O real imaginado na peça Solar dos Martírios: a Lenda da Cova da Moça, da Cia. de Teatro Prosopopeia

Coluna Teatro

Resenhas críticas – Porto EnCena – 2ª Edição

Nesta sexta-feira, dia 1 de maio, a continuidade da Coluna Teatro, que tem por objetivo publicar - nesse primeiro momento - resenhas críticas dos espetáculos apresentados no Festival de Teatro Porto EnCena – 2ª Edição, traz a análise do espetáculo 'Solar dos Martírios - A Lenda da Cova da Moça', por Keila Araújo - professora na UFSB e coordenadora do projeto de extensão Mútua - Grupo de leitoras(es) que escrevem literatura e Jamile Alexandrino- estudante da Licenciatura em Linguagens e suas Tecnologias na UFSB. . A Coluna é uma parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e o Jornal do Sol.

O real imaginado na peça Solar dos Martírios: a Lenda da Cova da Moça, da Cia. de Teatro Prosopopeia

A ambientação da peça recompõe a cidade de Porto Seguro no período colonial escravocrata do Segundo Império no Brasil (1884) para contar a história do primeiro processo criminal para julgar feminicídio no Brasil. O êxito na materialização do contexto sócio-histórico no palco revela a qualidade do planejamento do dramaturgo e diretor André Simão e da diretora e atriz Mari Martins, que, nitidamente, se dedicaram à pesquisa dos registros históricos sobre o referido crime em publicações como o livro “Cova da Moça - História do Crime que Virou Lenda” (2024), de autoria da jornalista e historiadora Rose Marie Galvão  (Editora Mondrongo). Também identifica-se a escuta da comunidade e mobilização de repertório para combinar, no espetáculo, diversas escolas da história do teatro para potencializar o deslocamento temporal e o mergulho no imaginário mítico da cidade, que mantém presente o forte alerta contra a violência cometida contra mulheres. Assim, quando a literatura e o teatro retomam fatos históricos, a distância do tempo, os percursos da memória e da linguagem recriam o acontecimento em perspectiva simbólica. Isso gera um “real” que é, ao mesmo tempo, reconhecível e transformado, conforme teóricos da ficção, em especial, Paul Ricoeur . 

A equipe de produção da Cia. de Teatro Prosopopeia realizou um trabalho minucioso para integrar recursos de iluminação, cenografia, música, efeitos sonoros, figurinos, linguagem e atuação capaz de criar o efeito de deslocamento da percepção do público para o tempo histórico da história encenada.

A trama se desenvolve no contexto político-social do período imperial quando o papel social das mulheres pertencentes à classe nobre estava limitado à tutela masculina. Assim, a protagonista Josefina reúne em si as expectativas sociais para o feminino como a contenção das emoções, o refinamento da fragilidade dos gestos, o silenciamento de suas experiências, o descrédito a suas falas e total ausência de espaço de escuta para seus relatos e sua visão de mundo, condições discutidas por intelectuais como Simone de Beauvoir, Audre Lorde, Silvia Federici e bell hooks . Seu marido e tutor, o juiz Maximiano Lopes Chaves, reúne em si o pressuposto de detentor do poder de decidir sobre a vida das mulheres. Tal poder se amplia no contexto de cidade do interior do Brasil, onde ainda perdurava certa estrutura de capitania, garantindo grande influência política a personalidades como o juiz Maximiano.

Toda a história se passa no casarão do juiz e de Josefina, onde também residia Rosália, mulher negra escravizada, cuidadora afetuosa de Josefina e irmão do juiz, Otelo, nome do personagem shakespeariano que ativa a memória do público mobilizado a aproximar as histórias, bastante semelhantes. Em ambas as histórias, estão presentes os mecanismos de controle sobre a vida das mulheres, a sexualização de seus corpos, a vigilância e o ódio por trás das acusações caluniosas e da construção de falsas provas. Em ambas, a completa ausência de escuta aos seus argumentos de defesa e nenhum vestígio do princípio elementar de que as decisões sobre a própria vida pertencem à mulher.

Esse crime não se limita ao passado. Ele ecoa até os dias de hoje, revelando como estruturas de poder patriarcais continuam a sustentar a violência contra mulheres e a perpetuar o silenciamento de suas vozes. O conflito, portanto, não é apenas individual ou doméstico, mas social e estrutural: expõe a lógica de um sistema que naturaliza a dominação masculina e marginaliza a experiência feminina.  

No drama em cena, Otelo (Otávio Lopes Chaves), alimenta inveja e ódio pelo irmão juiz que representa o sucesso da figura masculina da época, uma grande casa, um cargo de prestígio, uma esposa educada em família nobre e  pessoas escravizadas na realização do trabalho que mantém os privilégios da família. Ressentido pelo próprio fracasso, Otelo vê em Josefina o meio para destruir os fundamentos da vida do irmão Maximiano. O vilão, então, escreve uma carta para Maximiano em que ironiza a vida perfeita do juiz e diz ter conquistado Josefina, revelando caluniosamente uma traição. Como prova, Otelo cita uma mancha que Josefina tinha no alto da coxa, da qual tomou conhecimento enquanto vigiava Josefina em um banho de rio, acompanhada da fiel cuidadora, Rosália. Acreditando na mentira e tomado pelo ódio, o juiz Maximiano fere Josefina gravemente e a tranca no porão da casa, sem acesso à nenhum cuidado e socorro. 

Na construção de sentido, a composição da peça cria um contraste que evidencia a completa oposição entre a representação da rotina de Josefina, marcada por sua tranquilidade em casa, satisfeita com a condição de esposa dedicada e feliz em preparar uma honrosa recepção para o marido que estava em viagem à capital Salvador e, do outro lado, o ambiente sombrio da mente do juiz, contaminada pelo desejo de controle, ódio e vingança contra  Josefina. Esse contraste é potencializado pelos recursos de som e iluminação quando as músicas clássicas amenas e a luz clara atuam na  formação de um clima bucólico para momentos como o banho de rio de Josefina, os seus cuidados com a beleza dos cabelos e a escolha das roupas para receber o marido. Em um plano oposto, a escuridão e música de forte tensão tomam conta do palco nas cenas em que Otelo maquina contra Josefina para atingir Maximiano e nos tons de vermelho das cenas de forte covardia e violência.  

A trama é um grande desafio para o elenco, que consegue corresponder individual e coletivamente e criar, com contundência, a interpretação deste texto que explora as emoções na tensão progressiva expressa por complexas conexões de falas, pela aflição do fluxo psicológico dos personagens e pela exigência de forte consciência corporal nos intensos conflitos coletivos das cenas mais graves.

Há grande destaque para a atuação na composição da personagem Josefina, tão presente no imaginário da população de Porto Seguro, que surge no palco como presença completa no resgate de sua história e no seu clamor por justiça. Há uma impressionante fluidez e coerência nos gestos da atriz, na entonação da voz seguindo as variações das emoções das cenas, nas expressões da face, do olhar, nas emoções expressas nos detalhes, nas minúcias do corpo nos diversos estágios da vida da personagem,  desde a vida plena e feliz às aflições provocadas pelos ataques sofridos e ao desalento do flagelo.  No momento de maior tensão, quando o Juiz Chaves amarra sua esposa e começa a torturá-la, a iluminação e o som transformaram a cena em uma experiência imersiva, o choro da personagem ecoa desde 1884 e o público é tomado por profundo pesar. 

A personagem Rosália, interpretada pela atriz e diretora Mari Martins, é mediadora tanto na lógica interna da peça, em que Rosália é presença constante e referência confiável sempre em defesa da verdade e da justiça, quanto na lógica externa às cenas, quando desempenha a função de quebrar a quarta parede e aproximar o público da história encenada. Rosália, mulher negra bastante integrada à comunidade,  é bastante próxima de Inaiá, jovem indígena guardiã e semeadora dos saberes tradicionais dos povos originários, e, juntas, representam a forte presença das tecnologias ancestrais nos processos de promoção do bem viver e também nos movimento de enfrentamento contra as violências.

Todos os personagens retomam habilidades da dança para fortalecer as cenas dos bailes na ambientação do imaginário nobre da vida das elites e também para intensificar sentimentos de contentamento dos personagens. A dança também é um recurso para momentos de comunicação entre as cenas e atos. Nessas transições, que talvez pudessem ser mais breves e fluidas, estão presentes figuras tradicionais da história do teatro, tanto nas tragédias shakespearianas quanto nos autos de Gil Vicente, como o parvo, que assume a função de narrador na síntese dos acontecimentos encenados e a dicotomia na personificação do bem e do mal em figuras femininas. Essas representações compõem uma espécie de coro, que não participa dos  diálogos dos personagens, mas que atua na ampliação dos sentidos das cenas e no fortalecimento da conexão do público com o palco.

A maquiagem e o figurino impactam fortemente no efeito desses personagens que, em alguns momentos entre as cenas, também aparecem usando máscaras que remontam à diversas vertentes históricas do teatro, como as máscaras gregas e venezianas. Tais recursos da dramatização atuam na materialização sensorial do mistério fantasmagórico e envolve o imaginário popular em torno da história da Cova da Moça.

Acionando diversos recursos estéticos e repertório histórico, o espetáculo “Solar dos Martírios: a Lenda da Cova da Moça” leva o público a um mergulho profundo no imaginário popular, costura passado e presente, revelando memórias que insistem em permanecer vivas para despertar, na plateia, não apenas a curiosidade e a fruição da arte, mas também o encantamento diante da riqueza da cultura regional.

Travessias do teatro-vida: 'Como não matar nossos artistas no quintal de casa'

 

Coluna Teatro

Resenhas críticas – Porto EnCena – 2ª Edição

Nesta quinta-feira, dia 16 de abril, a continuidade da Coluna Entre Atos, que tem por objetivo publicar - nesse primeiro momento - resenhas críticas dos espetáculos apresentados no Festival de Teatro Porto EnCena – 2ª Edição, traz a análise do espetáculo 'Como não Matar Nossos Artistas no Quintal de Casa', por Keila Araújo - professora na UFSB e coordenadora do projeto de extensão Mútua - Grupo de leitoras(es) que escrevem literatura. A Coluna é uma parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e o Jornal do Sol.

 Travessias do teatro-vida no espetáculo em processo Como não matar nossos artistas no quintal de casa (A Patela Cia.)

O teatro está em cena. Na mostra “Como não matar nossos artistas no quintal de casa”, o teatro é trama, ação performática, personagem, corpo e espaço. Contudo, quando o teatro dobra o olhar sobre si mesmo, encontra o outro e o tempo da história é um tempo de muitas vozes. O território teatral, no espetáculo, configura memórias de quem atuou nesta região de Porto Seguro e de quem, de longe, ressoou por aqui. Não há fronteiras para o teatro. Não deveria haver.

O único ator em cena, Robson Vieira, chama o público para o palco. A plateia, em grande parte, era composta por estudantes das Artes do Corpo em Cena (UFSB), atores e atrizes da cidade.

O fato de o ator ser também dramaturgo e diretor intensifica os sentidos da metalinguagem. A voz no palco carrega em si múltiplas esferas da história do teatro: o drama encenado, a experimentação da ação performática, o improviso e a palhaçaria. Essas diversas camadas não estão exatamente sincronizadas, mas em movimento estelar, em constelação, quando diversas vertentes são ativadas no mesmo espaço. É esta voz do coletivo que mobiliza o público a estar verdadeiramente presente, porque, em tempos de incessantes estímulos do mundo virtual e das urgências das escalas exaustivas de trabalho, “a presença, mesmo que confirmada, pode não ser presença real”, diz o ator em seu convite. Então se faz necessário um pacto, o compromisso de estar entregue ao tempo-espaço e estar aberto à experiência, considerando o conceito de Jorge Larrosa, professor da Universidade de Barcelona, ensaísta e teórico da área de educação.

A mostra demonstra uma linguagem diretamente conectada aos principais movimentos de atualização da arte teatral ao materializar um espetáculo em processo de criação, que parte de texto fragmentado, heterogêneo, potencializado pela conexão dos recursos de projeção de imagens e sons interferindo na configuração do cenário e na experiência sensorial do corpo em cena. O espetáculo acessa essas estruturas de composição do teatro contemporâneo presentes nos conceitos de teatro performativo de Josette Féral e de teatro pós-dramático de Hans-Thies Lehmann que prevêem tais experimentações para explorar uma multiplicidade de sentidos e efeitos para além da dramatização de um texto de ações contínuas. Com esses recursos, a voz do ator-diretor-dramaturgo se multiplica no palco e impressiona ao assumir diversos papéis na leitura da biografia de figuras notáveis do teatro, na transmissão de notícias transmitidas via rádio, na interpretação de personagens e na referência às diversas vertentes do teatro.

No espetáculo em processo, a luz é lançada sobre o palco em espaços específicos, enquanto todo o restante do teatro fica no escuro. Os jogos de luz participam dos experimentos com a gravação prévia de textos informativos que pretendem  verdades nunca antes anunciadas, pois as propostas transformadoras da arte são frequentemente deturpadas para induzir o público a uma interpretação distorcida da criação de artistas do palco. O espetáculo toma também uma importante dimensão de manifesto em defesa da produção de teatro, pelo fomento de programas permanentes das artes em cena e pela proteção de artistas no exercício do seu trabalho e nas atividades da sua vida em plenitude.

Em cena, há forte crítica ao didatismo imposto ao teatro contemporâneo e se faz a reivindicação por uma melhor distribuição de verbas frequentemente destinadas a eventos musicais de gêneros homogêneos em um sistema de exclusão que impede a difusão da arte autoral em sua diversidade, como representação direta das diversas culturas que habitam o território.

A palavra-tema é trabalho, sobre-vivência e, no palco, é feita a transmissão de áudio com oportunidades de trabalho fervilhando em sobreposição, mas o que vem em seguida são os mecanismos de apagamento e o “viver da arte” pode significar estar sujeito à escassez. Então, neste momento do espetáculo, é possível pensar no título “Como não matar nossos artistas no quintal de casa” no sentido das dificuldades que enfrentam os profissionais da cena, atores/atrizes, dramaturgos(as), diretores(as), produtores(as) e agentes - funções, na maioria das vezes, acumuladas sobre a mesma pessoa - para levar ao grande público a cultura da arte que é um direito. Um direito indiretamente negado por meio de um sistema que direciona e limita o repertório da população a vertentes sempre repetidas do entretenimento, o que se agrava ainda mais quando o público está exaurido em escalas de trabalho incessante, isoladas em bairros dormitórios com poucas opções de transporte público, e, assim, impedidas de conhecer a diversidade cultural do seu próprio entorno.

Para artistas, os anúncios mostram um mundo vasto, os percursos parecem estar abertos, mas a exposição é total. Quem protege o(a) artista? E (sobre)viver da arte nunca foi tão literal.

No palco, o tempo e o espaço são criações móveis e movediças, não há garantias.  A escolha por poucos elementos de cenário enfatiza a proposta da mostra, o teatro está em processo de (re)criação, e contribui para que os sentidos sejam criados com o foco na penumbra, no movimento dos corpos, no entrecruzamento de vozes e nas imagens que fazem com que a lembrança se torne uma presença sensorial.

O espetáculo faz presente a força do teatro realizado nas terras do hemisfério sul, na América Latina, no Brasil, nas cidades de Minas Gerais e no Sul da Bahia. Assim, a história viva do teatro é a trama que apresenta trajetórias de quem trabalhou fortemente por esta vertente da arte. Assim, o legado de Ed Aquino é narrado. O ator, diretor, ativista cultural foi morador do bairro Parque Ecológico em Porto Seguro e atuou fortemente na formação de atores e na produção de peças de grande proporções na cidade, mas nunca recebeu reconhecimento compatível com seu legado. Aquino foi o primeiro artista da cidade a ter DRT (registro obrigatório para artistas na Delegacia Regional do Trabalho), documento que, ao mesmo tempo que abre portas, torna invisível quem não consegue vencer exigências burocráticas.

O espetáculo faz um necessário movimento de ampliar o reconhecimento da obra poética de Sosígenes Costa com a projeção da leitura do poema “O rio e o poeta”. O poeta nascido em Belmonte foi ganhador do Prêmio Jabuti (1959) e suas obras circularam entre outros grandes nomes da literatura nacional no século XX. Em 2013, ano de criação da UFSB - Universidade Federal do Sul da Bahia, o campus de Porto Seguro recebeu o nome Sosígenes Costa, em merecida homenagem ao poeta.

As projeções de sons e de imagens trazem para o presente vozes que soaram neste território, reconhecendo o pertencimento de histórias a uma terra, mas em trânsito de trocas constantes entre artistas e culturas vizinhas. Assim, o ator-dramaturgo-diretor em cena compartilha a autoria do texto que orienta o espetáculo nas direções do efeito polifônico, que parece não prever um resultado, pois prioriza a configuração de um espaço aberto. São vozes que todos reconhecem. São figuras históricas que dialogam com o espetáculo em processo e que, para além do seu legado no teatro e na literatura, precisam ser reverenciadas por sua humanidade e crença na vida em comunidade, no desejo de pisar o chão, encontrar pessoas diferentes e compartilhar o mesmo gosto pela vida-arte

Nos momentos finais do espetáculo em processo “Como não matar nossos artistas no quintal de casa”, o ator, cujo personagem é ele mesmo no campo coletivo do trabalhador da cena, muda de figurino no palco, e veste as roupas de palhaço que estavam estendidas no varal do quintal. O palco pode ter vários formatos, a terra do quintal, o barro da estrada e o coreto de uma praça, mas, infelizmente, pode também ser sufocado por rejeitos de minério ou ser invadido pelo ódio.

O ator em cena agora está no universo da palhaçaria e promove, por meio de imagens projetadas nos tecidos do varal, um encontro com a Palhaça Jujuba. Uma mulher venezuelana, artista latina, livre, dona de todas as suas faces e que foi vista como alvo, foi perseguida, torturada, violentada e morta em condições de barbárie. Por ser mulher e artista, artista e ativista, ativista e nômade em viagens de bicicleta. Julieta Inés Hernández Martínez estava no final de sua jornada pelos países da América do Sul e já estava perto da Venezuela, praticamente no quintal de casa, para termos de Amazônia, e faltava pouco para que pudesse reencontrar sua mãe.

A brutalidade está à espreita dos seres poéticos e é preciso haver proteção para os profissionais responsáveis pelo respiro e pelo tempo de fruição da inteligência.

Ao final do espetáculo, a notícia do assassinato da artista em Presidente Figueiredo - Amazonas recebe a legenda “Este texto foi criado integralmente por IA sem a interferência humana. Ou não.”, indo ao encontro das discussões sobre autoria e robotização do pensamento (não) crítico.

A mostra teatral “Como não matar nossos artistas no quintal de casa”, em composição multiforme, faz o público lembrar de que teatro se faz também no chão de terra, na mobilização das diversas gerações de artistas e no rastro de quem passa para o sempre. Pois, para citar o poeta das belezas ordinárias, Mário Quintana, “Eles passarão. Eu(nós), passarinho”. A legião de artistas segue se renovando e não permite a morte da memória, da honra e da vivência coletiva.

 

Com muito talento, Sophie Lys conquista audiência nas redes sociais

 

Com apenas 15 anos, Sophie Lys começa a afirmar-se como uma jovem artista em ascensão, já conquistando uma audiência significativa nas redes sociais.

Filha de Michael Rumpf-Gail - criador de Terravista em Trancoso, e Elaine, Sophie cresceu rodeada por um ambiente inspirador, onde desenvolveu desde cedo a sua sensibilidade artística.

Desde os 4 anos, iniciou o seu percurso na música com aulas de piano, construindo uma ligação profunda com o mundo musical que, mais recentemente, decidiu partilhar online através dos seus covers.

Com quase 30 mil seguidores no TikTok, Sophie tem vindo a criar uma comunidade que se conecta com a sua voz suave, interpretação emocional e estética romântica.

“Meu maior plano é construir uma carreira na música e continuar crescendo como artista, podendo no futuro lançar minhas próprias músicas”, revela a cantora com exclusividade ao Jornal do Sol.

A partir dos 4 anos de idade, Sophie iniciou o seu percurso na música com aulas de piano. Desde então, vem criando uma ligação profunda com o mundo musical e que, recentemente, decidiu partilhar online através dos seus covers.

A artista conta que suas influências vêm muito do R&B, da música dos anos 2000 e também “de músicas mais emocionais, que transmitem sentimentos de forma autêntica. Cresci ouvindo artistas como a Aaliyah e a Minnie Riperton”.

“Gosto muito também de estilos como a bossa nova, que trazem uma leveza e sensibilidade. Hoje também me inspiro em artistas atuais como a Ariana Grande e nas novas artistas da cena pop, com uma abordagem mais íntima e pessoal nas músicas”.

Sobre os vídeos que compartilha, Sophie diz que ama versões acústicas. “Uma das minhas partes favoritas de gravar covers é poder transformar músicas pop ou mais eletrônicas em versões mais simples e emocionais, quase como se fosse uma releitura mais próxima e pessoal”.

Com uma presença naturalmente carismática, Sophie transmite autenticidade e uma verdadeira paixão pela música. Apesar de estar apenas no início de sua jornada, o seu talento e dedicação já apontam para um futuro promissor, continuando a crescer e conquistando novos espaços no universo da música pop.

“Espero poder inspirar outros jovens a expressarem-se através da música. Também valorizo muito estar perto da minha família, então isso com certeza vai influenciar as minhas escolhas no futuro”.


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Coluna Teatro - O riso e a renovação da linguagem na peça Os Porquinhos e o Lobo Uau

Coluna Teatro

Resenhas críticas – Porto EnCena – 2ª Edição

Nesta quinta-feira, dia 2 de abril, iniciamos a Coluna Entre Atos. A coluna tem por objetivo publicar - nesse primeiro momento - resenhas críticas dos espetáculos apresentados no Festival de Teatro Porto EnCena – 2ª Edição. Em parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e o Jornal do Sol,  estudantes da graduação compartilham seus olhares e análises sobre as obras. A primeira resenha tem como autores: Emmisson Ribeiro, Keila Araújo, Rafael Santana, Valdileia Guimarães e Vitória Santos, que analisam a obra ‘Os Porquinhos e o Lobo Uau’, da Cia Teatral Dionísio.

O riso e a renovação da linguagem na peça Os Porquinhos e o Lobo Uau

Após a temporada de apresentações em 2025, o espetáculo Os Porquinhos e o Lobo Uau, da Cia. de Teatro Dionísio (Porto Seguro - BA), voltou ao Centro de Cultura na programação da segunda edição do Festival Porto EnCena em 25 de março de 2026. A apresentação materializa uma releitura contemporânea do conto clássico infantil, incorporando elementos do cotidiano atual e promovendo uma atualização significativa da obra original.

Cerca de duzentas crianças, estudantes da rede municipal de ensino, iluminaram o teatro de forma especial, porque o olhar de descoberta dos pequenos transforma também o espaço. O som, o movimento, o cenário, a linguagem… tudo é remodulado para a experiência sensorial da infância.

Desde o início da peça, fica evidente que os efeitos de som e de luz são importantes, não só para a composição da ambientação, mas para construir a própria história. Há uma significativa sincronia entre as falas dos personagens, o momento da cena e os sons projetados, o que contribui para que as crianças compreendam o andamento das cenas e interajam com as falas e movimentos do elenco no espaço do teatro. Esses recursos são acionados nos momentos de trocas dos personagens e no uso dos objetos entre uma cena e outra, de forma a intensificar os sentidos nos momentos de tensão, suspense e humor. É isso que acontece quando o Lobo Uau tenta derrubar as casas com o sopro, a música e a iluminação interagem com os gestos e falas dos personagens para prender a atenção do público e instigar reações conforme os fatos se desenrolam.

Os personagens, os irmãos Bisteca, Feijoada, Costelinha e o Lobo Uau, estão envoltos em jogos de linguagens da fala, do gesto, da música para recompor o já conhecido enredo, agora entrecortado por fabulações do engano, dos artifícios da palavra, da fuga e da astúcia, gerando a confluência de tensão e humor que mobiliza reações animadas do público.

Sempre que o Lobo Uau entra em cena, há uma mudança perceptível nos recursos de ativação sensorial. A música fica mais tensa e a iluminação passa a explorar tons de vermelho, criando um clima de alerta. Esses elementos ajudam a construir a presença do personagem, que, mesmo dentro de uma proposta mais leve, carrega, ainda, a ideia de ameaça.

O Lobo Uau é uma ressignificação do “Lobo mau” realizada por meio do uso de diferentes disfarces, como agente comunitário, entregador de aplicativo e figura familiar. Tal recurso amplia o campo interpretativo do texto, permitindo a ativação de repertório da plateia e promovendo uma leitura crítica acerca das estratégias de engano presentes na sociedade contemporânea.

Nessas cenas, o intérprete do Lobo Uau toma a atenção do público e se torna o grande destaque do espetáculo. No momento em que ele desce do palco, a sua atuação mobiliza a plateia a interagir com os personagens, fazendo com que as crianças participem ativamente da peça, respondendo e reagindo às suas perguntas.

A dramaturgia, o texto que orienta as falas dos personagens e suas ações no palco, reserva atenção necessária aos jogos de palavras para explorar o sentido figurado da linguagem e ampliar ainda mais as ramificações da história em constante conexão com o público. A troca proposital de palavras ativa algumas figuras de linguagem muito próprias do teatro para crianças e da palhaçaria, como a paronomásia (o trocadilho), a troca de uma palavra esperada no contexto por outra de grafia e pronúncia semelhantes, mas com sentido bastante diferente, a exemplo de “primo de terceiro degrau” no lugar de “primo de terceiro grau”, “videogame pirado” no lugar de “videogame irado”, citando trechos da peça. Também há um deslocamento de sentido na inversão de posições quando se usa um boneco de um homem, “o humaninho”, como brinquedo do porquinho, ativando a identificação do público que se vê presente no jogo entre o real e o imaginário, ou o real imaginado. Por meio do jogo com as palavras e com a sonoridade, esses artifícios são facilmente percebidos pelo público, provocando o riso, a diversão, enquanto também amplia a consciência linguística das crianças no brincar com as palavras.

A cenografia é composta por poucos elementos, um painel com imagem de floresta e painéis menores representando os “chiqueirinhos” dos porquinhos. Os figurinos são de cores intensas e marcantes, com detalhes que destacam a personalidade de cada personagem. 

Um recurso que chama bastante a atenção é a forma como os pensamentos dos personagens aparecem no palco. Em determinado momento, um personagem fica parado enquanto outros atores encenam aquilo que ele está pensando. Este recurso teatral, o “congelamento de cena” ou “quadro vivo”, permite que o público visualize algo que normalmente ficaria apenas no plano interno, quebrando um pouco a linearidade da cena e deixando a encenação mais interessante.

A direção da peça teatral consegue manter a fluidez em uma composição diversa que integra reflexões importantes para a sociedade a partir de situações simples, carregadas de humor. Temas como consumismo tecnológico aparecem quando há escolhas que envolvem coisas materiais e há também a discussão sobre autonomia, já que os personagens precisam aprender a fazer tarefas sozinhos, sem a interferência de adultos. A peça mobiliza, ainda, temas voltados para a promoção da saúde, como a prevenção da dengue, e para a responsabilidade ambiental, como a preservação da floresta, citando problemas atuais como queimadas e desmatamento.

O espetáculo envolve o público em uma experiência divertida, permeada por conexões inteligentes com referências de outras artes como a música, o mundo dos jogos (principalmente aqueles dos anos 1990) e o cinema. A peça promove entretenimento com reflexão social para as crianças e também para as suas famílias, fortalecendo a rede de produções de arte e de cultura na região de Porto Seguro. 

*O conteúdo desta publicação é de responsabilidade exclusiva de seus autores, não refletindo, necessariamente, a opinião do Jornal do Sol.*

Moara Sacchi participa com brilho do musical em homenagem a Zezé Motta

 

Estreou em São Paulo, com grande sucesso, casa lotada e a presença da própria homenageada, emocionadíssima, o musical “Prazer, Zezé!”. O espetáculo revisita seis décadas da carreira artística e da militância política de Zezé Motta.

Entre as intérpretes que dão vida à trajetória de Zezé, está a atriz e multiartista Moara Sacchi, moradora de Santo André - cuja performance também foi muito elogiada.

 

 

Dirigido por Débora Dubois, o elenco conta com Larissa Noel, no papel principal, além de nomes como Anastácia Lia, Arthur Berges, Adriano Tunes, Fernando Rubro, Luciana Ramanzini, Luciana Carnieli, entre outros.

A atual temporada fica em cartaz no Teatro Raul Cortez até 21/04, de quinta a domingo e feriados. Há sessões especiais com tradução em Libras e áudio-descrição. Mais informações no site do Sesc 14 Bis.

 

 

Moara Sacchi

Natural de Belmonte, desde pequena Moara encanta por inspirar jovens e movimentos de minorias, e realizar ações culturais. Moradora de Santo André, foi coordenadora do Instituto Sociocultural Brasil Chama África, membro do projeto Coral Vivo e colaboradora da Revista Raça Brasil.

Ativista, dançarina, modelo, artista e atriz, Moara se mudou para a capital paulista em 2019. Recebeu o Prêmio Respirarte 2020, do Edital Funarte, no Rio de Janeiro, pela performance “Dança das Águas”, um vídeo-dança na beira do Rio João de Tiba, em Santa Cruz Cabrália.

Em 2021, participou com grande repercussão da São Paulo Fashion Week. No mesmo ano, integrou o elenco do videoclipe “Gueto”, de IZA, exibido na Times Square em Nova York, e visto por mais de 27 milhões de pessoas. É também a artista que aparece no clipe da música Cleane, do Mc Crioulo.

Atuou em Necklace (Entrelaços), documentário ficcional musical dirigido por Fernando Grostein Andrade e Fernando Siqueira, com produção de Lázaro Ramos e Taís Araújo, exibido no Festival do Rio em 2023.

Em 2025, interpretou pela primeira vez uma personagem nas telonas, no filme "Malês", do ator e diretor, Antonio Pitanga, que começou sua jornada nos cinemas de todo o país em outubro.


Fotos: arquivo pessoal

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Do najważniejszych funkcji należą:

Takie narzędzia pomagają graczom zachować kontrolę nad własnym budżetem i traktować hazard przede wszystkim jako formę rozrywki.

Rozwój technologii w kasynach online

Branża kasyn internetowych nieustannie się rozwija i wprowadza nowe rozwiązania technologiczne. Coraz większą popularnością cieszą się gry z krupierami na żywo, które pozwalają uczestniczyć w realistycznych rozgrywkach transmitowanych w czasie rzeczywistym.

Duże znaczenie ma także rozwój technologii mobilnych. Dzięki aplikacjom oraz mobilnym wersjom stron gracze mogą korzystać z kasyn online na smartfonach i tabletach, co umożliwia grę praktycznie w każdym miejscu.

Komentarz: rozwój technologii mobilnych sprawił, że kasyna internetowe stały się jeszcze bardziej dostępne.

Podsumowanie

Kasyna internetowe stały się ważnym elementem współczesnej rozrywki cyfrowej. Bogata oferta gier, rozwój technologii bezpieczeństwa oraz wygodne metody płatności sprawiają, że coraz więcej osób korzysta z platform hazardowych online. Jednocześnie rośnie znaczenie świadomego wyboru kasyna oraz odpowiedzialnego podejścia do gry, które pomagają tworzyć bezpieczne i stabilne środowisko dla użytkowników.

ボーナスコードの使用

現代のオンラインカジノでは、ボーナスは多くの場合、特別なコードを使用して有効化されます。かじのしーくれっと カジノボーナスコードを使用すると、プレイヤーは追加スピンやデポジットボーナスなど、さまざまな特典を受け取ることができます。通常、このコードは、登録時またはアカウントへの入金時に、専用のフィールドに入力します。有効化後、ボーナスはユーザープロフィールで利用可能になります。これにより、ゲーム中に追加の特典をすぐに利用することができます。ただし、各ボーナスには、賭け金の要件や利用期限など、それぞれのルールがあることに留意してください。コードを利用する前に、プロモーションの条件をよくお読みになることをお勧めします。これにより、誤解を避け、ボーナスオファーの特典を最大限に活用することができます。