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Festival de Cinema e Turismo tem programação em Porto Seguro e Salvador

Redação Cultura 01 de setembro de 2026

 

A 5ª edição do Finisterra Brasil Film Art & Tourism Festival traz para a Bahia 109 filmes de 22 países. Organizado pela Arrábida Film Commission, de Portugal, a mostra acontece entre 08 e 16/09 na Bahia. São 22 categorias e 70 troféus em disputa.

Estão programadas 19 sessões de cinema, divididos entre o Centro de Cultura de Porto Seguro, a Sala Walter da Silveira, em Salvador; e nos Museus MAB, MAM e Museu da Mesiricórdia, todos na capital baiana.

Na Terra Mater haverá também uma programação para alunos do Ensino Médio com os ciclos temáticos "Pegadas de Portugal" e "Paisagens do Mundo". A cerimônia de premiação está marcada para o dia 16/09, às 17h, na Sala Walter da Silveira.

 

Promoção de cenários

Durante o festival, duas dezenas de participantes de onze países terão a oportunidade de realizarem uma imersão em pontos turísticos. O objetivo é explorar o potencial da região para futuras produções cinematográficas.

O roteiro inclui ao Arraial d’Ajuda, Caraíva, Parque Marinho Recife de Fora, Reserva da Jaqueira, Estação Veracel e Centro Histórico de Porto Seguro. O itinerário cultural estende-se a Belmonte e a Salvador, com paragens em museus, Fundação Casa de Jorge Amado, Bloco Afro Ilê Aiyê e Pelourinho.

Segundo Carlos Sargedas, diretor de ambos os festivais (Portugal e Brasil) e vice-presidente do CINETOUR (consórcio de festivais de cinema no mundo), “esta sinergia cria uma ‘ponte’ essencial entre a Bahia e o resto do circuito cinematográfico internacional.

O Finisterra Brasil Film Art & Tourism Festival é um evento internacional que promove a convergência entre a produção audiovisual e o turismo, premiando obras que destacam identidades culturais, destinos e a sustentabilidade ecológica a nível mundial.

 

Categorias de inscrição obrigatória: Documentário; Curta-metragem documental; Promoção; Publicidade; Timelapse; Drone; Séries de TV; Filmes turísticos com IA; e Filmes de turismo para blogueiros/vloggers e youtubers.

Premiações de categorias técnicas e artísticas: Melhor Fotografia; Melhor Trilha Sonora; Melhor Roteiro; Melhor Criatividade/Inovação; Melhores Efeitos Visuais; Melhor Direção; Melhor Pós-Produção/Edição e Melhor Narração/Dublagem

Categorias temática (premiação para os melhores filmes de): Turismo Religioso; Turismo de Montanha; Turismo de Praia e Mar; Turismo de Viagem; Turismo de Destinos; Turismo de Natureza e Vida Selvagem; Turismo de Lugares Históricos; Vida Humana; Turismo de Serviços; Meio Ambiente e Sustentabilidade; Cidades Turísticas Porto Seguro e Cidades Turísticas Brasil

 

Programação

Porto Seguro - CINE ESCOLA - Centro de Cultura de Porto Seguro

09/09 (quarta)

09h - Workshop Práticas Cineclubistas; Mostra Pegadas de Portugal

14h - Mostra Pegadas de Portugal; Mostra Paisagens do Mundo

19h - Cerimônia de Abertura; Sessão Cineclube

 

10/09 (quinta)

09h - Mostra Pegadas de Portugal; Mostra Paisagens do Mundo

14h - Mostra Pegadas de Portugal; Mostra Paisagens do Mundo

 

11/09 (sexta)

09h - Mostra Pegadas de Portugal; Mostra Paisagens do Mundo

14h - Mostra Pegadas de Portugal; Mostra Paisagens do Mundo

16h - Conferência “Cinema e Turismo” (com Carlos Sargedas - Portugal: “As Film Commissions e o Turismo”; Juca Fonseca - Brasil: “O Novo Cinema - Analógico e Digital”; e Priscilla Frey - Suíça: “Cinema Pró-Turismo”

 

12/09 (sábado)

CINEMA EM PROSPECÇÃO

08h - Caraíva: Aldeias Indígenas

19h - City Tour

 

13/09 (domingo)

Passeio ao Parque Marinho Recife de Fora

19h - City Tour

 

Salvador

15/09 (terça)

CIRCUITO MUSEUS

10h - Visita Museu de Arte da Bahia e Museu de Arte Contemporânea; Sessão de Filmes

15h - Visita ao Museu da Misericórdia; Solar do Ferrão

 

16/09 (quarta)

10h - Visita ao Ilê Aiyê

14h - Casa de Jorge Amado

19h - Cerimônia de Premiação - Sala Walter da Silveira


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Resenha: "Sonhário - O Desejo dos Outros'" explora o teatro tradicional

Colaborador Cultura 27 de agosto de 2026

 

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Resenhas críticas – Porto EnCena – 2ª Edição

Nossa Coluna Teatro no Jornal do Sol tem por objetivo publicar - nesse primeiro momento - resenhas críticas dos espetáculos apresentados no Festival de Teatro Porto EnCena - 2ª Edição.
Hoje, trazemos o espetáculo "Sonhário: O Desejo dos Outros" - espetáculo com produção do curso Artes do corpo em cena,  dirigidos pela professora Aline Nunes -, com análise da professora do curso de jornalismo da UFSB, Célia Regina da Silva. A Coluna é uma parceria com a Universidade Federal do Sul da Ba
hia (UFSB).

'Sonhário: O Desejo dos Outros' explora teatro tradicional a partir de cadernos de sonhos

Criada por estudantes da UFSB no componente Laboratório de Metáforas e Corporalidades, a peça nasceu da pesquisa da professora Aline Nunes sobre sonhos (embasada em Davi Kopenawa Yanomami e Sidarta Ribeiro) aliada ao desejo da turma de explorar o teatro tradicional, tendo como ponto de partida cadernos de sonhos. A obra convida a uma imersão sensorial que barra as fronteiras entre o real e o surreal.

Inspirada na poética do samba, em que o “sonho que se sonha junto é realidade”, a peça explora o universo dos sonhos como uma força capaz de transformar a vida real. Com sutileza e provocação, a narrativa entrelaça alucinação, memória e realidade, usando essa dimensão simbólica para dar liga a temas brutais como exploração, trabalho, sexo, traição e violência. Críticas à precarização do trabalho, à exploração da mão de obra e à figura histriônica de Donald Trump são alguns dos assuntos abordados ao longo dos noventa minutos de espetáculo.

Caderno de Sonhários apresenta como figura central a Mãe-Terra, personificada a partir de uma dolorosa história real: a de uma mulher palestina grávida que, ao sofrer a violência extrema de um bombardeio, teve seu parto realizado no limite da sobrevivência. Com base nessa tragédia, símbolo do impacto devastador das guerras sobre a população civil, a obra transforma a dor em potência poética.

A complexidade da vida real versus a delicada leveza de nossos sonhos é o fio condutor do texto. Imagens, sons e sentidos contrastam a dureza do mundo concreto com a vastidão e o lirismo do universo interior. Nessa tensão constante, o palco se torna o território onde o visível e o invisível colidem, momento de questionamento sobre até que ponto nossas aspirações imaginadas podem resistir às exigências do cotidiano.

O desempenho dos atores e atrizes em cena foi surpreendente, revelando uma entrega visceral que transformou cada gesto e silêncio em pura intensidade dramática. Com um domínio cênico exemplar, o elenco transitou com fluidez pelas complexidades e nuances dos personagens, prendendo a atenção do público e conferindo verdadeira verossimilhança ao espetáculo.

Neste sentido, a busca por dimensionar emoções e alucinações corporais de forma autêntica exige uma dinâmica que rompe com as convenções. É nessa autenticidade corporificada que se evidenciam a direção arguta e a dedicação do grupo ao jogo cênico.

No impacto da primeira cena, figurino e espaço cênico dialogam de forma instigante. A figura queer, com vestido verde, percorre a cena munida de um conduíte amarelo, elemento plástico e sonoro que rabisca o ar, instaurando a dimensão onírica da montagem. Já o lenço sobre o rosto da personagem principal faz alusão à trágica história da mulher palestina.  

O espetáculo foi plenamente bem-sucedido em sua proposta. Ao articular performances viscerais, uma cenografia expressiva e uma crítica social afiada, a montagem conseguiu materializar a tensão central entre a delicada leveza dos sonhos e a crueza da realidade. Os efeitos de sentido projetados na concepção da peça não apenas funcionaram no palco, mas ressoaram de forma marcante e provocativa na plateia.

O texto nasce das vivências teatrais e pesquisas da diretora, que promove uma espécie de revival de suas experiências do período de formação. Essa trajetória se reflete no palco na fusão entre autores clássicos e contemporâneos que marcaram sua formação — um percurso que transita da dramaticidade de Tennessee Williams e da releitura do icônico Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, a debates extremamente atuais, como a gamificação e a cultura do TikTok.

Com sutileza e criatividade, a arte tem a rara capacidade de tocar em temas espinhosos. Assim como no ato de sonhar, em que o cérebro costura passado e presente para ressignificar traumas, saudades e aprendizados, a criação artística nos prepara para o amanhã. Em uma cidade marcada desde a sua origem pela violência colonial, como Porto Seguro,  cujos reflexos ainda ditam as formas de ocupação do espaço urbano, o teatro surge como o território mais apropriado para encarar essa realidade. É no palco que se abordam, com maestria e sensibilidade, as singularidades, os paradoxos, as desigualdades e os sonhos que atravessam a nossa história. A análise profunda sobre os sonhos possibilita o reconhecimento de que a nossa identidade vai muito além da história que contamos quando estamos acordados. Ela prova que, no fundo, guardar a capacidade de sonhar, dormindo ou acordado, é a única forma de continuar reinventando o real.

A cena final, com os atores cantando em espanhol, remete aos musicais e encerra a montagem em tom de catarse, em ode à latinidade.  Essa ruptura estilística contrasta a dureza dos conflitos encenados com o lirismo do canto, convidando o público a sair do teatro não pelo peso da realidade, mas pela potência libertadora do sonho compartilhado.

O manancial imagético, o senso de criação coletiva, o rigor profissional do grupo, a dedicação dos estudantes e a direção visceral culminam na potência do resultado final. O fogo que ronda a terra abre-se, assim, para a pura criatividade e para as infinitas possibilidades que o sonhar pode gestar.

Festival Caju de Leitores 2026 tem como tema “Um Manifesto de Bichos”

Assessoria de Imprensa Cultura 11 de agosto de 2026

 

Com o tema “Um Manifesto de Bichos”, o Festival Caju de Leitores realiza sua 5ª edição na Aldeia Xandó. A homenageada desta edição é Maria Coruja, liderança Pataxó cuja trajetória está ligada à comunidade, à memória e aos saberes do território.

A programação é gratuita e vai reunir escritores, artistas, educadores, estudantes, pesquisadores, lideranças indígenas e comunidades em atividades dedicadas à literatura, artes, educação e saberes tradicionais.

 

 

O Festival tem como eixos centrais a formação de leitores e a aproximação entre literatura, território e educação. As atividades vão acontecer principalmente na Oca Tururim, abordando as relações entre literatura, memória, língua, natureza e os conhecimentos compartilhados pelas comunidades indígenas.

De acordo com os organizadores, o tema desta edição “propõe olhar para os bichos a partir de diferentes narrativas e formas de relação com o território. A proposta dialoga diretamente com o local e a presença dos bichos nas histórias, nas memórias e nos conhecimentos do povo Pataxó”.

Está programado também o “Vozes da Escola”, espaço criado para que as instituições de ensino apresentem atividades realizadas por seus estudantes, como leituras, contações de histórias, poesias, músicas, pesquisas e produções literárias.

O 5º Festival Caju de Leitores acontece de 02 a 04/09, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha. É uma é uma realização do Ministério da Cultura e da Savá Cultural; patrocínio da Neoenergia e Itaú, via Lei Rouanet, além da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro. Tem ainda parceria acadêmica da Universidade Federal do Sul da Bahia.


Com informações da Assessoria de Imprensa - Foto: divulgação

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Resenha: "O Catador de Histórias", peça infanto-juvenil de A Patela Cia de Teatro

Colaborador Cultura 14 de agosto de 2026

 

Resenhas críticas – Porto EnCena – 2ª Edição

Nossa Coluna Teatro no Jornal do Sol tem por objetivo publicar - nesse primeiro momento - resenhas críticas dos espetáculos apresentados no Festival de Teatro Porto EnCena - 2ª Edição.
Hoje, trazemos a análise do espetáculo "O Catador de Histórias", espetáculo infanto-juvenil de A Patela Cia de Teatro, por Rafael dos Santos Santana, Valdiléia Pereira Guimarães e Alisson dos Santos Pereira (integrantes do Mútua) e Keila Araújo, professora da LI Linguagens e coordenadora do Grupo de Leitoras(es) que escrevem literatura. A Coluna é uma parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

 

"O Catador de Histórias"

O elenco do espetáculo preocupa-se em ter a atenção e a adesão da plateia antes mesmo do início da apresentação, quando os artistas recebem a audiência na entrada do teatro. A proposta interativa já se estabelece ali, com a dinâmica que convida o espectador a escolher em qual lado da plateia deseja sentar: o lado de Robson Vieira ou o lado de Joane Bittencourt. A partir daí, o espetáculo O Catador de Histórias envolve todas as idades por meio da música e das histórias que encontram bons caminhos para iniciar: “quero começar mas não sei por onde, onde será que o começo se esconde?”. O trecho desta música, nacionalmente conhecida entre crianças e famílias, ativa as conexões de sentido da plateia de forma divertida e contribui para acolher a todos no clima da apresentação. 

A encenação se desenvolve como um musical interativo, quando os atos são costurados por canções performadas pelos artistas, enquanto uma banda composta pois dois músicos também está no palco, integrada às cenas e performances, cujos instrumentos participam do cenário e os figurinos completam a integração da sonoplastia como parte do elenco no palco e a proposta do espetáculo se constrói na articulação entre iluminação, som e atuação, todos os elementos em diálogo coerente com as cenas e histórias encontradas pelo caminho.

Robson veste bermudão cinza e camisa laranja; o Vovô usa um macacão cheio de bolsos; Joana veste saia verde, top lilás e um colar de zíper; o músico Du Txai veste uma jardineira com camisa em tom envelhecido; e Patrick San Kruger usa bermudão e meias coloridas. No centro do palco, o cenário é composto de forma experimental e combina elementos de viajantes contadores de histórias e objetos comuns dos espaços que as crianças criam para brincar: um tapete colorido, malas antigas de couro e uma caixa grande com tecido branco e embalagem de ovos, simulando uma televisão, ao lado esquerdo um banquinho de madeira, a qual em certos momentos Joana fica sentada, ao lado direito os músicos e os instrumentos, como bumbo, alaúde, afoxé, carrilhão de chaves,o ferrinho instrumental e o coquinho.

O personagem Vovô é o catador de histórias e surge em cena por meio de um boneco de fantoche quase do tamanho dos atores, manipulado por Robson Vieira. Nesse momento, os efeitos de luz e som capturam a atenção da plateia, anunciando o início das narrativas. Logo na primeira história, o conto do rei e sua roupa feita de um tecido invisível, destaca-se a criatividade dos elementos cênicos. Lenços se transformam em fantoches nas mãos do ator, dando vida aos acontecimentos. Em certos momentos, torna-se impossível desviar o olhar da apresentação.

No ato seguinte, há uma total mudança de planos e a ambientação sonora cria uma atmosfera marinha. O teatro mergulha na escuridão do mar, iluminado por tons de azul, transportando o público ao fundo do mar. O cenário revela soluções criativas, como o uso de embalagens de ovos recicladas. Essa narrativa aborda temas como a conscientização ambiental e os impactos da negligência com a vida marina e proposta de interação com o público ganha bastante materialidade. Os atores levam os bonecos de corda até a plateia, o polvo e a tartaruga continuam sendo projetados, desta vez bem perto das pessoas, ampliando a experiência sensorial.

A sequência do espetáculo segue priorizando o ritmo, a música e os jogos de linguagem. No conto da menina que desejava conhecer a menor história do mundo, a sonoplastia ganha ainda mais protagonismo: cada gesto, passo ou virada de página é acompanhado por um som específico. Talvez, em alguns momentos, a plateia deixe de acompanhar alguns detalhes das tramas internas, mas a escolha por combinar e, ao mesmo tempo, separar histórias no mesmo espetáculo permite uma experiência estética reveladora dos sentidos, da capacidade de visualizar os diferentes planos do real vivido e imaginado, e esses recursos revelam grande sensibilidade experimental e artística.

Todo o trabalho realizado no espaço do teatro revela um caráter atemporal, retomando as memórias de infância do público adulto com as cirandas cantadas e brincadeiras sem fim. Mas, para além desse sentimento nostálgico, temos uma dualidade com a infância e o fazer brincar, uma vez que as crianças estão se afastando cada vez mais cedo do brincar na atualidade.

No ato final, o Vovô Catador de Histórias retorna ao palco e encerra a apresentação com a frase: “os sonhos são primos das histórias”. A reflexão permanece, enquanto o espetáculo se despede com leveza e encanto. O Catador de Histórias se apresenta como uma experiência acessível a toda a família, mas também como uma proposta sensível para aqueles que buscam momentos de contemplação, riso e imaginação. Além disso, a peça apresenta ao público o trabalho da companhia A Patela, fundada por Robson Vieira, reafirmando a força do teatro como espaço de criação, encontro e reflexão.

 

Ficha técnica

Dramaturgia: Robson Vieira e Deborah Mazochi

Elenco: Robson Vieira, Joane Bittencourt, Du Txai e Patrick San Kruger.

Direção Musical: Du Txai

Primeira indígena a ocupar uma cadeira, Adriana Pesca Pataxó toma posse na ALPS

Redação Cultura 03 de agosto de 2026

 

A escritora, professora e pesquisadora Adriana Pesca Pataxó vai tomar posse na Academia de Letras de Porto Seguro no dia 13/08. Ela será a primeira indígena a integrar a Academia.

 

 

Adriana foi eleita para a ALPS em abril desse ano, juntamente com mais três novos ‘imortais’: Fábio Del Porto (escritor, jornalista e apresentador); Maurício Cordeiro (escritor e empresário) e Rose Marie Galvão (escritora, jornalista e historiadora).

 

Afirmação da autoria

Adriana é docente na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), com duas décadas de atuação na educação escolar indígena em Santa Cruz Cabrália. Para ela, “o ingresso na Academia representa a afirmação da autoria e do conhecimento produzidos pelos povos originários no território”.

Passando por um momento pessoal muito difícil, Adriana se expressou pelas redes sociais. “Na verdade, ainda não é possível mensurar a necessidade de retomar o caminho, quando se foi obrigado a parar”.

“No entanto, ao receber a notícia de que fui eleita como membro da Academia de Letras de Porto Seguro, primeira escritora indígena ocupando esse lugar de visibilidade, pude fazer uma pausa da sensação de impotência e então sentir as nuances da vida que ora nos presenteia, ora nos tira o chão. Mas as dualidades não são os únicos caminhos possíveis”.

 

Ampliação dos horizontes

De acordo com o presidente Rod Pereira, “a Academia não é um espaço de vaidade silenciosa, mas de ideias vivas, debate e impacto real na sociedade. Os novos membros não apenas ocupam cadeiras, mas assumem responsabilidades de produzir, participar e fortalecer a literatura”.

Sobre Adriana, Rod destaca que “há trajetórias que, ao chegarem a uma instituição, ampliam o seu horizonte. A de Adriana Pesca Pataxó é uma delas”.

“Adriana construiu sua caminhada no encontro entre educação, pesquisa, memória e literatura. Sua atuação está profundamente ligada à valorização da língua, dos conhecimentos e das experiências históricas do povo Pataxó”, explica.

“Em sua escrita, a palavra não é apenas registro. É permanência, transmissão e futuro. Sua produção intelectual contribui para que outras narrativas sejam conhecidas, respeitadas e reconhecidas como parte fundamental da história e da identidade de Porto Seguro”, acrescenta.

“Sua chegada representa o reconhecimento de uma trajetória consistente e fortalece o compromisso da instituição com a pluralidade das vozes que constroem o pensamento, a literatura e a memória do nosso território”, completa o presidente.

A cerimônia de posse acontece no dia 13/08, às 19h, no Centro de Cultura de Porto Seguro.


Foto: divulgação redes sociais

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