Suspense e apreensão na retomada do turismo

Muitas incertezas ainda rondam os setores produtivos em Porto Seguro. Trabalhando com 50 % de sua capacidade total, conforme o Protocolo Municipal, a cidade se mobiliza como pode para retomar sua rotina como destino turístico e oferecer mais segurança aos visitantes e colaboradores de pousadas, hotéis e restaurantes. O município passa por períodos de toque de recolher e os leitos de UTI prometidos pelo Governo Estadual ainda não foram entregues. A retomada das atividades turísticas divide opiniões e causa suspense para os próximos capítulos da novela protagonizada pela Covid-19. 

Kevin Firrim, presidente da União de Líderes Empresariais (Uni Líderes) afirma haver apreensão entre a classe. “Estamos preocupados com a abertura do turismo porque a tal estruturação do sistema público de saúde não veio ainda. Qual o parâmetro técnico, científico que a prefeitura utilizou em manter a cidade fechada em abril, quando apresentamos apenas seis casos ativos e chegamos a ter dias sem nenhum caso ativo? E no mês passado, abriu o comércio com mais de 200 casos ativos e um número crescente de óbitos. E reabre de novo em julho, com o mesmo número de leitos, a mesma situação de superlotação de leitos? A sensação é de que Porto Seguro está sendo jogado para os tubarões”, salienta. Com o retorno do turismo e consequente aumento na demanda de pessoas na cidade, afirma ainda: “não temos estrutura nenhuma para isso”.

De acordo com Eduardo Oberlaender, proprietário de uma barraca de praia em Arraial d´Ajuda e representante da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) na Costa do Descobrimento, a associação não tem uma opinião oficial sobre a abertura das atividades, mas acredita que a cidade precisa retomar a economia. “O turismo vai ser uma das últimas atividades a voltar à normalidade. Temos que estar cientes de duas coisas: o risco da saúde de clientes e funcionários e o risco econômico. Devemos nos preocupar com a segurança com relação à saúde de todos e também em não gerar custo para o próprio negócio”.

Poucos turistas

Ele explica que, mesmo com a abertura, os comerciantes têm que ter cuidado porque ainda não tem turismo, são poucos turistas e poucos voos. “Na situação em que as empresas estão hoje, gerar um custo a mais é um suicídio. “Eu tenho uma barraca mas não vou abrir o comércio agora porque acho que não vale a pena”. Mas Edu Maré, como e conhecido, disse que reabrir fará com que os turistas sejam atraídos e que eles virão “quando sentirem que aqui está seguro”.

Para Eduardo, a situação é diferente para os restaurantes do Centro da cidade, que têm mantido alguma demanda mesmo durante a quarentena. “Esses já podem ser reabertos, cumprindo os protocolos. Eles fazem todo o sentido e precisam ser atendidos”. Ele afirma que foram consultados pela prefeitura sobre as medidas a serem adotadas pelos protocolos, e até reeditou ações como o teste obrigatório de funcionários pelas empresas quando da retomada. E elogiou o Selo Porto Mais Seguro, que habilita as empresas a retomarem suas atividades. “Está tendo um entendimento bacana entre a prefeitura e a categoria”. Eduardo afirmou ainda que uma iniciativa do Sebrae, o programa “Revigora”, reúne empreendedores de bares e restaurantes associados à Abrasel, à ABIH e às agências de viagens e receptivos em reuniões online para propor uma troca de informações capaz de gerar soluções para este momento desafiador.

Segundo informou Oliver Abade, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), os hotéis já estão se adaptando. “Mas cada dia é um dia na Covid”, pondera. Otimista, completa: “estamos com uma expectativa muito boa. Foram feitas adequações no protocolo sanitário da hotelaria, em comum acordo com o município, a fim de amenizar qualquer falta de receptividade para o hóspede, pelo distanciamento”. Ele afirma ainda que restrições nas áreas comuns de circulação da cidade deverão continuar, além do uso obrigatório de máscara e limitações quanto a frequentar barracas de praia, fazer aglomerações, shows e carros de som. “O trade do Arraial está mantendo a ideia de reabrir 80% da rua do Mucugê e 60% dos empreendimentos hoteleiros”.

Cias aéreas decolam

No aeroporto, companhias aéreas Latam, Gol e Azul já cumprem escala no mês de julho, mas sujeita a alteração, com frota e destinos reduzidos. Da Latam, 28 voos, chegando de Guarulhos/SP às 14h10, com destino à mesma cidade, partindo às 15h05, foram programados no início do mês. A Gol, 22 voos, chegando de Ilhéus às 16h40 e partindo para Guarulhos, às 17h20. E a Azul Linhas Aéreas escalou sete voos, chegando do Aeroporto de Confins (MG) às 12h10 e partindo para o mesmo destino às 13h.

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