Editorial edição 416

A questão do lixo em Porto Seguro é um problema da maior gravidade, que não recebe a devida atenção por parte do poder público, nem da população, diretamente atingida pelas suas consequências. Falta consciência nas pessoas sobre os efeitos nefastos do tratamento inadequado dado aos resíduos produzidos, tanto para a própria saúde quanto para o meio ambiente. Enquanto isso, o poder público não parece disposto a fazer os investimentos necessários para recolher, transportar e dar a destinação final mais apropriada para o lixo.

Como denunciam moradores do Arraial d´Ajuda, é preocupante e severo o imbróglio da queima no lixão, que vem acontecendo há anos, enquanto a prefeitura fala em planos e projetos para a construção de um aterro sanitário que atenda às exigências sanitárias da legislação. Essa discussão se arrasta, enquanto toneladas de lixo são descarregadas em um local que já não tem a capacidade de receber a carga de detritos que ali é despejada diariamente. No local, persiste a contaminação do lençol freático, às margens do rio Buranhém, e uma fumaça tóxica invade os ares, transportando um odor desagradável e colocando em risco a saúde de moradores e turistas.

Para a maioria da população - muitas vezes sonhando com o aumento do próprio consumo e o acesso às tentações proporcionadas pela indústria de alimentos, cosméticos e outros materiais - o que menos importa é a destinação final dos restos dessas seduções do mundo moderno. Se de um lado, o poder público não se compromete com a instalação de um número de lixeiras capazes de atender à demanda, de outro, a cena mais comum em nossa cidade é assistir ao descarte inconsequente de lixo nas calçadas, vias públicas, terrenos baldios, areias das praias, rios e mares.

Nos finais de festas, shows, competições esportivas e grandes aglomerações de pessoas é quase sempre deprimente o cenário devastador que sobra. São toneladas de copos plásticos, garrafas de plástico e de vidro; guimbas de cigarros, restos de embalagens de isopor, imagens que remetem ao fim do mundo. Um grande passo mesmo para a hecatombe.

Uma cena do crime que poderia ser transformada, começando por atitudes simples do dia a dia, como respeitar os horários de passagem do caminhão de lixo; evitar ou reduzir o uso de copos, canudos, sacos plásticos e outros descartáveis; depositar os próprios entulhos e restos de podas nos locais adequados;guardar o próprio lixo até encontrar uma lixeira ou um local apropriado para o descarte; reaproveitar ao máximo embalagens, garrafas e recipientes e tantas outras.

Atitudes mais desafiadoras, porém não impossíveis, poderiam surtir efeitos surpreendentes,como adquirir produtos de empresase votar em políticos comprometidos com a qualidade de vida das pessoas e o respeito ao meio ambiente.

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