
Donos de food trucks tiveram uma importante conquista no início de maio. Eles conseguiram o apoio da Câmara de Vereadores para a comercialização de seus produtos em áreas antes proibidas pela Lei Municipal nº 1333/16, de 19 de dezembro de 2016. O Projeto de Lei Nº 046/2017, de autoria dos vereadores Lázaro Souza Lopes (PP) e Élio Brasil (PT), altera a redação da lei, liberando a comercialização da comida de rua na Orla Norte de Porto Seguro. Desta forma, permanece proibida a venda na Passarela do Álcool, Pça do Relógio, Cidade Histórica, Bróduei - no Arraial d’Ajuda, e no Quadrado de Trancoso.
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Vereadores concordam que a instalação de food trucks movimentam a economia e o local, ao tempo que oferece um serviço gastronômico. “Eu gostaria de vê-los em outros locais também”, disse Élio Brasil, que apontou a pça ACM e o bairro Mirante Caravelas como apropriados para a atividade. Segundo Geraldo Couto (PHS), 8% de moradores de Porto Seguro vivem do trabalho informal. Ele é favorável à iniciativa dos donos de food truck. “Dar emprego é melhor do que dar Bolsa Família. O food truck na praça movimenta o local e é melhor do que ficar deserto.”
Até a decisão se tornar lei, um acordo com a prefeitura vem permitindo à associação o funcionamento provisório nas áreas proibidas citadas e também nas praias de Taperapuan, Mundaí e Mutá. “Muitas famílias são sustentadas com o funcionamento dos food trucks”, disse o presidente da Associação de Food Trucks da Costa do Descobrimento (AFTCD), Alício Oliveira dos Santos (Sinho).
Áreas abandonadas
No município, segundo o presidente, há 23 food trucks funcionando, “todos em dia com a Vigilância Sanitária”. Ele afirma também que este é o número máximo de associados permitido pela entidade, que pretendem trabalhar em áreas públicas não turísticas, consideradas por eles abandonadas. Na Orla Norte, esperam ocupar o trecho que vai do km 13 ao 18 da BR 367, com uma ocupação intermitente. No projeto, propõem a construção de praças para localização dos veículos, com utilização de material sustentável como bambu, eucalipto tratado, iluminação e instalações permanentes, além da revitalização da área e realização de eventos temáticos para atrair o público. Tudo com investimento da associação.
Dentro da nova redação da lei municipal que trata do assunto, cursos de manipulação de alimentos estão entre as exigências. Também é necessária a mudança de trailer para veículos, no prazo de seis meses, o que já vinha sendo pleiteado pela associação, visando a padronização dos carros, além da padronização de mesas; e adoção de uniformes e objetos de higiene para manipulação de alimentos, como luvas, máscaras e afins. Para a profissionalização dos serviços, a AFTCD assegura que pretende firmar parcerias com a Vigilância Sanitária e com o Senac.
De acordo com Sinho, os food trucks geram mais de cem empregos diretos em Porto Seguro, mesmo que informais.Atualmente, são servidos desde sanduíches até comidas de boteco e sorvetes. Estudos do Sebrae nacional mostram que os food trucks são uma tendência, atendendo a moradores, turistas e pessoas que querem uma comida rápida, saborosa e a preços competitivos.
Concorrência e preservação
De acordo com Wilson Spagnol, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – ABIH Porto Seguro, a entidade não é contra a atividade econômica. “Mas é fundamental haver uma regulamentação e isonomia. Estamos discutindo internamente e interagindo com os setores do Legislativo para que a proposta aprovada contemple ordenamento, um turismo equilibrado e uma oferta turística de qualidade.”
Embora tenha apoio da Câmara, a medida preocupa também moradores dos arredores. Há cerca de cinco meses, alguns deles se manifestaram afirmando que são contrários à ocupação de áreas verdes, e que, em alguns locais, foram feitas instalações elétricas irregulares. Na época, alguns trechos foram cercados como áreas de preservação e marcados com placas proibindo o acesso.

