Abaixo-assinado cobra melhorias no transporte coletivo da Orla Norte

Moradores dos bairros Pataxós, Riacho Doce e Villages I, II e III, na Orla Norte, voltaram a reclamar dos serviços prestados pela Viação Porto Seguro, única empresa que faz o transporte urbano na cidade. Desta vez, as reclamações envolvem os atuais horários definidos pela empresa, a substituição de ônibus por micro-ônibus e a dupla função exercida pelo motorista, que além de dirigir o veículo, faz as vezes do cobrador.

Um abaixo-assinado organizado pelos moradores foi entregue à empresa na primeira semana de dezembro. O documento recolheu aproximadamente 100 assinaturas e pede o retorno dos horários antigos, em que os ônibus passavam de 20 em 20 minutos no bairro - agora passam de 40 em 40 minutos. “A gente tem que sair bem mais cedo por causa da demora na chegada do ônibus”, disse a autônoma Gisela Oliveira, que entregou o abaixo-assinado na empresa.

Do bairro Pataxós até o Centro, trajeto que normalmente é feito em 15 minutos de carro, não se faz em menos de 50 minutos de ônibus. Dependendo do trânsito, este tempo pode até dobrar. Com exceção de um único horário matutino, em todos os outros horários, os ônibus têm que passar pelo bairro Mundaí, que envolve subida e descida da ladeira, o que torna a viagem cerca de 15 minutos mais demorada.

A substituição dos ônibus por microonibus também tem causado diversos tipos de constrangimentos. Idosos - mesmo os que não pagam passagem -, pessoas com deficiência, grávidas e pessoas com crianças de colo são obrigados a atravessar a roleta, instalada muito próxima à porta de entrada do veículo e num espaço sem qualquer acomodação. Em horários de pico, os microonibus seguem lotados e muitas pessoas fazem o percurso em pé. Os passageiros são acondicionados como sardinhas em lata, junto com suas mochilas, malas e sacolas de supermercado lotadas.

Já, com relação ao duplo papel do motorista, a preocupação dos usuários é porque, além de fazer a viagem ficar ainda mais demorada, a fila de passageiros aguardando para entrar fica maior e motorista se vê obrigado a dividir sua atenção com o recebimento da passagem, troco, abertura e encerramento de caixa.

Má conservação

O estado de conservação dos ônibus também continua deixando a desejar. A própria Gisela, moradora do Village I, afirma que já passou por duas situações de risco dentro do veículo, devido a peças quebradas que poderiam ter causado danos à vida. “É um descaso muito grande,” enfatiza.

A Viação Porto Seguro afirmou que vai analisar os pedidos. Mas já adiantou que, em relação à dupla função do motorista, não haverá mudanças. “É uma realidade do país. Dificilmente a gente vê uma cidade com motorista e cobrador trabalhando juntos, atualmente”, disse o gerente de Operações, Leandro Reis.

Sobre o retorno dos horários de 20 em 20 minutos e o tamanho do ônibus que atendem a localidade, ele disse que está analisando junto com a diretoria da empresa os horários de maior demanda e garantiu: “vai ter uma mudança. Há possibilidade de colocar, nestes horários de pico, um ônibus maior”. E que também está em contato com o administrador do bairro e o vereador que atende a área para estudar essas necessidades.

Até agora, mesmo com a cidade lotada, as mudanças não se fizeram notar. Resolvidos os problemas ou não, desde o início do ano, os usuários do transporte coletivo têm mais um motivo para cobrar eficiência do serviço: é que, em 1º de janeiro, a tarifa de ônibus urbano passou de R$ 3,25 para R$ 3,50. O decreto de aumento foi assinado pela prefeita Cláudia Oliveira no dia 10 de dezembro.