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Resenha: "O Catador de Histórias", peça infanto-juvenil de A Patela Cia de Teatro

Colaborador Cultura 14 de agosto de 2026

 

Resenhas críticas – Porto EnCena – 2ª Edição

Nossa Coluna Teatro no Jornal do Sol tem por objetivo publicar - nesse primeiro momento - resenhas críticas dos espetáculos apresentados no Festival de Teatro Porto EnCena - 2ª Edição.
Hoje, trazemos a análise do espetáculo "O Catador de Histórias", espetáculo infanto-juvenil de A Patela Cia de Teatro, por Rafael dos Santos Santana, Valdiléia Pereira Guimarães e Alisson dos Santos Pereira (integrantes do Mútua) e Keila Araújo, professora da LI Linguagens e coordenadora do Grupo de Leitoras(es) que escrevem literatura. A Coluna é uma parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

 

"O Catador de Histórias"

O elenco do espetáculo preocupa-se em ter a atenção e a adesão da plateia antes mesmo do início da apresentação, quando os artistas recebem a audiência na entrada do teatro. A proposta interativa já se estabelece ali, com a dinâmica que convida o espectador a escolher em qual lado da plateia deseja sentar: o lado de Robson Vieira ou o lado de Joane Bittencourt. A partir daí, o espetáculo O Catador de Histórias envolve todas as idades por meio da música e das histórias que encontram bons caminhos para iniciar: “quero começar mas não sei por onde, onde será que o começo se esconde?”. O trecho desta música, nacionalmente conhecida entre crianças e famílias, ativa as conexões de sentido da plateia de forma divertida e contribui para acolher a todos no clima da apresentação. 

A encenação se desenvolve como um musical interativo, quando os atos são costurados por canções performadas pelos artistas, enquanto uma banda composta pois dois músicos também está no palco, integrada às cenas e performances, cujos instrumentos participam do cenário e os figurinos completam a integração da sonoplastia como parte do elenco no palco e a proposta do espetáculo se constrói na articulação entre iluminação, som e atuação, todos os elementos em diálogo coerente com as cenas e histórias encontradas pelo caminho.

Robson veste bermudão cinza e camisa laranja; o Vovô usa um macacão cheio de bolsos; Joana veste saia verde, top lilás e um colar de zíper; o músico Du Txai veste uma jardineira com camisa em tom envelhecido; e Patrick San Kruger usa bermudão e meias coloridas. No centro do palco, o cenário é composto de forma experimental e combina elementos de viajantes contadores de histórias e objetos comuns dos espaços que as crianças criam para brincar: um tapete colorido, malas antigas de couro e uma caixa grande com tecido branco e embalagem de ovos, simulando uma televisão, ao lado esquerdo um banquinho de madeira, a qual em certos momentos Joana fica sentada, ao lado direito os músicos e os instrumentos, como bumbo, alaúde, afoxé, carrilhão de chaves,o ferrinho instrumental e o coquinho.

O personagem Vovô é o catador de histórias e surge em cena por meio de um boneco de fantoche quase do tamanho dos atores, manipulado por Robson Vieira. Nesse momento, os efeitos de luz e som capturam a atenção da plateia, anunciando o início das narrativas. Logo na primeira história, o conto do rei e sua roupa feita de um tecido invisível, destaca-se a criatividade dos elementos cênicos. Lenços se transformam em fantoches nas mãos do ator, dando vida aos acontecimentos. Em certos momentos, torna-se impossível desviar o olhar da apresentação.

No ato seguinte, há uma total mudança de planos e a ambientação sonora cria uma atmosfera marinha. O teatro mergulha na escuridão do mar, iluminado por tons de azul, transportando o público ao fundo do mar. O cenário revela soluções criativas, como o uso de embalagens de ovos recicladas. Essa narrativa aborda temas como a conscientização ambiental e os impactos da negligência com a vida marina e proposta de interação com o público ganha bastante materialidade. Os atores levam os bonecos de corda até a plateia, o polvo e a tartaruga continuam sendo projetados, desta vez bem perto das pessoas, ampliando a experiência sensorial.

A sequência do espetáculo segue priorizando o ritmo, a música e os jogos de linguagem. No conto da menina que desejava conhecer a menor história do mundo, a sonoplastia ganha ainda mais protagonismo: cada gesto, passo ou virada de página é acompanhado por um som específico. Talvez, em alguns momentos, a plateia deixe de acompanhar alguns detalhes das tramas internas, mas a escolha por combinar e, ao mesmo tempo, separar histórias no mesmo espetáculo permite uma experiência estética reveladora dos sentidos, da capacidade de visualizar os diferentes planos do real vivido e imaginado, e esses recursos revelam grande sensibilidade experimental e artística.

Todo o trabalho realizado no espaço do teatro revela um caráter atemporal, retomando as memórias de infância do público adulto com as cirandas cantadas e brincadeiras sem fim. Mas, para além desse sentimento nostálgico, temos uma dualidade com a infância e o fazer brincar, uma vez que as crianças estão se afastando cada vez mais cedo do brincar na atualidade.

No ato final, o Vovô Catador de Histórias retorna ao palco e encerra a apresentação com a frase: “os sonhos são primos das histórias”. A reflexão permanece, enquanto o espetáculo se despede com leveza e encanto. O Catador de Histórias se apresenta como uma experiência acessível a toda a família, mas também como uma proposta sensível para aqueles que buscam momentos de contemplação, riso e imaginação. Além disso, a peça apresenta ao público o trabalho da companhia A Patela, fundada por Robson Vieira, reafirmando a força do teatro como espaço de criação, encontro e reflexão.

 

Ficha técnica

Dramaturgia: Robson Vieira e Deborah Mazochi

Elenco: Robson Vieira, Joane Bittencourt, Du Txai e Patrick San Kruger.

Direção Musical: Du Txai

Festival Caju de Leitores 2026 tem como tema “Um Manifesto de Bichos”

Assessoria de Imprensa Cultura 11 de agosto de 2026

 

Com o tema “Um Manifesto de Bichos”, o Festival Caju de Leitores realiza sua 5ª edição na Aldeia Xandó. A homenageada desta edição é Maria Coruja, liderança Pataxó cuja trajetória está ligada à comunidade, à memória e aos saberes do território.

A programação é gratuita e vai reunir escritores, artistas, educadores, estudantes, pesquisadores, lideranças indígenas e comunidades em atividades dedicadas à literatura, artes, educação e saberes tradicionais.

 

 

O Festival tem como eixos centrais a formação de leitores e a aproximação entre literatura, território e educação. As atividades vão acontecer principalmente na Oca Tururim, abordando as relações entre literatura, memória, língua, natureza e os conhecimentos compartilhados pelas comunidades indígenas.

De acordo com os organizadores, o tema desta edição “propõe olhar para os bichos a partir de diferentes narrativas e formas de relação com o território. A proposta dialoga diretamente com o local e a presença dos bichos nas histórias, nas memórias e nos conhecimentos do povo Pataxó”.

Está programado também o “Vozes da Escola”, espaço criado para que as instituições de ensino apresentem atividades realizadas por seus estudantes, como leituras, contações de histórias, poesias, músicas, pesquisas e produções literárias.

O 5º Festival Caju de Leitores acontece de 02 a 04/09, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha. É uma é uma realização do Ministério da Cultura e da Savá Cultural; patrocínio da Neoenergia e Itaú, via Lei Rouanet, além da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro. Tem ainda parceria acadêmica da Universidade Federal do Sul da Bahia.


Com informações da Assessoria de Imprensa - Foto: divulgação

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Biel Brito na Banda Eva: de Porto Seguro para o Brasil

Redação Cultura 24 de julho de 2026

 

A vocação artística de Biel Brito surgiu ainda na infância. Nos tempos em que o pai, Carlinhos, o levava para a Escola Frei Henrique, em Porto Seguro, o talento já chamava atenção.

“Ele era bem pequenininho. Eu colocava música no carro e ele decorava tudo de primeira. Ficava quietinho, observando. Sempre foi assim, principalmente com a música”, relembra o pai.

 

 

Foi ao lado dele que Gabriel deu os primeiros acordes no palco do Bombordo, um dos bares mais tradicionais da noite de Porto Seguro, onde se apresentou durante muitos anos.

Agora, Biel Brito ganha projeção nacional ao ser anunciado como o novo vocalista da Banda Eva, sucedendo Felipe Pezzoni.

Antes dessa conquista, construiu uma trajetória consistente: começou como DJ aos 14 anos, comandou festas e grandes eventos, levantou multidões em trios elétricos e marcou presença no Carnaval de Porto Seguro e de Salvador, além de integrar as bandas Virou Bahia e DiDengo.

O orgulho da família transparece nas palavras de Carlinhos. “Ele não é apenas um músico, é um artista. Tem pensamento de artista. As composições dele são maravilhosas. Às vezes eu nem acredito que aquelas letras foram escritas por ele”.

Além de cantor e compositor, Biel é multi-instrumentista: toca percussão, bateria, violão e teclado. “Desde pequeno eu enxergava esse talento. Agora chegou a hora de mostrar ao Brasil tudo o que ele sabe fazer, com muita responsabilidade”, afirma o pai.

Ao longo de sua história, a Banda Eva revelou grandes nomes do axé, como Ricardo Chaves, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Emanuelle Araújo e Felipe Pezzoni, que seguirá à frente da banda até o Carnaval de 2027.

A chegada de Biel Brito reforça essa tradição de descobrir e projetar talentos. Nascido e criado em Porto Seguro, ele leva consigo o orgulho de sua cidade e inicia um novo capítulo em uma das maiores vitrines da música baiana.

E Porto Seguro, mais uma vez, aplaude um de seus filhos. De pé.


Foto: reprodução Instagram

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Primeira indígena a ocupar uma cadeira, Adriana Pesca Pataxó toma posse na ALPS

Redação Cultura 03 de agosto de 2026

 

A escritora, professora e pesquisadora Adriana Pesca Pataxó vai tomar posse na Academia de Letras de Porto Seguro no dia 13/08. Ela será a primeira indígena a integrar a Academia.

 

 

Adriana foi eleita para a ALPS em abril desse ano, juntamente com mais três novos ‘imortais’: Fábio Del Porto (escritor, jornalista e apresentador); Maurício Cordeiro (escritor e empresário) e Rose Marie Galvão (escritora, jornalista e historiadora).

 

Afirmação da autoria

Adriana é docente na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), com duas décadas de atuação na educação escolar indígena em Santa Cruz Cabrália. Para ela, “o ingresso na Academia representa a afirmação da autoria e do conhecimento produzidos pelos povos originários no território”.

Passando por um momento pessoal muito difícil, Adriana se expressou pelas redes sociais. “Na verdade, ainda não é possível mensurar a necessidade de retomar o caminho, quando se foi obrigado a parar”.

“No entanto, ao receber a notícia de que fui eleita como membro da Academia de Letras de Porto Seguro, primeira escritora indígena ocupando esse lugar de visibilidade, pude fazer uma pausa da sensação de impotência e então sentir as nuances da vida que ora nos presenteia, ora nos tira o chão. Mas as dualidades não são os únicos caminhos possíveis”.

 

Ampliação dos horizontes

De acordo com o presidente Rod Pereira, “a Academia não é um espaço de vaidade silenciosa, mas de ideias vivas, debate e impacto real na sociedade. Os novos membros não apenas ocupam cadeiras, mas assumem responsabilidades de produzir, participar e fortalecer a literatura”.

Sobre Adriana, Rod destaca que “há trajetórias que, ao chegarem a uma instituição, ampliam o seu horizonte. A de Adriana Pesca Pataxó é uma delas”.

“Adriana construiu sua caminhada no encontro entre educação, pesquisa, memória e literatura. Sua atuação está profundamente ligada à valorização da língua, dos conhecimentos e das experiências históricas do povo Pataxó”, explica.

“Em sua escrita, a palavra não é apenas registro. É permanência, transmissão e futuro. Sua produção intelectual contribui para que outras narrativas sejam conhecidas, respeitadas e reconhecidas como parte fundamental da história e da identidade de Porto Seguro”, acrescenta.

“Sua chegada representa o reconhecimento de uma trajetória consistente e fortalece o compromisso da instituição com a pluralidade das vozes que constroem o pensamento, a literatura e a memória do nosso território”, completa o presidente.

A cerimônia de posse acontece no dia 13/08, às 19h, no Centro de Cultura de Porto Seguro.


Foto: divulgação redes sociais

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Redação Cultura 23 de julho de 2026

 

O Complexo Mamagaya recebe, nesse sábado, 25/07, a partir das 14h, a 2ª edição do Rock Gaya. O festival, gratuito, vai muito além da música. Com nove bandas confirmadas, une rock independente e autoral com ações de educação ambiental, esportes, arte e gastronomia.

Serão 10 horas de programação com expectativa que o público chegue a duas mil pessoas. "O Rock Gaya não é só um festival. É movimento e coletividade. Ele prova que o rock, com toda sua força e rebeldia, também é uma plataforma de mudança social e ambiental, verdadeira e poderosa, em nosso território", diz a idealizadora Nathi Gallozzi.

A atração principal é a lendária banda de punk rock brasileiro Cólera, com mais de quatro décadas de história e resistência. Também estão confirmados os embaixadores do festival, Síndrome K (de Salvador); e o grupo The Maggots (de Vitória da Conquista) com um performático tributo ao Slipknot.

Completando o line-up vão se apresentar seis bandas selecionadas via edital do festival, que registrou o recorde de 183 inscrições: Aventureiros do Cais e Orla Sul (ambas de Porto Seguro); Nose Blunt (Santa Cruz Cabrália); Luxuosos Corações (Macapá/AP); Patatins (Itatim/BA) e Iorigun (Feira de Santana/BA).

A programação vai ocupar a Arena Mamagaya com atividades simultâneas focadas na cultura de rua e no ativismo ecológico:

- Skate: competição Best Trick (categorias Mirim e Open), com premiações e DJ no comando do som;

- Artes Visuais: sessões de graffiti em tempo real com artistas locais, valorizando as intervenções urbanas;

- Ração que Vira Rock: o público é incentivado a doar ração para cães e gatos durante o evento. As doações serão destinadas integralmente à ONG local Instituto Voz dos Bichos;

- Sustentabilidade e Educação: rodas de conversa, exposição conduzidas por biólogos e oficinas de reciclagem de instrumentos musicais agitam a tarde. Haverá o uso obrigatório de eco-copos, reduzindo drasticamente o descarte de resíduos no parque e na praia;

- Feirinha de Economia Criativa com artistas e empreendedores locais;

- Praça de Alimentação com diversas opções gastronômicas.

O Festival Rock Gaya é um projeto colaborativo independente e conta com o apoio estrutural da Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Secretaria do Meio Ambiente.


Fonte: Assessoria de imprensa FRG (Mabel Antunes)

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