
Porto Seguro produz diariamente, uma média de 450 toneladas de lixo na alta estação, de acordo o secretário de Meio Ambiente, Benedito Gouveia. Na baixa, cai para 350 toneladas/dia. Apesar da volumosa quantidade de lixo de todas as espécies, a cidade ainda não dispõe de um sistema de reciclagem para auxiliar no desenvolvimento sustentável local.
“O aterro sanitário, em uso desde o ano 2000, virou um lixão controlado”, afirmou Bené. Como aterro, tinha vida útil de 18 anos e deveria se caracterizar pelo crescimento em camadas, gases drenantes, lagos de decantação e mantas de impermeabilização de polietileno. O lixão controlado tem parte do resíduo compactada e não atende alguns cuidados ambientais.
Um Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, iniciado em 2015, está sendo concluído em 2018, e, segundo garante o secretário, este é o primeiro passo para implantação de um sistema eficiente de reciclagem de lixo. “Até agora, nenhuma iniciativa deu certo, porque foram puladas etapas importantes no processo. Não existe um plano integrado, uma cadeia envolvendo reciclador, poder público e iniciativa privada. Tem que fazer um plano geral que atenda a Porto Seguro e aos municípios vizinhos”, salienta.
Dinheiro no lixo
Algumas iniciativas locais tem sido importantes para aliviar a carga de lixo deixada no meio ambiente por moradores e turistas. Uma barraca recolhe cocos e transforma em compostagem. O Instituto A Voz dos Bichos, ONG de proteção aos animais, recolhe latinhas de alumínio e uma empresa regional coleta óleo em hotéis e restaurantes e envia para São Paulo.
Bené Gouveia afirma que essas iniciativas, mesmo que realizadas em pequena escala, por particulares, são importantes, mas ainda é um grupo muito pequeno. A distância de grandes centros urbanos também é uma dificuldade apontada pelo secretário. “Estas são, geralmente iniciativas privadas fomentadas pelo poder público, estimuladas, em sua grande maioria, pelas vantagens econômicas e nem tanto pelas ambientais”, considerou.
Entre as propostas de reaproveitamento realizadas em Porto Seguro, o Instituto A Voz dos Bichos, de atendimento a animais, faz uma coleta de latinhas em diversos eventos. Segundo Adriana Prestes, representante da ONG, a média de arrecadação mensal é pequena: de 48 a 60 quilos. Cada quilo equivale a 75 latinhas e custa R$ 2,50. Desta forma, o que a ONG consegue arrecadar fica entre R$ 120 e R$ 150. “As pessoas não têm o hábito de reciclar e não valorizam a reciclagem. É difícil convencer. O nosso objetivo é ajudar animais de pessoas mais carentes e diminuir os custos para elas”.
Uma parceria entre a Associação de Agricultores do Extremo Sul e a barraca Barramares, na Orla Norte, está permitindo reaproveitar todas as cascas dos cocos vendidos no local. A barraca coleta o material e entrega na sede da associação. Os agricultores trituram o coco e o bagaço e depois de seco, segue para ser utilizado na plantação de banana. Desta maneira, é transformado em compostagem, um processo biológico de valorização da matéria orgânica. É um processo natural em que os micro-organismos promovem a decomposição do material orgânico e sua transformação em adubo. A prática é antiga mas tem ganhado mais popularidade devido à maior de preocupação com a sustentabilidade.

Já a empresa Reóba, de reciclagem de óleo, com bases em Itabuna e Teixeira de Freitas, estabeleceu, desde outubro de 2017, uma parceria com empresas do comércio, hotéis, restaurantes e pousadas para realizar a coleta de óleo em Porto Seguro. Há quatro anos trabalhando na área, já coletou 250 toneladas de óleo, que seriam jogadas no meio ambiente, segundo o responsável pelo trabalho na região, Saulo Rajão.
“Ainda não coletamos em residências porque a demanda é muito grande nos estabelecimentos comerciais e nas casas a coleta é muito picadinha”, afirma, enfatizando a necessidade de uma estrutura específica para isso. Eles coletam qualquer tipo de óleo comestível (vegetal e animal). O produto segue para limpeza e é enviado para São Paulo para as indústrias de transformação. De acordo com Rajão, este óleo poderá ser utilizado na fabricação de batons, massa para vidro, biocombustível, desmoldante e composição asfáltica.
Para a reutilização são necessários alguns cuidados. O comerciante alerta para os perigos da utilização do óleo para fazer sabão caseiro. “O manuseio pode gerar problemas como queimaduras. E o sabão, depois de utilizado, volta para a natureza como um detergente que acaba criando outros resíduos nocivos”.