PSOL lança Chico Cancela pré-candidato à prefeitura de Porto Seguro

 

O professor Chico Cancela. 37 anos, foi oficializado como pré-candidato à prefeito de Porto Seguro pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) nas eleições de 2020. A definição foi feita em um encontro virtual aberto a todos os filiados do partido, no sábado, 09/05/20. Com uma votação consensual, Chico Cancela foi indicado para sua segunda disputa pela prefeitura da cidade.

Caroline Lima, presidente do PSOL Porto Seguro, informou a importância da deliberação do partido. “Confirmamos hoje, de forma democrática, a participação do PSOL nas eleições deste ano em Porto Seguro. Mais uma vez vamos apresentar uma alternativa democrática e popular de mudança para a cidade”. Ela também defendeu a representatividade do nome de Chico Cancela: “para além de ser professor, nativo e pesquisador sobre a história da cidade, Chico tem uma longa trajetória de luta em defesa das políticas públicas, dos direitos sociais e do direito à cidade".

Na reunião, o PSOL também aprovou as primeiras pré-candidaturas para a chapa proporcional. Foram 16 nomes que ganharam aval do partido para realizar as atividades próprias do período pré-eleitoral. Entre os indicados estão representantes do movimento indígena, da luta LGBT, do movimento dos professores e dos distritos da cidade.

Em entrevista exclusiva ao Jornal do Sol, Chico Cancela falou de seus planos para a administração municipal. Nascido e criado em Porto Seguro, casado e pai de três filhos, Cancela defende que a escolha do partido traduz muito daquilo que o próprio agente público defende.

“Tenho muito orgulho de fazer parte de um partido sem envolvimento em escândalos de corrupção, que tem compromisso com a defesa dos direitos do povo oprimido e explorado e que luta pelas liberdades democráticas”, diz o professor universitário. Cancela afirma que, nas eleições de 2020, ao invés de se aliar a outros partidos, o PSOL buscou aliança com movimentos sociais, como sindicatos e movimentos estudantil, indígena, comunitário, LGBTTI e das mulheres.

Sobre os apoios para vencer a disputa, ele afirma não acreditar que a força política de uma candidatura está só no apoio de figuras públicas renomadas. “O que Porto Seguro mais tem é um conjunto de lideranças velhas que têm seus nomes vinculados ao descaso, ao jogo do toma lá dá cá e a escândalos de corrupção”. A preferência, segundo o candidato do PSOL, é a aliança com “pessoas comuns”, que lutam por uma cidade de direitos. Mas Chico Cancela disse que conta com a colaboração de lideranças como o deputado estadual Hilton Coelho, do deputado federal Marcelo Freixo, da liderança indígena Sônia Guajajara e do ex-candidato a presidente Guilherme Boulos, todos do mesmo partido.

Alternativa de mudança

De acordo com Cancela, sua motivação para candidatar-se a prefeito é “apresentar uma alternativa de mudança que favoreça a maioria do povo”. Afirmou ainda que tem um amor muito grande pela cidade, onde vê marcas de profundas desigualdades sociais. “Existe uma cidade fabricada para os turistas, que é cheia de alegria, bons serviços e relativa segurança. E, para a maioria da população, o que existe é uma cidade real, caótica no serviço de transporte, com péssimo serviço de saúde, com altas taxas de violência e escassez de alternativa de lazer para população”.

Ele considera que a atual administração não foi diferente das outras gestões, de Ubaldino, Jânio e Abade, e que “além de também ter se envolvido em escândalos de corrupção, olhou para a cidade apenas para fazer dela um balcão de negócios, atendendo os interesses dos grandes empresários e ampliando ainda mais as desigualdades”.

O pré-candidato acredita que a mudança deve se basear na democratização das decisões políticas, com inversão de prioridades – citou a realização de festas em contraste com o fechamento do hospital municipal; a defesa de uma cidade de direitos, assegurando à população o direito de se locomover adequadamente; acesso rápido e preciso à saúde, escolas com infraestrutura e ensino de qualidade; espaços e serviços gratuitos de esporte, cultura e lazer.

Sobre quem vai financiar a campanha, Cancela diz que o PSOL foi o primeiro partido a defender a proibição da participação de empresas. “Este tipo de relação estimula uma confusão de interesses entre o público e o privado. Empresário, em geral, não faz doação, faz investimento”, considera. Segundo ele, que para ter independência política, “é fundamental não aceitar contribuição financeira dos grandes grupos econômicos da cidade”. Cancela espera fazer uma campanha colaborativa, incluindo a arrecadação de contribuições pela internet.

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