
Em Porto Seguro, hortifrutis amanheceram de portas fechadas e gôndolas vazias. Hotéis e restaurantes já não sabem o que fazer. Não há previsão do recebimento de novas cargas e os preços já estão subindo assustadoramente. Mesmo após negociação dos representantes das transportadoras com representantes do Governo Federal na noite de 24/05/18, caminhoneiros não se dizem representados e mantém os bloqueios em importantes rodovias do país nesta sexta-feira, 25/05.
Com a falta de abastecimento de produtos em geral, o caos nas cidades em todo o território brasileiro já se instalou e a população sofre em decorrência disso. A rede hoteleira porto-segurense e os restaurantes estão lançando mão de produtos que substituam a carne, mas estes também já estão faltando: “Não tem como resolver a falta de produtos, estamos substituindo o que dá. Ovos, por exemplo, já não tem mais na cidade. Presunto está terminando este fim de semana. Não tem onde comprar”, disse Júlio Vernier, representante de hoteleiros. Segundo ele, os clientes estão entendendo e não estão reclamando. E disse ainda que percorreu a cidade toda em busca de itens para suprir a despensa. Nos hospitais, a preocupação também existe, tanto para suprimento de mantimentos, quanto de remédios e itens essenciais aos tratamentos.

“Ontem à noite fui ao supermercado no meu bairro e comprei cebola, pimentão e tomate custando entre R$ 4 e R$ 6 o quilo. Saí com uma sacolinha murcha, e gastei R$ 50”, disse uma cobradora de ônibus, cuja empresa está trabalhando com 30% de veículos a menos do que nos dias normais, para economizar no diesel.
Nos postos de combustíveis, não há mais produto estocado. Filas se formaram em frente às bombas na tarde de 24/05 para abastecimento dos tanques, com a gasolina custando até R$ 5,20. Muitas pessoas estão saindo de casa para trabalhar de bicicleta ou estão adiando seus compromissos. A prefeitura desmarcou uma caminhada alusiva às campanhas de trânsito, para o final do mês e emitiu nota informando que pode haver atraso na coleta de lixo em toda a cidade devido ao racionamento de combustível, o que deixou a população insatisfeita e ainda mais preocupada. As empresas que prestam serviço de travessia da balsa já informaram a redução de embarcações trafegando. Assim, estão operando apenas duas para carros e duas exclusivas para passageiros.