como antes e que o dinheiro será mais uma vez a salvação, poderá sofrer a surpresa, pois a vida do lobo também está em perigo!


Antônio Tamarri é professor de História e Teologia

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