O diretor do La Torre Resort, Luigi Rotunno, 45, assumiu recentemente a presidência da Associação Brasileira de Resorts, também conhecida como Resorts Brasil, que possui 50 associados de 14 estados. Nessa entrevista, ele fala sobre seus planos à frente da entidade, o mercado de resorts, o sistema All Inclusive, o crescimento do La Torre e a força econômica do turismo.
O que é a Resorts Brasil?
A Associação Brasileira de Resorts (ABR) foi criada em dezembro de 2001 e reúne os melhores resorts do país, selecionados a partir de uma matriz de classificação elaborada pela própria entidade, com o objetivo de proteger o nome ‘resort’ no mercado como segmento de qualidade em hospedagem.
Nós trabalhamos principalmente com dois pilares. No foco comercial, a divulgação dos resorts em feiras de turismo e workshops nos mercados nacional e internacional. O outro pilar é o institucional. A ABR possui dois assentos no Conselho Nacional de Turismo e dois na Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados. Com esses cargos, nós participamos ativamente da discussão de todos os projetos de lei relacionados ao turismo.
Quais são os seus planos à frente da ABR?
Em 2016, vamos organizar 18 eventos nacionais em e três internacionais. Nós mudamos as diretorias para cargos técnicos, que vão ter uma atuação muito mais eficiente. Fechamos também parcerias com o Sebrae e Senac para produção de pesquisas qualitativas e econômico-financeiras relacionadas ao segmento de resorts.
Qual o tamanho do mercado de resorts na Costa do Descobrimento?
O mercado ainda tem muito a crescer. E estaremos fazendo o máximo para promover ainda mais esse crescimento na região. Vários hotéis entenderam a necessidade de fazer um salto qualitativo, transformando seus hotéis em resorts. Mas é muito importante eles nos procurarem para entender as diferenças entre hotel e resort, e fazerem as modificações certas para poderem ser certificados.
O que caracteriza um resort?
Um resort deve possuir áreas verdes de amplo tamanho; piscinas grandes, na proporção específica de espelho d´água por apartamento; atividades de lazer para crianças e adultos; assim como oferecer todos os serviços de alimentação e bebidas.
Onde surgiu e como funciona o sistema All Inclusive?
No Brasil, o conceito All Inclusive surgiu em 2002, com o Breezes da Costa do Sauípe. O sistema é muito simples: o hóspede tem a alimentação e as bebidas incluídos na diária, além dos serviços intermediários às refeições, como lanches e bares abertos de dia e de noite. Geralmente é oferecido por resorts que têm uma forte atividade de lazer.
A tendência de expansão do All Inclusive é confirmada pelo mercado. Demorou um pouco para entrar no gosto do turista brasileiro. Mas eu diria que o All Inclusive “vicia”. O hóspede de All Inclusive volta.
Para o hoteleiro, qual a vantagem desse sistema?
O All Inclusive é um segmento hoteleiro. Nem sempre é uma vantagem para o empresário. Ele deve ser muito bem administrado. Ele tem prós e contras. É uma decisão estratégica de administração do próprio resort. Nem todo resort é All Inclusive.
O que funciona e o que poderia melhorar no turismo em Porto Seguro?
Porto Seguro está em alta no mercado e voltou a ser um destino muito procurado pelos brasileiros. Mesmo assim acho que devemos fazer nosso dever de casa e oferecer uma cidade organizada e estruturada corretamente para bem receber os turistas. Acho que precisa fazer um esforço maior nesse sentido.
Em 2014 o La Torre completou 10 anos. Como foi o processo de investir na hotelaria em Porto Seguro?
Porto Seguro é um símbolo do turismo nacional. Na época, sentimos falta de um resort na cidade, que era composta principalmente de hotéis. A cidade tem uma situação geográfica privilegiada, localizada no ‘centro’ das cinco principais capitais brasileiras. Além disso, tem um patrimônio histórico e ambiental único. Lembrando que Porto Seguro não possui prédios, praticamente uma exclusividade no país. Eu desconheço outro destino no Brasil que possui uma diversidade tão grande de praias num mesmo litoral. Enfim, são características ímpares para a exploração do mercado turístico no Brasil.
Conte-nos um pouco da sua história à frente do La Torre?
Fiz parte da primeira turma, que cuidava da área comercial, administrando os vôos da Holanda, que naquela época chegavam diretamente para Porto Seguro. Trabalhamos três anos intensamente com o mercado holandês. É uma época que ninguém esquece, faz parte da nossa história. A busca constante de novidades levou a ampliar o Hotel La Torre até virar um resort, que hoje é um dos maiores do Sul da Bahia. São 100 mil m² quadrados, incluindo área verde, 270 apartamentos, seis piscinas e 380 funcionários.
Quem é o dono do La Torre?
O La Torre pertence a um grupo de investidores internacional.
Quais são as metas do La Torre?
Acho que o La Torre deve procurar sempre alcançar critérios qualitativos superiores, na busca de uma melhoria contínua para surpreender nossos hóspedes, principalmente aqueles que voltam e veem maravilhados as mudanças que a gente faz. Esse efeito surpresa não pode parar. Estamos muito ligados ao mercado, especialmente às novas tecnologias e procurando surpreender. Vamos ver o que o futuro nos reserva. Quero destacar também nossa atividade de mídia social. Ela é muito dinâmica e pode ser considerada uma das três melhores do Brasil.
Que momento você destaca como o mais especial em sua história do La Torre?
Sem dúvidas a Copa do Mundo. Esse é um marco histórico do La Torre. Vale lembrar que tinham 800 candidatos como Centro de Treinamento e terminamos entre os 35 finalistas. E fomos o único que recebeu duas equipes. Porque oficialmente recebemos a Suíça, mas toda a diretoria da Alemanha também ficou no La Torre. Isso é uma lembrança eterna.