A moda em tempos de crise

Publicado na edição 419 do Jornal do Sol

Estamos todos vivendo um período muito conturbado e pouquíssimas vezes presenciado pela humanidade: uma pandemia mundial. O Covid19 - ou o novo Corona Vírus - apareceu como num passe de mágica e em tempo recorde espalhou-se de tal forma, que a única maneira encontrada para tentar diminuir sua velocidade de contágio foi o isolamento social, a tão temida quarentena. Com isso, muitos outros problemas vieram se apossar dos nossos dias. Teme-se uma crise econômica sem precedentes, e as consequências serão inúmeras.

Muito se tem falado e feito para tentar aplacar os efeitos colaterais que automaticamente surgirão em decorrência da paralisação econômica. Na indústria da moda não seria diferente. De acordo com a Câmara de Comércio Internacional, esta será uma das três áreas que mais sentirão os impactos da queda das vendas pós pandemia. Devido a isso, especialistas acreditam que viveremos um novo período relacionado ao consumo.

As equipes de criação terão que inovar no sentido de produzir uma moda mais consciente e sustentável. Entraremos na era no minimalismo, onde excessos e ostentação não mais caberão. A vestimenta será ressignificada, pois deverá trazer embutida a essência pessoal. A roupa, com absoluta certeza carregará consigo o conceito de resistência, resistência a tempos de dificuldades e privações. O modo como essa moda circula e é comercializada também sofrerá mudanças.

Aquilo que para especialistas da área aconteceria daqui a cinco anos somente, se apresentará nesse momento como forma de sobrevivência desse nicho. O online estará em evidência como nunca, e as marcas que ainda não transitam por esse meio terão que se adaptar a essa nova forma para sobreviver. Esse processo de reformulação começará lá na indústria, a nível de produção, e atingirá todos os patamares do processo.

Isso ocorrerá porque será necessário muito mais que peças com acabamento de primeira e bom tecido. A roupa terá de ser algo durável, e os estilistas deverão pensar coleções mais enxutas, isso porque teremos menos compra no mundo e o consumo se tornará uma “experiência”.  Num momento em que estaremos mais preocupados com o “ser” do que com o “ter”, essa relação sofrerá uma mudança profunda, pois nada será mais importante que o ser humano e o seu pronto restabelecimento.

A indústria da moda é uma das que mais empregam no mundo. Direta ou indiretamente. Creio na sua reformulação e ressignificação. Ela é sim muito importante. Mas deve ser usada a nosso favor e não contra nós. É o que tenho lido de muitos especialistas e é o que sinceramente espero.

Mariana Guerra é uma mineira que mora na Bahia e consultora de imagem

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