
Associação de apoio a pessoas com deficiência quer transpor barreiras geográficas e criar filiais pelo mundo
Em 14 de janeiro de 2003, foi fundada a Associação de Deficientes de Porto Seguro. Com o passar dos anos e a crescente necessidade de apoio às pessoas com deficiência, a associação mudou de nome e se transformou em Fábrica do Ser: uma iniciativa que mudou a vida de muitas famílias, segundo depoimentos das mães de pessoas atendidas pela instituição.
A professora Luciene Oliveira, junto com as famílias, cuidadores, educadores e simpatizantes da causa, formaram, em 2013, um movimento social em prol da causa. Em 2016 conquistaram uma cadeira no Conselho Municipal em Defesa dos direitos das Pessoas com Deficiências (Comdef). Atualmente, Luciene assumiu a presidência da Associação dos Deficientes de Porto Seguro (ADPS), hoje, Fábrica do Ser.
A nova identidade é apenas uma pontinha da mudança experimentada pelas famílias, depois de associarem à instituição. Uma das premissas da entidade é promover o empoderamento das pessoas com deficiência, por meio do conhecimento de seus direitos e da luta pela melhoria da qualidade de vida, tornando-as protagonistas da sua própria história.

A rotina dessas pessoas na busca por respeito e cidadania é diária e as vitórias são contabilizadas uma a uma. Recentemente, a associação conquistou também uma cadeira na Ouvidoria Cidadã da Defensoria Pública do Estado da Bahia. Segundo Luciene, serão atendidas demandas do município de Porto Seguro, não só relacionadas às pessoas com deficiência, mas dos cidadãos que estão tendo seus direitos violados.
A Fábrica do Ser não tem fins lucrativos e conta com 600 associados. Embora tenha uma sede, as reuniões acontecem de forma itinerante na casa dos familiares, com o objetivo de envolver o maior número possível de pessoas. A sede fica localizada na Rua Evaldo Bento, Vieira, n° 361, casa 07, no bairro Cambolo.
Ampliando fronteiras
Os objetivos da associação não se restringem ao município. Um deles, bem desafiador, é atuar em todo território nacional e no Exterior, com filiais e escritórios em diferentes localidades. “A associação se dedicará às atividades de assistência social, saúde, educação, direitos humanos, meio ambiente e cultura, através de seus administradores e associados”, afirmou Luciene.

Outras vitórias a serem conquistadas são a inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, profissionalização, capacitação técnica, acompanhamento, manutenção e recolocação desta mão de obra. E dentre as propostas mais recentes estão os atendimentos e encaminhamentos especializados com equipe multidisciplinar e intersetorial, e a oferta do atendimento educacional especializado (AEE) no contraturno escolar. O propósito é estimular o aspecto cognitivo e motor, dando aos estudantes condições de acesso e permanência à escola, com direito a uma aprendizagem significativa.
Para Mara, mãe de um menino de 10 anos, o apoio da Fábrica do Ser tem sido fundamental na vida dela, da família e do filho autista. “A Fábrica do Ser me acolheu num momento muito difícil da minha vida, em que eu estava muito angustiada, sem ter rumos para o meu filho, como muitas mães. Luciene é um anjo que Jesus colocou em nossas vidas. A Fábrica do Ser é uma associação que veio para unir as mães, para ajudar, esclarecer, para que possamos enxergar os nossos direitos, e muitas foram as benfeitorias desde que eu me associei. A Fábrica do Ser nos põe para cima. A gente faz reuniões, palestras, discute as dúvidas que cada mãe tem e as dificuldades que cada uma passa. Sou muito grata à associação. Sou outra mãe, depois que entrei para a associação”.