
Encontros para troca de figurinhas reúnem dezenas de pessoas; bancas nunca venderam tanto
Desde 1970, quando a editora italiana Panini ganhou os direitos comerciais e criou o primeiro álbum da Copa do Mundo, no México, colecionar essas figurinhas virou sucesso mundial. Porém, nada se compara à verdadeira febre que tomou conta de adultos, jovens e crianças, a partir do lançamento, em março, do Álbum da Copa da Rússia.
Os pontos de troca de figurinhas têm mobilizado dezenas de pessoas em busca dos cromos faltantes. Nem mesmo o preço do pacote - R$ 2,00, o dobro do valor em 2014, nem a menor quantidade de cromos em cada envelope, cinco agora contra sete da Copa no Brasil, foram fatores que desestimulassem os colecionadores.
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Donos de banca não encontram explicação para o fenômeno. “Rapaz, até agora eu não entendi não”, diz surpreso o experiente Marco Sampaio, proprietário da Veja Banca, a mais tradicional da cidade, há 41 anos funcionando na av. Getúlio Vargas. “O volume de vendas está muito melhor que em 2014, quando a Copa foi no Brasil”, atesta. Marco disse que já vendeu mais de 200 álbuns e na faixa de 10 mil envelopes.
Para Josi Sampaio, da Banca da Josi, há 18 anos na praça da Bandeira, “não é normal um álbum vender tanto assim. Até pela enorme queda das bancas de revista, esse álbum fez a gente recuperar um pouco do movimento, com uma renda extra muito bem-vinda”. Ela calcula que já tenha vendido mais de 15 mil pacotinhos e distribuído cerca de 400 álbuns “porque fizemos um acordo com a editora e, comprando 25 envelopes, a pessoa ganhava um álbum”.

Troca de cromos
Tanto a Veja Banca quanto a Banca da Josi estão promovendo encontros para a troca de figurinhas, aos sábados, a partir das 14h00. O senhor Célio Cancela estava com o neto Pedro, de 9 anos, no ponto de troca da Banca da Josi. “Eu gosto muito de colecionar porque fica uma lembrança, fica guardado como uma memória da Copa do Mundo. Nós já temos o álbum completo do Brasileirão e agora queremos completar o dessa Copa.
E Pedro acha bem legal sair com o avô para trocar figurinhas. “Como meu avô já falou, pode marcar uma lembrança da Copa. E também é muito bacana abrir um envelope, colar no álbum. Na minha escola tem vários colegas da minha sala que também estão fazendo o álbum e a gente troca muitas figurinhas.”
O mineiro Bruno de Souza, 32, de férias em Porto Seguro, disse que coleciona porque, passados alguns anos, os álbuns completos são bem valorizados, chegando a ser vendidos por até mil reais na internet. O custo para completar o álbum da Copa da Rússia, sem contar os cromos repetidos, é de R$ 280,00.
Além dos encontros presenciais, a tecnologia também é usada como ferramenta para a troca das repetidas. A Banca da Josi criou um grupo de WhatsApp, com 60 participantes, que buscam as figurinhas faltantes. No Facebook o grupo "Álbum de Figurinhas da Copa do Mundo 2014/2018 Panini", possui mais de 32 mil membros que marcam encontros presenciais em 150 cidades ou planejam permutas com pessoas de outras regiões, via Correios.

