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Festival de Cinema de Trancoso abre inscrições para Mostras Competitivas

Cultura 23 de setembro de 2026

 

Com o tema “YORUBAHIA, entre mundos: o cinema como travessia”, o Festival Internacional de Cinema de Trancoso lançou convocatória para inscrições de curtas metragens em sua 9ª edição, que acontece de 17 a 20/12/26.

Podem participar e concorrer ao Troféu Pataxó filmes de até 25 minutos nas Mostras Competitivas Nacional, Regional, Povos Originários e Internacional. As inscrições são online pelo site do Festival e vão até 10/10.

 

 

Durante os quatro dias, estão programadas sessões gratuitas de cinema, oficinas, master classes e performances musicais e teatrais. Em paralelo, ocorre o 5º Circuito Gastronômico de Cinema, onde os restaurantes de Trancoso criam pratos exclusivos inspirados em um ator, filme ou diretor da sétima arte.

De acordo com os organizadores, “o Festival consolida-se como um dos mais importantes eventos culturais do Extremo Sul, unindo cinema, arte, turismo comunitário e de luxo, povos originários, gastronomia, negócios audiovisuais, educação e sustentabilidade”.

Na Mostra Nacional, o Júri vai premiar os melhores curtas nas seguintes categorias: Documentário, Ficção, Animação, Experimental, Roteiro, Direção, Ator, Atriz, Montagem e Fotografia.

Nas Mostras Regional, com filmes produzidos na Costa do Descobrimento; e Povos Originários, serão premiados os Melhores Filmes. E na Mostra Internacional, serão escolhidos os melhores Documentário, Ficção, Animação e Experimental.

 

Guardiões da Memória

A novidade para esse ano é a inclusão do projeto “Guardiões da Memória de Trancoso”. O objetivo é “honrar e eternizar relatos orais essenciais à identidade histórica de Trancoso”.

No primeiro semestre, a equipe do Festival ministrou oficinas de cinema em três escolas de Trancoso: Municipal Honorina Passos, Estadual e Instituto Trancoso.

Agora, jovens e adultos do distrito são desafiados a realizar um minidocumentário de três a cinco minutos com um personagem de Trancoso. Os quatro melhores filmes vão receber mil reais cada um.


Com informações de Paula Pratini - Foto: divulgação

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Biel Brito na Banda Eva: de Porto Seguro para o Brasil

Cultura 08 de setembro de 2026

 

A vocação artística de Biel Brito surgiu ainda na infância. Nos tempos em que o pai, Carlinhos, o levava para a Escola Frei Henrique, em Porto Seguro, o talento já chamava atenção.

“Ele era bem pequenininho. Eu colocava música no carro e ele decorava tudo de primeira. Ficava quietinho, observando. Sempre foi assim, principalmente com a música”, relembra o pai.

 

 

Foi ao lado dele que Gabriel deu os primeiros acordes no palco do Bombordo, um dos bares mais tradicionais da noite de Porto Seguro, onde se apresentou durante muitos anos.

Agora, Biel Brito ganha projeção nacional ao ser anunciado como o novo vocalista da Banda Eva, sucedendo Felipe Pezzoni.

Antes dessa conquista, construiu uma trajetória consistente: começou como DJ aos 14 anos, comandou festas e grandes eventos, levantou multidões em trios elétricos e marcou presença no Carnaval de Porto Seguro e de Salvador, além de integrar as bandas Virou Bahia e DiDengo.

O orgulho da família transparece nas palavras de Carlinhos. “Ele não é apenas um músico, é um artista. Tem pensamento de artista. As composições dele são maravilhosas. Às vezes eu nem acredito que aquelas letras foram escritas por ele”.

Além de cantor e compositor, Biel é multi-instrumentista: toca percussão, bateria, violão e teclado. “Desde pequeno eu enxergava esse talento. Agora chegou a hora de mostrar ao Brasil tudo o que ele sabe fazer, com muita responsabilidade”, afirma o pai.

Ao longo de sua história, a Banda Eva revelou grandes nomes do axé, como Ricardo Chaves, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Emanuelle Araújo e Felipe Pezzoni, que seguirá à frente da banda até o Carnaval de 2027.

A chegada de Biel Brito reforça essa tradição de descobrir e projetar talentos. Nascido e criado em Porto Seguro, ele leva consigo o orgulho de sua cidade e inicia um novo capítulo em uma das maiores vitrines da música baiana.

E Porto Seguro, mais uma vez, aplaude um de seus filhos. De pé.


Foto: reprodução Instagram

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Caju de Leitores aproxima narrativas indígenas do Brasil e Argentina

Cultura 03 de setembro de 2026

Programação na Aldeia Xandó também reuniu contação de histórias, teatro, pesquisa sobre jovens leitores e debate dedicado à educação indígena inclusiva

O segundo dia do Festival Caju de Leitores reuniu, nesta quinta-feira (3), narrativas indígenas do Brasil e da Argentina em uma programação dedicada à ancestralidade, à oralidade, à literatura e à educação. As atividades aconteceram na Oca Tururim e no Palco Sabará, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, em Porto Seguro (BA).

Um dos destaques foi a roda “Povos indígenas de Abya Yala: conexão ancestral por meio do livro literário indígena — quem é o nosso bicho ancestral?”, com a escritora e liderança indígena argentina Mariela Tulián, o escritor Sairi Pataxó e o mediador cultural e produtor Sebastian Gerlic.

O encontro abordou a literatura indígena produzida no Brasil e na Argentina, os animais ancestrais presentes nas histórias de diferentes povos e as relações entre território, espiritualidade e produção literária.

Mariela contou que a pantera negra é um animal ancestral de seu povo e destacou a oportunidade de compartilhar com as crianças histórias, conhecimentos e experiências de seu território.

“Eu venho de um território habitado por espíritos protetores, e esses espíritos são os animais do meu povo. São bichos-irmãos, com quem compartilhamos o território. Temos consciência de que eles nos protegem e são os espíritos com os quais nos identificamos”, afirmou.

Argentino radicado no Brasil, Sebastian Gerlic desenvolve há mais de 25 anos trabalhos com povos indígenas, especialmente no Sul da Bahia. Durante a conversa, ele destacou como a produção de livros favorece trocas entre diferentes povos, línguas, territórios e expressões artísticas.

Maria Coruja e Auritha Tabajara compartilham histórias

A programação começou com uma contação de histórias conduzida por Maria Coruja, anciã e mestra dos saberes ancestrais Pataxó homenageada nesta edição, e pela escritora Auritha Tabajara.

Auritha comparou os anciãos a “bibliotecas vivas” e falou sobre a emoção de dividir o encontro com Maria Coruja.

“Estar ao lado dos anciãos é sempre muito rico, principalmente porque a pessoa que mais me encanta nesta vida é minha avó. Estar com outros anciãos é estar com um pedacinho dela. É um privilégio ter feito parte dessa atividade ao lado da homenageada, dessa biblioteca viva do povo Pataxó. Nós, do povo Tabajara, também temos as nossas bibliotecas vivas e sabemos o quanto isso é importante”, declarou.

Para a escritora, o Caju de Leitores também se tornou um espaço de aprendizado e cura por meio da literatura, experiência que ela chama de “LiteraCura”.

“Eu acho que o Caju de Leitores é um grande festival da LiteraCura. Tenho muito a agradecer por tanto aprendizado e por tanto conhecimento que a gente leva”, afirmou Auritha.

A manhã contou ainda com a apresentação da Cia. de Teatro Livro Aberto, com a peça Ave Alegria, no Palco Sabará, e com a abertura da exposição “A terra é corpo, a floresta é sopro y o mar é voz”, do Coletivo Ybryda.

Pesquisa e educação indígena integram programação

À tarde, a programação concentrou atividades voltadas à educação, à formação de leitores e ao trabalho desenvolvido por professores e educadores.

A I Pesquisa Caju de Leitores foi apresentada a professores e demais participantes do festival. Realizado pela JLeiva Cultura e Esporte, o levantamento ouviu 976 estudantes e investigou a relação de crianças e jovens de escolas indígenas de Porto Seguro e do distrito de Caraíva com os livros e a leitura em diferentes contextos escolares.

Na sequência, Vanessa Guarani Ratton, Carina Pataxó e Lucia Tucuju participaram da roda “Educação indígena inclusiva: para humanos e não humanos”. A conversa abordou metodologias de ensino e aprendizagem construídas a partir das relações entre educação, território, culturas indígenas, animais e seres encantados.

O segundo dia também teve o Vozes da Escola, espaço dedicado às apresentações dos estudantes, e terminou com a participação do Grupo Cultural do Porto do Boi.

Caju de Leitores chega à 5ª edição

Criado em 2022, o Festival Caju de Leitores promove o encontro entre literatura, educação e território, aproximando escritores, artistas, educadores, estudantes, lideranças indígenas e comunidades. Com ações dedicadas à formação de leitores e à ampliação do acesso à literatura indígena, o festival alcançou mais de 12 mil pessoas até 2025.

Em sua 5ª edição, o Caju de Leitores apresenta o tema “Um Manifesto de Bichos”, inspirado na presença dos animais nas histórias, nas memórias e nos conhecimentos transmitidos entre gerações. A proposta aproxima bichos, ancestralidade, língua, natureza e território, destacando diferentes modos indígenas de compreender a existência.

O Festival Caju de Leitores é uma realização do Ministério da Cultura e da Savá Cultural. Conta com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, via Lei Rouanet, além da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico. Tem ainda parceria acadêmica da Universidade Federal do Sul da Bahia.

 

Programação de sexta-feira — 4 de setembro

7h30 — Recepção e acolhimento das escolas e do público em geral

8h — Contação de histórias
Com Maria Coruja e Lucia Tucuju

9h — Quando as imagens também contam as histórias dos bichos
Com Maurício Negro, Sol Itaputyr e Tucunã Pataxó

10h30 — Território Vivo: Caraíva Proteção Animal
Palco Sabará

14h — Vozes da Escola
Palco Sabará

14h30 — Colheita de Livros — Encontro com Autores
Com Duca, Adriana Pesca, Lucia Tucuju, Auritha Tabajara, Geni Nuñez, Maurício Negro, Carina Pataxó e outros convidados

15h30 — Apresentação dos Marujos Pataxó

Caju de Leitores: encerramento tem artes indígenas e encontro com autores

Cultura 04 de setembro de 2026

 

Último dia teve contação de histórias, roda sobre imagens e grafismos e atividade de conscientização sobre a proteção animal

O Festival Caju de Leitores encerrou sua 5ª edição nesta sexta-feira (4), na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, em Porto Seguro (BA). Ao longo dos três dias de programação, o evento recebeu 16 autores e convidados e reuniu centenas de participantes em atividades dedicadas à literatura, à oralidade, à educação, às artes e aos saberes indígenas.

A programação do último dia começou com a anciã e mestra dos saberes ancestrais Pataxó Maria Coruja, homenageada desta edição, e a escritora Lucia Tucuju. Juntas, elas compartilharam histórias de seus ancestrais, cantos e danças com o público.

Em sua quarta participação no festival, Lucia também integrou, neste ano, o Caju Itinerante, projeto que visitou dez escolas da região com contações de histórias e conversas com os estudantes.

“O Caju é sempre um presente. São muitas emoções e alegrias na vida pessoal, espiritual e profissional. É um lugar de novas experiências e de imersão. Hoje, tive o prazer de estar ao lado de Maria Coruja, uma liderança muito reconhecida pelo povo Pataxó. Foi uma honra”, afirmou.

Imagens e grafismos indígenas

A mesa “Quando as imagens também contam as histórias dos bichos” reuniu a desenhista e roteirista Sol Itaputyr, do povo Jeripankó, o artista e tatuador Tucunã Pataxó e o ilustrador Maurício Negro. O encontro discutiu como desenhos, ilustrações e grafismos podem transmitir histórias, conhecimentos e referências ancestrais.

Em sua primeira participação no Caju de Leitores, Sol destacou o acolhimento e os conhecimentos compartilhados durante o festival. “Eu não imaginava que levaria tanta bagagem de conhecimento, que seria tão bem acolhida e que me emocionaria tanto. Quero agradecer aos meus ancestrais, ao meu pai Tupã, aos Encantados e a este território”, declarou.

Responsável pela identidade visual do Caju de Leitores desde 2024, Tucunã falou sobre a importância de sua arte para expressar a força, a resistência e a luta do povo Pataxó. “Por meio do trabalho que desenvolvemos com os alunos, criamos essa conexão que temos com nossos ancestrais e nossos avós, quando nos sentamos à beira da fogueira para escutar os mais velhos. A gente também ensina essa conexão na educação: a importância de ouvir e compartilhar, fortalecendo a cultura indígena”, afirmou.

Para Maurício Negro, o festival tem contribuído para formar uma rede entre autores, artistas, educadores e comunidades. “As conversas acontecem em todos os lugares e caminhos. O mais interessante é que o Caju está tecendo uma rede de contatos e criando conexões. Os educadores são mediadores de cultura com as crianças, principalmente neste momento em que se repensa a educação no mundo”, ressaltou.

Colheita de Livros reúne autores e público

À tarde, a Colheita de Livros — Encontro com Autores reuniu Duca Caraíva, Adriana Pesca, Lucia Tucuju, Auritha Tabajara, Geni Nuñez, Maurício Negro, Carina Pataxó e outros convidados para uma conversa sobre literatura indígena, memória e território.

“Esse é um momento ímpar, de estar à mesa com escritoras e escritores que fizeram parte da minha pesquisa de mestrado como pioneiros na construção do que hoje conhecemos como literatura indígena brasileira contemporânea. É um prazer compartilhar uma mesa com esses grandes autores e poder dizer que também faço parte dessa construção”, afirmou Adriana Pesca, primeira mulher indígena da Bahia a ocupar uma cadeira na Academia de Letras de Porto Seguro.

Proteção animal e apresentações culturais

No Palco Sabará, o projeto Caraíva Proteção Animal apresentou informações e promoveu uma atividade de conscientização sobre o cuidado e a proteção dos animais. O espaço também recebeu uma contação de histórias do projeto Corra pro Abraço, que desenvolve ações de garantia de direitos e redução de riscos junto à juventude.

Após a Colheita de Livros, os Marujos Pataxó realizaram uma apresentação cultural que marcou o encerramento do último dia do festival.

Para Joanna Savaglia, idealizadora e gestora do Caju de Leitores, a 5ª edição mostrou o amadurecimento do festival e o aprofundamento dos temas abordados nas rodas de conversa.

"O Caju 2026 foi um evento muito especial e tem sido, cada vez mais, acolhido pela comunidade. Esse ano tivemos a primeira artista internacional, que encantou as pessoas com as suas histórias.  Além disso, shows, rodas de conversa e todas as atividades, que tiveram grande participação. Estamos contentes com o resultado. Acreditamos estar no caminho certo. Essa 5ª edição também trouxe um festival maduro, com uma curadoria muito refinada. E, apesar de menos rodas de conversa, todas foram muito bem pensadas. Esses 5 anos de percurso do Caju, fez desse evento consolidado, adotado pela comunidade e pelos municípios vizinhos também. Chegamos num nível de maturidade, que o Caju já transmite conhecimento, atrai pessoas interessadas por leitura e literatura, e a ideia é que cada vez mais pessoas comecem a escrever livros e contar suas histórias”, finalizou, confirmando a realização da 6ª edição do Caju de Leitores em 2027.

Sobre o festival

Criado em 2022, o Festival Caju de Leitores tem como eixos a formação de leitores, a ampliação do acesso à literatura indígena e o encontro entre escritores, artistas, educadores, estudantes, lideranças e comunidades. Até 2025, o festival alcançou mais de 12 mil pessoas em suas diferentes ações.

A 5ª edição teve como tema “Um Manifesto de Bichos”, que propôs reconhecer os animais como seres presentes nas histórias, nas memórias e nos conhecimentos compartilhados entre gerações. A proposta relacionou bichos, ancestralidade, território, língua, natureza e os modos indígenas de compreender a existência.

O Festival Caju de Leitores é uma realização do Ministério da Cultura e da Savá Cultural. Conta com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, via Lei Rouanet, além da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico. Tem ainda parceria acadêmica da Universidade Federal do Sul da Bahia.

BOX — O Caju pelo olhar do público

“O Caju é um evento muito importante. Reúne escritores de diversos povos e tem essa diversidade, o que considero muito positivo. Trazer esses escritores permite que os leitores conheçam não apenas os livros, mas também quem escreve, de onde vem e como é o seu território. Estou ansiosa para o próximo.” Ana Cunha, moradora

“Gosto do Caju, principalmente das contações de histórias e de ajudar minha mãe a vender artesanato.” Maíny Brás, 10 anos

“Sou um jovem aprendiz da cultura indígena do povo Pataxó e estou aprendendo e praticando nossa língua materna, o Patxohã. O Caju é muito bom porque transmite ensinamentos sobre história e literatura para os jovens e as crianças. Além disso, ajuda as pessoas não indígenas a conhecer e compreender um pouco da nossa língua.” Wekanã Alves, estudante

“É a primeira vez que participamos. Vendemos artesanato, de onde tiramos nosso sustento, e gostei muito do Caju. Acompanhei as falas dos mais velhos e dos ancestrais, ouvi as histórias de Maria Coruja e me emocionei. Sou neta de Tururim, antigo cacique da Aldeia Xandó, e considero muito importante homenagear nossos anciãos.” Thayane Brás Ferreira, artesã indígena da Aldeia Bugigão

“O Caju tem o poder de reunir diferentes culturas. É um momento de união entre etnias e de fortalecimento. O que mais gosto é a participação das escolas e o aprendizado sobre cultura e literatura. Tenho duas crianças que amam os livros. É uma troca de conhecimentos, e sentimos isso cada vez que recebemos uma etnia diferente.” Michelle Souza Braz, indígena da Aldeia Xandó

“É a segunda vez que venho. É um encontro maravilhoso, e gosto de ouvir as histórias das diferentes aldeias indígenas presentes, que compartilham suas experiências e promovem essa troca. Queria muito acompanhar Tucunã, porque acho os desenhos dele maravilhosos. Como também sou designer, fico apaixonada pela arte dele.” Maria Paula, designer e moradora de Arraial d’Ajuda

Caju de Leitores abre 5ª edição com língua Patxohã, literatura indígena e participação de escolas

Cultura 03 de setembro de 2026

Primeiro dia reuniu a homenageada Maria Coruja, lideranças Pataxó, estudantes e as escritoras Geni Nuñez e Auritha Tabajara na Aldeia Xandó

A 5ª edição do Festival Caju de Leitores começou nesta quarta-feira (2), na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, em Porto Seguro (BA). O primeiro dia reuniu a homenageada Maria Coruja, o anfitrião Sairi Pataxó, o cacique Marrudo Pataxó, outras lideranças indígenas, autores convidados, estudantes e educadores.

Participaram das atividades a Escola Municipal de Caraíva, a unidade escolar da Aldeia Bugigão, a Escola Coqueiral e estudantes da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), além do público presente. A programação gratuita segue até sexta-feira (4), com rodas de conversa, contações de histórias, encontros com autores, apresentações culturais e atividades educativas.

O Awê e a oração Pataxó abriram o festival com uma saudação aos bichos, às pessoas e aos encantados. Em seguida, Giovanna Pataxó e Apêtxienã Pataxó conduziram a roda “Como chamamos os bichos em Patxohã: histórias de aldeia”.

Língua Patxohã e identidade

Durante a atividade, imagens de animais foram apresentadas às crianças, que eram convidadas a dizer seus nomes em Patxohã. Mukusuy (peixe), Exna (onça) e Kuké (cachorro) estiveram entre as palavras compartilhadas com o público.

Apêtxienã Pataxó destacou a importância do ensino da língua Patxohã nas escolas e sua relação com a identidade e o território do povo Pataxó.

“A nossa língua ancestral é espírito também. A partir do momento em que a gente valoriza nossa língua e a pratica, estamos afirmando nossa identidade, nossos ensinamentos e nosso legado. A língua também demarca território, conecta-nos com os antepassados e faz com que nossas criancinhas, nossos jovens e nossos adolescentes cresçam aprendendo o que é nosso, por meio do diálogo, das brincadeiras e da ludicidade. O Patxohã é língua sagrada, é uma afirmação para a gente enquanto povo, é língua-espírito do povo Pataxó”, afirmou.

Literatura infantil e outras relações com os bichos

À tarde, o Vozes da Escola abriu espaço para apresentações e produções desenvolvidas por estudantes. A programação continuou com a mesa “Descolonizando afetos na literatura indígena infantil: o que os bichos nos ensinam”, com as escritoras Geni Nuñez e Auritha Tabajara.

Geni Nuñez ressaltou a importância do Caju de Leitores como espaço de fortalecimento da literatura indígena e falou sobre a possibilidade de apresentar outras leituras de mundo às crianças e aos adultos que compartilham essas leituras com elas.

“Tenho chamado de reflorestamento do imaginário, que é apresentar para as crianças, mas também para quem lê com elas, a possibilidade de que há outras leituras de mundo, outras perspectivas. A mesa tem como foco repensar para que não se utilizem mais os bichos como ofensa, mas como parentes, que é o que a gente tem buscado enfatizar”, declarou.

Auritha Tabajara destacou a presença dos animais na ancestralidade e nas narrativas de seu povo. “Na minha aldeia, a onça é o nosso encantado, é de onde descendemos. Muitos dizem que os povos indígenas fazem parte da natureza, mas a verdade é que nós todos somos a natureza e, como natureza, devemos respeitar nossos ancestrais e ouvir os bichos”, afirmou.

O primeiro dia terminou com a apresentação do Grupo Cultural da Aldeia Xandó.

Jornada apresentou pesquisa sobre leitores da região

Na terça-feira (1º), a parceria entre a UFSB e o Caju de Leitores reuniu professores, educadores e estudantes no Centro de Cultura de Porto Seguro durante a III Jornada de Literaturas Indígenas.

Na ocasião, foram apresentados os resultados da I Pesquisa Caju de Leitores, que ouviu 976 estudantes e investigou a relação de crianças e jovens de escolas indígenas de Porto Seguro e do distrito de Caraíva com os livros e a leitura. A pesquisa será apresentada novamente nesta quinta-feira (3), às 14h30, durante a programação do festival.

À noite, a Jornada continuou no Campus Sosígenes Costa da UFSB, com a Varanda Indígena, mesa-redonda sobre ensino e literaturas indígenas com Vanessa Guarani Ratton e Paulo de Tássio Borges da Silva.

Caju de Leitores chega à 5ª edição

Criado em 2022, o Festival Caju de Leitores promove o encontro entre literatura, educação e território, aproximando escritores, artistas, educadores, estudantes, lideranças indígenas e comunidades. Com ações dedicadas à formação de leitores e à ampliação do acesso à literatura indígena, o festival alcançou mais de 12 mil pessoas até 2025.

Em sua 5ª edição, o Caju de Leitores apresenta o tema “Um Manifesto de Bichos”, inspirado na presença dos animais nas histórias, nas memórias e nos conhecimentos transmitidos entre gerações. A proposta aproxima bichos, ancestralidade, língua, natureza e território, destacando diferentes modos indígenas de compreender a existência.

O Festival Caju de Leitores é uma realização do Ministério da Cultura e da Savá Cultural. Conta com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, via Lei Rouanet, além da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico. Tem ainda parceria acadêmica da Universidade Federal do Sul da Bahia.

Programação de quinta-feira — 3 de setembro

7h30 — Recepção e acolhimento das escolas e do público em geral

8h — Contação de histórias
Com Maria Coruja e Auritha Tabajara

9h — Povos indígenas de Abya Yala: conexão ancestral por meio do livro literário indígena — quem é o nosso bicho ancestral?
Com Mariela Tulián, Sairi Pataxó e Sebastian Gerlic

10h30 — Apresentação da Cia. de Teatro Livro Aberto
Palco Sabará

14h — Vozes da Escola
Palco Sabará

14h30 — Apresentação da I Pesquisa Caju de Leitores

15h30 — Educação indígena inclusiva: para humanos e não humanos
Com Vanessa Guarani Ratton, Carina Pataxó e Lucia Tucuju

17h — Apresentação do Grupo Cultural do Porto do Boi

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