Santo André: o Brasil e o mundo se encontram à beira mar

Com 800 moradores, na vila de Santo André vivem pessoas de várias partes do Brasil e do mundo - nativos, índios e turistas que ficaram na vila e tiveram filhos com nomes como Areia Mar, Ana Lua e Ana Sol. Foi nessa energia que a seleção alemã de futebol se estabeleceu durante a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. O resultado, todos sabem.

Santo André faz parte do município de Santa Cruz Cabrália e o acesso é por balsa, o que preserva a visitação adequada a seu tamanho. Veleiros, barcos de pescadores e outras embarcações dividem espaço no rio João de Tiba, que em poucos metros desemboca no mar, criando um cenário realmente muito bonito.

Existem opções diversificadas para quem deseja passar alguns dias por aqui. Temos restaurantes à beira rio, onde é possível acompanhar o tráfego náutico enquanto se delícia com gastronomia de todo tipo, que este ano deixou de ter a companhia de música ao vivo, já que a liminar que proíbe tal atividade foi seguida à risca. Moradores disseram que a vila não estava cheia como de costume, mas vi bastante gente na praia durante a virada de ano, muitas pessoas de máscara, curtindo a lua cheia e a passagem de ano em seus grupos, uns distantes dos outros.

A pandemia tem afetado a economia local. O dono do Mac Nelmo, única hamburgueria da vila, relatou que o movimento de dezembro e janeiro foi muito fraco. Nelmo aposta no período de Carnaval para se recuperar. Durante todo mês de janeiro não ouvi um único relato de morador que tenha contraído a Covid 19, apesar das informações sobre hospitais de Porto e Cabrália estarem perto de seu limite de atendimento.

O mundo passa por aqui

Certamente a vila se tornou um microcosmos do Brasil e do mundo. Paulistas que há 20 anos visitam a região e construíram casas com quintal agroecológico, o caso da Claudinha e sua irmã Maristela. Cariocas, que curtem a paisagem do mar durante o banho de banheira, como relata a jornalista Lea Penteado em seu blog pessoal. O casal mineiro Renata e Saíd, proprietários do bar e restaurante Luz de Minas. Ou ainda a baiana Nina, que já foi campeã baiana de judô e hoje tem uma loja de roupas. Lá de Porto Alegre veio a Marta Helena que mantém a Pizzaria Paralelo 16. Já a Italiana Martina apostou em açaí e cupuaçu à beira rio. Outro caso internacional é do músico percussionista argentino Marcelo Bottini, que há 28 anos vive na vila e já gravou CD com a Orquestra Municipal de Porto Seguro, deu workshops em São Paulo e fabrica alguns de seus próprios instrumentos.

Essa variedade de origens se aglutina na vila de poucos moradores onde quase todos se conhecem. Os estabelecimentos também são conhecidos e certamente ao se informar você poderá chegar à vila e se abastecer no Mercado Orquídeas, tomar café no Café da Jane, comprar uma lembrança na Vila Criativa, almoçar no Gaivotas, Aroeira ou Almescla, fazer compras nos Mercados Pombal ou Maciel, bebidas no Bar do Celso (3 latas de cerveja por 10 reais, 11 se for pago no cartão). Caso queira consumir na praia, certamente será bem atendido na barraca do Joílson ou do Bigode, que oferecem bebidas e porções. Se quiser relaxar, a pedida é uma boa massagem no Spa da Vila, que fica na Vila Angatú. Já à noite, a Leni oferece salgados ou se preferir, um acarajé do Cantinho Baiano pode aliviar a fome.

Em janeiro pude acompanhar e fotografar a pescaria de camarão com o pescador Raimundo Cabeça, de Canavieiras. Saímos ao mar às 5 da manhã e fiz diversas fotos da ação. Algumas publicadas nessa matéria e outras, em breve, no Jornal do Sol Online. Como fotógrafo, desenhista, muralista e músico paulista, também participo desse balaio e faço este relato de um mês morando no pequeno paraíso chamado vila de Santo André.


 Texto e fotos: Jeff Dias

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