Voluntárias reativam a APAE e contam com o apoio da comunidade

Após sete anos sem funcionar em Porto Seguro, finalmente a APAE (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) está prestes a voltar a atender crianças e adolescentes com deficiência, graças ao empenho de diversas pessoas da comunidade e à parceria com o poder público municipal. “Após uma série de reuniões e com o apoio total da atual gestão, decidimos reativar a APAE. Não encontramos mobiliário ou qualquer recurso que pudesse ser aproveitado e sim dívidas a pagar. Mas estamos muito felizes porque a receptividade tem sido enorme e muitas pessoas têm se oferecido para nos ajudar”, afirma a atual presidente, Maurila Nogueira de Lima.

Para prestar seu trabalho voluntário, foi eleita a nova diretoria da entidade, que tem ainda como vice-presidente, Ivana Cancela; 1ª diretora financeira, Emília Loureiro; 2ª diretora financeira, Lúcia Setúbal; 1ª secretária, Carmem Gilse Nunes; 2ª secretária, Luciene Carvalho; diretora de Patrimônio, Ivone Medeiros Faust e diretora social, Nasiene Miola. O pontapé inicial para o funcionamento da entidade já foi dado, com a disponibilização de um imóvel pela prefeitura, à rua dos Pescadores, 53, Areião.

O poder público municipal também já disponibilizou os profissionais que vão compor a equipes pedagógica, administrativa e de serviços gerais. “Sem esse grande abraço, não teríamos nem como recomeçar”, diz Ivana Cancela.  Segundo ela, inicialmente serão acolhidos os alunos com deficiência que estão fora da escola regular. Na APAE eles participarão de projetos pedagógicos, incluindo oficinas de alfabetização, leitura, pinturas, recortes e histórias infantis. “O objetivo é integrar essas crianças e adolescentes ao convívio social, para que eles possam evoluir e ser incluídos de fato”.

 Apoio precioso

Entre os parceiros que já estão se mobilizando para apoiar a iniciativa está o Rotary Club de Porto Seguro, cujo presidente e diversos membros participaram de uma reunião com a diretoria, para avaliar que tipo de apoio a instituição poderá oferecer. “Recebemos algumas demandas da nova diretoria e vamos montar um projeto global para equipar a APAE, com possibilidade de conseguirmos todos os equipamentos necessários para a nova sede que a entidade pretende construir no Parque Ecológico”, disse o presidente do Rotary, Marcelo Lima.

A APAE está se reestruturando para voltar a prestar um serviço bastante apreciado e desejado pela comunidade local. Para funcionar, precisa ainda de profissionais como psicólogo, fonoaudiólogo e assistente social. Além disso, as novas gestoras estão planejando uma forma de implantar uma atividade econômica que gere recursos para bancar as despesas da instituição.  Enquanto isso, todo tipo de contribuição é muito bem vinda, inclusive através da criação de um quadro de associados. Doações também podem ser feitas pelo Banco do Brasil, agência 2489-9, Conta 46.254-3.

 

A APAE no Brasil

A Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) é um movimento que nasceu no Rio de Janeiro em 1955, após a chegada da americana Beatrice Bemis, do corpo diplomático norte-americano e mãe de uma portadora de Síndrome de Down. No seu país, já havia participado da fundação de mais de 250 associações de pais e amigos; e admirava-se por não existir no Brasil algo assim.

Motivados por ela, um grupo de pais, amigos, professores e médicos de excepcionais fundou a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE do Brasil, na sede da Sociedade de Pestalozzi. A partir daí, surgiram outras APAEs. No final de 1962, eram dezesseis. Durante encontro em São Paulo, pela primeira vez no Brasil discutia-se a questão da pessoa portadora de deficiência com um grupo de famílias que trazia suas experiências como pais de deficientes e, em alguns casos, também como técnicos na área.

O movimento logo se expandiu para outras capitais e depois para o interior dos Estados. Hoje são cerca de duas mil espalhadas pelo Brasil. A APAE é integrada por pais e amigos de uma comunidade com alunos portadores de necessidades especiais, e precisa contar com a colaboração da sociedade e dos poderes públicos.

Fonte: Manual de Pais e Dirigentes da APAE