PUTIN NA ENCRUZILHADA

 

Antonio Tamarri

Ou a filosofia da raposa, ou o “auto-martírio” de Sansão. Esta reflexão surge no auge da invasão que Putin está fazendo à Ucrânia, mas pode ser aplicada em todos os casos em que a mentira tenta encobertar o fracasso, ou a vergonha do insucesso aponta para decisões trágicas.

A “filosofia” da raposa, muito bem apresentadas nas fábulas de diversos autores, conta como uma raposa faminta decidiu roubar as uvas do vinhedo do vizinho. Só que os “cachos” da fruta estavam altos demais e ela não conseguia alcança-los, então foi dizendo que não estavam maduros. Isto acontece com todos os tolos que iniciam uma empreitada mal calculada e, obrigados a desistir, inventam uma mentira para esconder o fracasso.

Seria mesmo a saída de Putin, visto que a invasão da Ucrânia não esta sendo como ele esperava. Após tantos dias de ataques e as múltiplas sanções aplicadas à Rússia pelos países democráticos, ao invés de anexar todo o território, parece se dar satisfeita apenas com uma faixa de terra nas fronteiras entre os dois estados.

Existe, porém, consultando a história dos ditadores, a sede de poder que os cega.  Nem precisa lembrar cada um deles: todos tiverem uma morte violenta.

Nesta absurda invasão da Rússia para anexar também a Ucrânia, após a Crimeia e partes de outras nações vizinhas, fala-se muito da possibilidade que o conflito extrapole para o uso de armas nucleares, com a real possibilidade que, ao disparar a primeira bomba atômica, a segunda seria certamente lançada pela parte adversária e não seria apenas as duas suficientes para acabar com o conflito.

Seria na verdade o fim desta civilização, na qual sobreviveriam apenas os países mais pobres, mais afastados e, sobretudo sem armas nucleares. E este panorama, visto que os protagonistas se “advertem mutuamente”, se “ameaçam reciprocamente”, se “ofendem”, dando-se os atributos mais sórdidos que existem, não deveria ser descartado. Tanta é a loucura “dos poderosos”, incapazes de relevar, incapazes de se perdoar...que deveríamos engolir esta ameaça como possível.

Então chegaria a lenda de Sansão, o herói israelita que, depois de tantas aventuras, traído por uma prostituta que ajudou para que fosse cegado, amarrado nas colunas do salão aonde os inimigos celebravam a vitória sobre ele e o povo adversário, usou a própria força descomunal, gritando “Morra eu com os Filisteus” (Juízes 16, 30). Quebrou as colunas centrais do edifício que, desmoronando, matou todos os que nele se encontravam.

Esta história não é tão improvável assim quando pensarmos que, além da ameaça nuclear, a nossa mãe terra, faz bem pouco para afastar a ameaça climática, as ameaças das pandemias que se alastram sempre mais, as ameaças das competições para se apropriar indevidamente das riquezas do solo, subsolo,  águas e o domínio do ar.

Pois bem, entre fatos e suposições, fizemos uns caminhos tortuosos. Que tal pensarmos neles?   


 Antônio Tamarri é professor de História e Teologia - Foto: Reprodução

Siga o Jornal do Sol no Instagram

LEIA TAMBÉM:

Bahia investe R$ 200 milhões em construção e reforma de unidades da Polícia Civil

Ballet Dionée Alencar reconta trajetória de Ana Botafogo

Inscrições para a 25ª OBA seguem até 10 de maio

Espirito e carne separados não existem

Covid-19: a pandemia na cabeça