
A proibição da circulação de veículos na Praça Brigadeiro Eduardo Gomes, no Arraial d’Ajuda deu nova rotina ao local. A mudança é visível para quem conhecia o incômodo do entra-e-sai de carros, ônibus e motos no local, onde há um rico patrimônio histórico como a igreja de Nossa Senhora d’Ajuda e o casario antigo. “Há novos empreendimentos, mais movimentação de pessoas a pé, e a tendência é que, em pouco tempo, o local esteja ainda mais movimentado e todos ganhem mais”, afirma Vinícius Parracho, advogado e morador.
Para alguns, o que acabou com um problema, gerou outro, argumentando que o fechamento da praça teria feito com que o fluxo de veículos migrasse para vias adjacentes ou para a rua do Parque Central, que possui uma área interna própria para estacionamento. Outros moradores defendem a tese de que os problemas de trânsito no arraial, que existem e são muitos, não começaram nem pioraram com o fechamento da praça da Igreja. A questão é que a área do Parque Central ainda não está pronta para receber a demanda e há muitas dúvidas quanto ao seu funcionamento efetivo para abrigar os veículos.
O empresário Heitor Siqueira, representante do Acordo Mucugê, sociedade organizada para promover melhorias no Arraial, acredita que, “embora haja essa implicância em deixar o veículo no estacionamento, os carros estacionados na rua do Campo não atrapalham, pois a rua é larga. Atrapalham onde sempre pararam carros e caminhões”. Ele acredita que a tendência no centro do distrito é que o fluxo de veículos seja cada vez mais dificultado e em seguida, proibido. “Há 15 anos, a rua do Mucugê é fechada na alta temporada para o trânsito de veículos. A ideia é expandir para o restante do ano. É uma tendência que vai se expandir para todo o centro”, aposta.
Conforme Heitor, por desconhecimento, muitos veículos são estacionados em frente ao Parque Central. De acordo com William Gama, presidente da Sociedade Amigos do Arraial, responsável pela administração do local, na área interna do parque destinada ao estacionamento cabem 700 automóveis. O espaço já está disponível para utilização e atualmente não há cobrança pelo serviço.
Flanelinhas em ação
Moradores reclamam que flanelinhas têm tentado intimidar possíveis concorrentes, ocupando espaços com cones e, desta forma, gerando insegurança. Para Gama, flanelinhas são um problema enfrentado em toda parte. “No espaço do estacionamento, temos tido apoio da Polícia Militar e guardas municipais para inibir. Entendemos que o estacionamento pode ajudar a mitigar os impactos do fluxo de veículos, entretanto, precisam ser feitas melhorias”.
O objetivo, segundo ele, é prestar um serviço seguro, limpo e que facilite mobilidade. Uma proposta está sendo elaborada em parceria com a prefeitura e envolve investimento na iluminação, criação de vagas e rampas de mobilidade para pessoas com necessidades especiais e na segurança física e eletrônica. Todas elas devem se integrar às adequações necessárias na rua Santa Rita, que liga a praça da igreja à rua do estacionamento. O projeto está em conclusão, mas ainda não há definição sobre a origem dos recursos nem previsão para início das obras. “Apenas o incremento da iluminação deve acontecer em breve”, afirmou Gama. Além das melhorias físicas, Heitor Siqueira vê a necessidade de realização de uma campanha de orientação para moradores e turistas para que a mudança possa acontecer sem transtornos.