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Instituto Portobello Hotéis realiza 2ª edição do “Prêmio Honra ao Mérito”

Cultura 09 de julho de 2026

 

O Instituto Portobello Hotéis realiza a 2ª edição do “Prêmio Honra ao Mérito - Educação, Cultura e História”. O grande vencedor de 2026 é o escritor e poeta Paulo Sérgio Rosseto. Também serão homenageados o Centro Municipal de Pesquisa, Educação e Cultura (CEMPEC) e seu coordenador Carleone Filho - escritor, diretor de teatro e artista plástico.

De acordo com o empresário e escritor Cícero Sena, presidente do Instituto, o objetivo da premiação é “reconhecer personalidades e instituições que contribuem significativamente para o fortalecimento da educação, da cultura e da história de Porto Seguro”.

"Mais do que uma cerimônia, o prêmio busca incentivar o reconhecimento público de iniciativas que promovem impacto social, valorização e fortalecimento da história local. Os homenageados dessa edição são referências cujas trajetórias representam dedicação à cultura, à educação, à literatura, à memória coletiva e à democratização do acesso ao conhecimento”, parabeniza Cícero.

Além do troféu, Paulo Sérgio Rosseto receberá R$ 5 mil de premiação. A solenidade acontece dia 23/07, das 10h às 11h, no Hotel Portobello Resort, em Taperapuã.

 

Paulo Sérgio Rosseto

Escritor e poeta, paulista de Guaraçaí, 66, Paulo Sérgio Rosseto mora em Porto Seguro desde 1987. Em Três Lagoas/MS, onde residiu de 1971 a 1986, começou a estampar seus poemas nas páginas do Jornal do Povo. Em 1982, publicou seu primeiro livro, “O Sol da Dor da Terra”.

Hoje, tem 24 livros publicados. O mais recente, “O Barbeiro de Selviria” (2025). É membro da ALPS (Academia de Letras do Brasil - Seccional Porto Seguro), onde ocupa a Cadeira 18; e da AVIL (Academia Virtual Internacional de Literatura), na Cadeira 38.

 

Carleone Filho

Carleone Filho é escritor, diretor de teatro, artista plástico e gestor cultural. Graduado em Língua e Literatura Portuguesa, ele tem um papel ativo na promoção da arte, educação e literatura na cidade.

É coordenador do CEMPEC (Centro Municipal de Pesquisa, Educação e Cultura) em Porto Seguro; e membro e ex-presidente da Academia de Letras do Brasil - Seccional Porto Seguro (ALPS).

 

CEMPC

O CEMPEC (Centro Municipal de Pesquisa, Educação e Cultura) é um espaço mantido pela Prefeitura de Porto Seguro (por meio da Secretaria Municipal de Educação) focado no desenvolvimento integral de crianças, jovens e adultos.

O Centro oferece oficinas e cursos gratuitos à comunidade, abrangendo áreas como Artes, Teatro, Música e Idiomas. Além das atividades formativas, o espaço também sedia projetos de intercâmbio, mostras fotográficas, apresentações teatrais e exposições culturais abertas ao público.

 

 

Instituto Portobello Hotéis

O Instituto Portobello Hotéis é uma entidade sem fins lucrativos de Porto Seguro. Suas principais ações são focadas no desenvolvimento social e cultural da comunidade.

Suas iniciativas incluem também incentivo à leitura, como o “Projeto Portoteca”, para a formação de leitores e democratização do acesso a livros. São mini-bibliotecas instaladas em geladeiras em diversos pontos da cidade.

 


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O teatro como espaço de provocação em "Atendendo a Pedidos"

Cultura 01 de julho de 2026

 

Coluna Teatro

Resenhas críticas – Porto EnCena – 2ª Edição

Nesta quarta-feira, dia 1º de julho, a continuidade da Coluna Teatro, que tem por objetivo publicar - nesse primeiro momento - resenhas críticas dos espetáculos apresentados no Festival de Teatro Porto EnCena – 2ª Edição, traz a análise do espetáculo Atendendo a Pedidos, do A Patela Cia de Teatro, por Roberto Hermano, Mariana Souza Campos, Maria Júlia Moraes (estudantes da Licenciatura Interdisciplinar em Linguagens, integrantes do Mútua e Keila Araújo, professora da LI Linguagens e coordenadora do Mútua - Grupo de Leitoras(es) que escrevem literatura. A Coluna é uma parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e o Jornal do Sol.

 

O teatro como espaço de provocação em Atendendo a pedidos, da A Patela Cia. de Teatro

Atendendo a Pedidos é uma armadilha perfeita para quem, enganado pelo título trivial da peça, vai ao teatro na expectativa de um entretenimento desconectado de grandes reflexões, imaginando se tratar apenas mais um espetáculo facilmente esquecível e sem grande profundidade.  Antes de a peça de fato começar (e já tinha começado), o ator em cena, Robson Vieira, explica aos espectadores que o livre-arbítrio é fundamental para o fluir da peça, a participação da plateia faria parte do espetáculo e reitera: todos são livres para agir como lhes apetecer.

O alerta de “vem coisa boa por aí” é ligado logo no início, quando o ator aborda criticamente o mito da criação, e confronta a ideia de que somos seres especiais sobre a terra e que, muitas vezes, nos coloca diante de um enorme vazio existencial, quando nos deparamos com uma realidade que nos trata como mercadorias descartáveis e prontamente substituíveis.

Da sujeira no fundo da bacia de escalda pés, surge uma massa disforme que será moldada, soprada e então se tornará viva. Assim, a trama começa com uma releitura da criação do mundo, passando pelos planetas, o sol, a lua, a natureza e os animais, até chegar à criação do ser humano. Esse início tem um ritmo mais tranquilo, quase como se ele estivesse contando uma história antiga, contemplativa.

A perspectiva temporal da peça muda e chega ao cotidiano do trabalhador comum no mundo contemporâneo. Um rapaz que trabalha fazendo cobranças por um longo expediente para comprar uma casa e sustentar toda a sua família. O ritmo de vida é extremamente mecânico e acelerado, e ele não tem tempo para respirar ou gozar suas pequenas conquistas. Ele está exausto e desconectado de suas raízes. Mas quais raízes? A relação desse personagem com o trabalho abre espaço para o questionamento do que é ser um cidadão. Ser uma pessoa se resume a trabalhar? Essa rotina é determinada por compromisso de financiamento, o carro que comprou, a casa, a responsabilidade de sustentar a família. A vida passa a se configurar dentro de uma estrutura que enreda e impacta nas ações e “escolhas” das pessoas.

O planejamento do cenário e do figurino está alinhado com a voz direta e crua do ator em cena, na interpretação performática de cada personagem. Há uma preocupação em evitar excessos de elementos no palco: temos um banco de madeira, uma bacia com fogo, com água, barro, uma roupa de tom neutro em algodão, uma barba - talvez fosse o cabelo - que se desloca para o rosto, ainda na altura do olhos. Os movimentos do corpo e das mãos do ator, sua consciência corporal, seu movimento no palco e nos demais espaços do teatro intensificam a proposta de deslocamento de sentidos que o espetáculo compõe para confrontar as formas de existir no mundo politicamente orquestrado, sem se eximir da parte que lhe falta, mas trazendo também a parte que lhe cabe, como parte, participante.

O ator, em tom difícil de ser determinado graças à ironia ambígua de suas falas e movimentos,  escancara o quão previsíveis e repetitivas costumam ser as nossas vidas, em que os comportamentos, pensamentos e objetivos são determinados por um sistema que ignora completamente as individualidades, o que, como é tratado na peça, leva a uma ideia romântica da vida artística, como se esta fosse uma espécie de nirvana, que nos libertaria desse ciclo infinito.

O barro, matéria-prima da criação mítica abordada lá no início, reaparece no final, mas aqui ele é real, tangível e trágico, próximo da nossa realidade física no espaço e no tempo. A referência e o vídeo exibido são da tragédia ocorrida na barragem de Mariana, em 2015, mas as reflexões que a peça desperta podem ser aplicadas nos mais variados contextos.

Atendendo a pedidos, então, leva a ver outro tipo de lama, outro tipo de barro: os rejeitos tóxicos que soterram e matam. Matam “porque pode, é direito e está escrito”, citando falas do ator no palco. Ergue-se no palco, portanto, “O todo poderoso poder do capital”, das multinacionais que alastram latifúndios, morte e destruição.

Esta versão do espetáculo adicionou, ao final, imagens e cobertura jornalística do crime ambiental e humanitário das empresas responsáveis, o que trouxe a ênfase da barbárie cometida, da desumanização calculada e desconsiderada. Na apresentação do ano anterior, a peça se encerrava com o som da lama pelas vias respiratórias de uma criança enquanto a mãe a chamava, como fazia em todo fim de tarde. Como pode a lua ainda brilhar assim sobre este país?

Seguindo o tom provocativo, o ator se dirige, mais uma vez, ao público e diz algo como “pronto, quem estava dormindo já pode acordar”, mas a verdade é que é impossível alguém dormir ali. O ritmo da apresentação composto por elementos de som, luz, atuação performática e interativa prende a atenção do público para além do tempo de apresentação. Atendendo a pedidos irá ecoar pela noite e pelos dias que seguem até que as urgências do cotidiano recobrem toda a atenção.

Festa sensorial do corpo na coletividade - espetáculo Bloco da Lua Vermelha, do Grupo  SomaCorpo de Teatro

Cultura 12 de junho de 2026

Coluna Teatro

Resenhas críticas – Porto EnCena – 2ª Edição

Nesta sexta-feira, dia 12 de junho, a continuidade da Coluna Teatro, que tem por objetivo publicar - nesse primeiro momento - resenhas críticas dos espetáculos apresentados no Festival de Teatro Porto EnCena – 2ª Edição, traz a análise do espetáculo Bloco da Lua Vermelha, do Grupo SomaCorpo, por Paola Muniz Santos Santana, estudante da Licenciatura interdisciplinar em Linguagens e suas Tecnologias - UFSB, integrante do Mútua; e de Keila Araújo, Professora da UFSB, coordenadora do Mútua - Grupo de Leitoras(es) que escrevem literatura. A Coluna é uma parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e o Jornal do Sol.

Festa sensorial do corpo na coletividade - espetáculo Bloco da Lua Vermelha, do Grupo  SomaCorpo de Teatro

Como condensar o Carnaval da Bahia em um espetáculo e poder levá-lo a qualquer lugar do mundo? A apresentação da peça teatral Bloco da Lua Vermelha (Grupo SomaCorpo de Teatro) trouxe uma vasta sensação de euforia que se prolongou para além do dia 27 de  março, trazendo a experiência do carnaval de rua para dentro do teatro do Centro de Cultura de Porto Seguro (BA), reafirmando os impactos do Festival Porto EnCena.

A obra inicia-se com a celebração do carnaval, quando o elenco realizou apresentações de dança, canto e música, com atabaques e apitos, para demonstrar o entusiasmo característico da ocasião. A direção compôs um espetáculo em que a coletividade se torna protagonista e, além de quebrar a quarta parede em comunicação direta com o público, há forte presença das mobilizações próprias do teatro interativo, que inclui o público no tempo, espaço e trama da peça. A proposta da peça é instantaneamente aceita pelo público presente, que interage com atores ali, já no meio da plateia, participaram com palmas, cantaram alto, se tornaram parte do movimento que ocupou todos os espaços do Centro de Cultura.

Os jogos da iluminação estão em sincronia com os movimentos do corpo do elenco na expressão da dança, que vem de dentro, e fazem parte da composição que amplia toda a linguagem dos corpos em movimento interacional. Toda a ambientação foi preparada para a experiência sensorial das pessoas ali presentes, seja pelas referências trazidas a partir das religiões afro-brasileiras, seja pelo significado da lua vermelha, que vai mudando de fases e que vai subindo no alto do espaço conforme o enredo se estende.

Os personagens são envoltos em mistérios, credos, lendas e mitos. Temos, por exemplo, a personagem Cassandra, uma bruxa cartomante que tem o dom de falar com a lua; temos a apresentação da Rua Meia Nove, onde todo o enredo acontece, composta por dois personagens que representam a força ancestral de Exu e Pombagira (entidades ligadas às religiões afro-brasileiras); um homem que vira “lobo”; uma mãe preocupada; uma filha que parte daquela cidade, cujas oportunidades são escassas, e retorna inspirada pela saudade; uma policial ríspida, que muda de personalidade conforme a história se desenvolve; sem falar na personagem fofoqueira, que compõe grande parte do humor da peça; um vendedor ambulante, que transmite alegria; e, ainda, a imagem da mulher provedora, representada pela personagem Afrodite.

Todo esse conjunto de personas e referências forma a composição da peça, sendo possível relacionar essas personalidades à sociedade contemporânea. O espetáculo desenvolve-se fielmente com a fantasia e as crenças populares que estão bastante atuantes hoje, quando a resistência se faz re-existência, e as crenças dos povos tradicionais retomam forças graças ao crescente número de pessoas que estão experienciando uma retomada das tradições daquelas(es) que vieram antes, em uma busca pelos saberes e experiências da ancestralidade, que fez da festa, da carnavalização das dores, das lutas, o poder de fazer brotar a vitalidade da alegria como tecnologia de sobre-vivência.

Em certo estágio, a peça vai se afastando da euforia do bloco para um outro lado da vida que não precisaria ser experienciado, não fosse a política de matar e deixar morrer os grupos minorizados, conforme conceito de necropolítica de Achille Mbembe. Nessa direção, um dos pontos mais marcantes vem do ápice do processo de percepção que o público vai construindo ao longo da história, pois o espetáculo trabalha com a ficção presente nos personagens; entretanto, torna-se compreensível que a peça, em si, não é sobre carnaval, bruxas ou lobisomens, mas também está dedicada às violências que avançam para cercear os movimentos de liberdade da expressão da vitalidade desejante e criativa das mulheres, causados pela misoginia e pela miséria intelectual (Márcia Tiburi) que motiva a vertente violenta da masculinidade.

A peça é uma crítica extremamente importante, apresentada justamente no mês das mulheres, em um ano em que o índice de feminicídio denuncia uma urgência por justiça e por políticas públicas dedicadas ao respeito às diversidades de gênero e defesa da vida. Vale ressaltar que o espetáculo traz algumas falas densas, especialmente pelo personagem do lobo, o que pode causar forte impacto ao(à) espectador(a), principalmente em pessoas mais sensíveis ou que vivenciaram situações violentas relacionadas à história.

Mais uma vez, a direção e atuação do elenco ressignificam a atmosfera densa, transformando-a nas falas das personagens femininas, que compreendem aquele contexto e revertem em denúncia as situações de ameaça a suas vidas e emitem críticas que fomentam a mensagem principal transmitida pelo espetáculo.

Outro ponto que destaca o trabalho de produção de arte da direção e do elenco é a composição de dois finais para o espetáculo: um desfecho que se encerra em tragédia, denunciando as ocorrências do mundo real, infelizmente, e outro em que a alegria é poeticamente expressa pelos personagens, mostrando que certos finais podem ser diferentes. Precisamos que sejam diferentes.

Por fim, o espetáculo é altamente convidativo e mobiliza fortes reflexões sobre o  tema proposto. Toda a composição do espaço foi pensada para prender a atenção da plateia, que se torna parte da obra, pois facilmente entram em estado de catarse causado por um misto de emoções, envolvidos na atmosfera criada. O enredo é transformador, as falas são urgentes em nosso contexto e a reflexão sobre o tema não se esgota, levando o público a querer assistir ao espetáculo novamente.

Criação da Bahia Filmes deve fortalecer produção audiovisual no Estado

Cultura 30 de junho de 2026

 

 

Primeira empresa estadual do segmento no Brasil, o Governo do Estado inaugurou no final de junho a Bahia Filmes. A ação integra o Plano Plurianual (PPA) 2024-2027. O objetivo é fortalecer a cadeia produtiva do setor, ampliando as oportunidades para produtores, realizadores e empresas baianas.

Durante o lançamento, foi apresentado o primeiro conjunto de investimentos que integra a atuação da companhia. O pacote inicial reúne R$ 46 milhões distribuídos em linhas de investimento voltadas à comercialização de obras audiovisuais e do Programa Arranjos Regionais Bahia, realizado em parceria com o Ministério da Cultura e a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).

Os editais estarão disponíveis no site da Bahia Filmes.

Vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), a instituição atuará em diversas frentes. Entre elas, na captação de investimentos públicos e privados; apoio à distribuição e comercialização de obras; atração de produções para o território baiano; a formação profissional; a promoção de talentos e empresas do setor; e o desenvolvimento de novos negócios.

A Bahia Filmes foi criada por meio da Lei Estadual nº 14.877/2025 e nasce como uma sociedade de economia mista. É resultado de um processo de construção em diálogo com o setor.

O ato de lançamento foi realizado na sede da empresa, no edifício Oscar Cordeiro, no bairro do Comércio, em Salvador, e reuniu representantes do Governo da Bahia, profissionais do setor audiovisual, artistas, produtores, comunicadores e instituições parceiras.

Além da Bahia Filmes, o edifício recebe a Diretoria de Audiovisual da Fundação Cultural do Estado da Bahia (DIMAS) e a Cinemateca, que vai ser a casa do cinema baiano.

"A criação é resultado da parceria com o Governo Federal, e a retomada do Ministério da Cultura nos fortalece e garante que teremos uma política com repercussão nacional na Bahia", celebrou o governador Jerônimo Rodrigues.

 

 

Durante a solenidade, o chefe de Estado anunciou o decreto que regulamenta a Bahia Film Commission, além do lançamento dos editais de contrapartida do Programa Arranjos Regionais, do Edital de Chamamento Público para Comercialização em Sala de Cinema e da concessão do Cine Glauber Rocha.

 

Fortalecimento do setor

De acordo com o secretário de Cultura do Estado, Bruno Monteiro, “a Bahia Filmes chega para fomentar novas produções, ampliar as possibilidades de comercialização das obras baianas e fortalecer toda a cadeia produtiva do audiovisual, gerando impactos econômicos e culturais em diferentes áreas”.

Monteiro destacou que, “com os avanços da tecnologia, o audiovisual se tornou um universo muito mais amplo, exigindo uma estrutura capaz de integrar formação, produção, inovação e captação de investimentos, fortalecendo o diálogo entre os diversos atores do setor”.

O diretor-presidente da Bahia Filmes, o cineasta baiano Pola Ribeiro, ressaltou que a empresa nasce para coordenar o novo ambiente de produção audiovisual. "Com a tecnologia, cada pessoa tem no bolso um equipamento que é câmera, grava som, guarda a memória, edita e utiliza inteligência artificial. E a gente precisa de uma estrutura que, de alguma forma, coordene esses pensamentos para não perdermos oportunidades".


Com informações de Ascom Gov Bahia e Setur BA - Fotos:  Thuane Maria GOVBA

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A experiência sensorial da história da Bahia em Desastroso Carnaval, teatro imersivo com tecnologia 3D

Cultura 29 de maio de 2026

 

Coluna Teatro

Resenhas críticas – Porto EnCena – 2ª Edição

Nesta sexta-feira, dia 29 de maio, a continuidade da Coluna Teatro, que tem por objetivo publicar - nesse primeiro momento - resenhas críticas dos espetáculos apresentados no Festival de Teatro Porto EnCena – 2ª Edição, traz a análise do Teatro Imersivo 3D 'Desastroso Carnaval', por Keila Araújo - professora na UFSB e coordenadora do projeto de extensão Mútua - Grupo de leitoras(es) que escrevem literatura; além de Jamile Alexandrino- estudante da Licenciatura em Linguagens e suas Tecnologias na UFSB, pesquisadora na Iniciação Científica. A Coluna é uma parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e o Jornal do Sol.

A experiência sensorial da história da Bahia em Desastroso Carnaval, teatro imersivo com tecnologia 3D

Desde a chegada ao espaço reservado para a apreciação de Desastroso Carnaval, o público já adentra em uma experiência singular. A equipe recebe cada pessoa, oferece uma cadeira ali na área externa do Centro de Cultura, estão todos ao redor, mas, quem põe no rosto o equipamento de imagem em 3D e ativa a exibição escolhe entre as três perspectivas da história e já é transportada para a Salvador do início do século XIX e revisita momentos marcantes da história da Bahia, em especial o martírio da abadessa Joana Angélica, em 1822.

A obra se constrói como um mosaico de perspectivas, a mesma situação é apresentada em três versões diferentes, revelando olhares múltiplos sobre o acontecimento. O uso de recursos de som ambisonics intensifica o efeito imersivo da experiência, pois as cenas dos vídeos são acompanhadas de um áudio espacial que captura e reproduz sons em todas as direções frente, trás, lados e até acima e abaixo criando uma experiência sonora que simula a vivência direta. A montagem também segue uma direção fragmentada, a montagem ucrônica como método, e leva o público a visualizar versões diversas do mesmo acontecimento, notar contrastes e fazer parte das possíveis conexões de sentido. Com os óculos 3D que permitem acessar os efeitos do som e imagem próprios do cinema tridimensional, cada pessoa atravessa a cena, sente o espaço e vivencia os acontecimentos como observador de uma realidade deslocada no tempo e no espaço. É como se memória, arte e tecnologia se entrelaçassem para dar corpo a uma experiência que deixa de ser categoricamente externa para se  expandir dentro de cada espectador por meio dos efeitos sensoriais da produção.

A narrativa se abre em meio ao caos de um carnaval inesperado em 1822, marcado por confusões e desastres que mudariam para sempre a história da Bahia. No centro desse turbilhão, está o episódio trágico da morte da abadessa Joana Angélica, que, ao tentar impedir a invasão do Convento da Lapa por soldados portugueses, foi brutalmente assassinada. Seu gesto de coragem a transformou em mártir da Independência e símbolo da resistência contra a opressão colonial.

O desdobramento da história em versões traz Urânia Vanério, ainda menina, que testemunhou a cena e registrou sua visão inebriada pelo olhar da infância. O Brigadeiro Madeira de Mello, envolvido diretamente nos conflitos, oferece sua interpretação marcada pela lógica militar e pela política da época. E, por fim, surge a voz da própria Joana Angélica, que nos conduz ao íntimo de sua decisão e ao peso de seu sacrifício.

A cenografia recupera uma ambientação de época bastante precisa quando as filmagens acontecem nos espaços internos e externos de prédios históricos do estado da Bahia, embarcações e portos. Os métodos de montagem criam efeitos de imagem instigantes como a visualização de elementos do cenário que aparecem estáticos, enquanto o plano de fundo permanece em movimento. O deslocamento temporal se acentua ainda mais com figurinos bastante elaborados e coerentes com o universo da época, enquanto o uso de máscaras traz uma forte marca do teatro e seu lastro histórico, também as expressões corpóreas e os gestos contrastam com o caráter fílmico e reforça a estética teatral da produção.

A condução da obra segue uma proposta experimental que ativa referências da história dos fatos, remetendo ao passado, em contraste com recursos de tecnologia recente para manter um constante movimento entre passado e presente a ponto de criar uma atmosfera que beira o onírico e surpreende o público com cenas de impacto e estranhamento.

O Desastroso Carnaval ultrapassa os limites do teatro e do cinema tradicionais ao unir memória histórica, tecnologia e sensibilidade artística em uma experiência verdadeiramente imersiva. A escolha de revisitar o martírio de Joana Angélica por meio de múltiplas perspectivas (Urânia Vanério, Brigadeiro Madeira de Mello e a própria freira) confere densidade e complexidade à narrativa leva o público partícipe a compreender não apenas os fatos, mas também as emoções e contradições que os cercam. Assim, a obra se consolida como uma experiência inovadora e profundamente humana, capaz de transformar um marco histórico em vivência sensorial e crítica, reafirmando o poder da arte como dispositivo de memória, resistência e reinvenção.

O site Himersoteca mantém as potencialidades da imersão e apresenta um mapa interativo com acesso aos ambientes e cenas de Desastroso Carnaval, além de apresentar dados sobre o processo de produção das filmagens e da edição da obra que já chegou a mais de mil e duzentos estudantes das escolas de ensino médio da rede estadual da cidade de Porto Seguro, como retorno social do projeto fomentado pela FAPESB/SECTI Edital Metaverso no 2 de julho.

Ficha técnica de Desastroso Carnaval:

Autor: Leonardo da Silva Souza

Pesquisa histórica: Vanilda Salignac e Dr. Leonardo Souza

Pesquisa dramatúrgica: Leonardo Souza e Éder Rodrigues

Trilha sonora: Daniel Fils Puig

Design de Som: Fábio Janhan

Design de Máscaras: Pâmela Peregrino

Dramaturgia: Leonardo Souza

Tecnologia: Leonardo Souza

Intérpretes:

Robson Vieira

Priscila de Cássia

Silvia Lira

André Simião

Fabrício Godinho T

Tânia F.

Thiago N.

Nayara Moura

Lorrana Amparo

Bolsistas:

Robson Vieira

Priscila de Cássia

Mateus Moura

Daniel de Jesus

Marcely Gomes

Filipe de Souza Couto

Nayara Moura

Voluntários:

Sabrina Piloto

Maiara Scher

Beatriz N.

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  3. Travessias do teatro-vida: 'Como não matar nossos artistas no quintal de casa'
  4. Coluna Teatro - O riso e a renovação da linguagem na peça Os Porquinhos e o Lobo Uau

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