Em Porto Seguro, cadeirantes penam para usar ônibus

Além da dificuldade em conseguir um ônibus para se locomover, cadeirantes também precisam driblar a falta de acessibilidade nas calçadas
Em Porto Seguro, pessoas com deficiência reclamam das dificuldades encontradas na hora de tomar um ônibus para qualquer ponto da cidade. Segundo elas, sempre que precisam se locomover, precisam ligar para a Viação Porto Seguro, única que presta serviço de transporte coletivo, e pedir que a empresa disponibilize um ônibus em um determinado horário.
A aposentada Kátia Medrado afirmou que já deixou de fazer consultas e exames por diversas vezes porque os ônibus “via hospital”, que estariam disponíveis para cadeirantes como ela, estão sempre com o elevador para este fim quebrado. “Eu até entendo porque os funcionários da empresa não querem ajudar a colocar a minha cadeira no ônibus. É porque é uma cadeira cara e pesada e, se quebrar, a empresa não vai querer pagar. E os veículos que fazem lotação não levam a gente”. Kátia também reclama da falta de rampas de acesso nos pontos de ônibus.
De acordo com Luciene Oliveira, presidente da Fábrica do Ser, associação que atua junto a pessoas com deficiência, a situação mostra a falta de respeito como elas têm sido tratadas. Ela relata que muitas vezes teve que intermediar o pedido, para que fosse atendido. “É um absurdo, uma falta de respeito, não dá para acreditar. Quando a empresa pode atender, atende; e quando não pode, eles acabam perdendo compromissos e deixando de ir a diversos lugares por falta de transporte.” Luciene afirma ainda que estes usuários ficam limitados a não sair nos fins de semana porque não há condução.
Outra cadeirante que já registrou prejuízos por falta de transporte adequado foi a auxiliar administrativa Edinéia Lírio de Souza, que mora na Vila Valdete. “Quando preciso ir ao Centro, procuro logo por Luciene. Ela liga para a empresa e eles colocam o ônibus. Mas segundo Edinéia, o único ônibus com elevador para cadeirantes que funciona é o de número 75003. “É raro a gente chegar no ponto de ônibus e ele passar. Já iniciei a faculdade duas vezes e tive que parar. No dia em que era para ir à aula, eu começava a ligar às 13h00, mas dava 18h30 e nada desse ônibus passar. Daí, ligava novamente e eles mandavam um para eu pegar. Mas eu chegava às 20h00 e as primeiras aulas já tinham acabado.”
Edinéia usa cadeira de rodas desde os dois anos e meio de idade. Não raro, a auxiliar administrativa precisa ligar para a escola onde trabalha, no Paraguai, e justificar a ausência por falta de transporte. “Eu não gostaria de ter que ligar para eles mandarem o ônibus, mas gostaria sim de ir e vir naturalmente”, lastima.
A redação do Jornal do Sol tentou contato telefônico e também via e-mail com a empresa de transporte, mas não obteve retorno.





